Santander (SANB11) tem ação rebaixada para venda pelo Credit Suisse e cai na bolsa
Selic alta por mais tempo e aumento da incerteza fiscal devem adiar a recuperação da margem financeira líquida do Santander

O Credit Suisse rebaixou a recomendação para os papéis do Santander (SANB11) de Neutro para Venda, alegando um cenário operacional desafiador neste ano. As ações do banco lideram as quedas na bolsa nesta segunda-feira (23).
Em relatório assinado pelos analistas Marcelo Telles e Daniel Vaz, o Credit aponta que o indício de que a Selic deve se manter alta por mais tempo e o aumento da incerteza fiscal devem adiar a recuperação da margem financeira líquida tanto do Santander quanto do Bradesco.
Dessa forma, o banco cortou as projeções para o lucro líquido do Santander em 33% para este ano e fixou a estimativa em R$ 12,3 bilhões. O Credit também revisou o preço-alvo dos papéis de R$ 35 para R$ 31, o que indica um potencial de alta de apenas 6,3% em relação ao fechamento de sexta-feira (20).
O Bradesco (BBDC4) também teve as projeções de lucro para 2023 cortadas pelo Credit Suisse, que reduziu as estimativas em 12%, para R$ 23 bilhões. O preço-alvo também foi reduzido de R$ 19 para R$ 16, um potencial de alta de 9% em comparação com o último fechamento. A ação do Bradesco também cai nesta segunda.
Efeito Americanas (AMER3)?
O escândalo da Americanas (AMER3) contribuiu parcialmente para a deterioração do cenário estimado pelo Credit para os bancos brasileiros. No relatório, os analistas rechaçam um risco sistêmico para os bancos, mas destacam que eles devem encarar provisões mais altas devido à exposição direta aos empréstimos da varejista.
A Americanas, vale lembrar, entrou com pedido de recuperação judicial na semana passada, o que significa que durante 180 dias ela não pode ser cobrada pelos credores.
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Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) são top picks
Dentre os grandes bancos, o Credit Suisse reiterou sua preferência pelas ações do Itaú (ITUB4) e do Banco do Brasil (BBAS3) com recomendação de compra para ambos os papéis.
De acordo com o Credit, o Itaú deve continuar se saindo melhor que os pares em termos de qualidade dos ativos e margem financeira líquida. O banco suíço estima o lucro do Itaú em R$ 34,5 bilhões neste ano.
Vale notar, no entanto, que o Credit cortou o preço-alvo das ações do Itaú de R$ 36 para R$ 32. Ainda assim, o novo valor indica potencial de alta de 22% em relação ao fechamento de segunda-feira.
Quanto ao Banco do Brasil, o Credit avaliou o discurso inicial da nova presidente do banco estatal, Tarciana Medeiros, como positivo. Ela destacou que é possível que o BB cumpra com sua responsabilidade social e, ao mesmo tempo, se comprometa a criar valor para os acionistas minoritários.
O Credit projeta lucro de R$ 33,4 bilhões para o BB neste ano e fixa o preço-alvo para o papel em R$ 50, um potencial de alta de 24,7%. O papel do BB é o único em alta entre os quatro grandes bancos nesta segunda.
Confira o resumo na tabela abaixo:
| BANCO | RATING | PREÇO-ALVO | POTENCIAL |
| SANTANDER (SANB11) | VENDA | R$ 31 | 6,3% |
| BRADESCO (BBDC4) | VENDA | R$ 16 | 9% |
| BANCO DO BRASIL (BBAS3) | COMPRA | R$ 50 | 24,7% |
| ITAÚ UNIBANCO (ITUB4) | COMPRA | R$ 32 | 22% |
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