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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances "O Roteirista", "Abandonado" e "Os Jogadores"

ESTRATÉGIA

Fundo Verde volta a apostar contra o dólar e explica o fator que contribui para o real forte — mas nem todos perceberam

Apesar da visão estrutural mais favorável ao real contra o dólar, o Verde decidiu reduzir a posição em bolsa após a alta recente

Cédulas de real e dólar
Cédulas de real e dólar - Imagem: Barbara Cosme/Shutterstock

O lendário fundo Verde voltou a apostar no real contra o dólar. E dedicou a maior parte da carta mais recente aos investidores para justificar a posição na moeda brasileira.

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Em novembro, o fundo pilotado pela equipe de Luis Stuhlberger registrou rentabilidade de 2,91% — melhor resultado e ano e bem acima dos 0,92% do CDI, o indicador de referência.

A gestora decidiu então aproveitar o rali dos ativos de risco para fazer mudanças na carteira. Entre as novidades está justamente a posição comprada em real contra o dólar.

Para os gestores do Verde, uma melhora estrutural ocorreu ao longo de 2023 e talvez não tenha sido adequadamente percebida pela maioria dos analistas: a balança comercial.

O saldo entre exportações e importações vem batendo recordes sucessivos e superou os US$ 90 bilhões no acumulado dos últimos 12 meses até novembro.

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"Acreditamos que a manutenção desse novo patamar, próximo a US$ 100 bilhões (o dobro do pré-pandemia), é um fator relevante na determinação da taxa de câmbio", escreveu o Verde, na carta aos investidores.

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A relação entre a balança comercial e o dólar é direta porque o avanço das exportações aumenta a entrada da moeda norte-americana no país.

PODCAST TOUROS E URSOS: CAMPOS NETO FECHA A CONTA DE 2023 COM CORTE NA SELIC. QUEM GANHA E QUEM PERDE COM OS JUROS MAIS BAIXOS?

Dólar e balança comercial

Parte da melhora da balança comercial veio do aumento dos preços dos produtos que o Brasil exporta. Portanto, uma eventual queda poderia reduzir esse saldo favorável e voltar a pressionar o dólar. Mas não é isso que os gestores do Verde acreditam.

"Para que a queda de preços leve a essa redução é necessário que o preço das exportações recue 10% enquanto o das importações fique estável, algo possível, mas parece pessimista dada a correlação entre eles e a tendência recente."

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Ao mesmo tempo, o Verde destaca o aumento no volume de exportações de produtos, em especial a soja e o petróleo. "Tanto petróleo como a soja passaram por a uma onda de investimentos, que parece produzir ganhos estruturais."

Por fim, a gestora de Luis Stuhlberger não descarta a hipótese de que a melhora na balança comercial seja apenas um antecedente de ventos ainda mais favoráveis para o país.

Isso porque, na comparação com ciclos anteriores, a exportação foi o primeiro fundamento a melhorar e foi seguida da entrada em renda fixa, ações e investimento direto.

LEIA TAMBÉM:

Fundo Verde reduz posição em bolsa (e a pergunta de muitos trilhões)

Apesar da visão estrutural mais favorável ao real contra o dólar, o Verde decidiu reduzir a posição em bolsa após a alta recente, tanto no Brasil como no exterior.

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Para a gestora, o cenário ficou mais complexo após a correção do que considerou um exagero do mercado em relação aos juros nos Estados Unidos.

A grande dúvida agora está no desempenho da economia norte-americana. "Até que ponto a desaceleração que vimos recentemente vai evoluir para uma recessão é a pergunta de muitos
trilhões para os próximos meses", destaca o Verde. Leia aqui a íntegra da carta da gestora.

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