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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Especial SD

Hapvida (HAPV3), Magazine Luiza (MGLU3) e mais: as ações do Ibovespa que foram pulverizadas após os balanços do primeiro trimestre

Cinco empresas do Ibovespa desabaram mais de 10% no pregão pós-balanço do 1T22. Entenda o movimento das ações

Victor Aguiar
Victor Aguiar
23 de maio de 2022
6:51 - atualizado às 23:49
Lu, mascote digital do Magazine Luiza (MGLU3), Magalu, com uma expressão de susto no primeiro plano; em segundo plano, números e gráficos indicando queda, na cor vermelha, sinalizando a baixa nas ações da empresa no Ibovespa
Queda das ações assustou até a Lu, assistente virtual do Magalu - Imagem: Shutterstock/Montagem Julia Shikota

A temporada de resultados do primeiro trimestre ficou para trás, mas deixou um gosto agridoce na boca dos investidores. É verdade: alguns pesos-pesados do Ibovespa, como Petrobras (PETR4) e Itaú (ITUB4), mostraram números sólidos no período. Mas outras empresas importantes da bolsa — caso de Hapvida (HAPV3), Totvs (TOTS3) e Magazine Luiza (MGLU3), para citar algumas — viram suas ações despencarem no pregão pós-balanço.

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E 'despencar' não é força de expressão: esses papéis tiveram baixas de mais de 10% logo após a publicação de seus dados trimestrais — e alguns continuaram caindo nas sessões seguintes. Como um todo, a safra dos primeiros três meses de 2022 não serviu para impulsionar a bolsa a patamares ainda mais altos.

Veja, por exemplo, o comportamento do Ibovespa ao longo da temporada. No dia 19 de fevereiro, o índice estava em 115.686,95 pontos; a Usiminas (USIM5) abriria o calendário de balanços na manhã seguinte. Ao fim da janela, em 18 de maio, eram 108.246,23 pontos — um recuo de 6,4% de lá para cá.

Comportamento do Ibovespa ao longo de 2022. Repare que, a partir de meados de abril, o índice entra numa tendência acentuada de correção., praticamente zerando os ganhos do ano no pior momento. Fonte: B3

Obviamente, não é justo colocar a culpa desse movimento de baixa apenas nos balanços corporativos: em paralelo aos resultados trimestrais, uma série de fatores macroeconômicos — no Brasil e no mundo — agiram em conjunto para elevar a cautela dos investidores, gerando um fluxo de saída das bolsas globais.

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Afinal, a inflação persistentemente alta obriga os BCs a elevarem juros: por aqui, a Selic já está em 12,75% ao ano; nos EUA, os Fed Funds atingiram o patamar de 0,75% a 1%. E taxas mais altas são sinônimo de perda de atratividade para a renda variável — por que correr o risco associado à bolsa, se a renda fixa traz retornos cada vez mais polpudos?

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Associado a isso, há também a desaceleração econômica. Juros altos tendem a encarecer os financiamentos bancários e reduzir o ritmo de consumo — uma questão bastante relevante para as empresas mais expostas à dinâmica da atividade doméstica.

A última versão do relatório Focus, de 2 de maio, dá uma dimensão mais clara dos problemas: a inflação projetada para o ano é de 7,89%, bem acima do teto da meta definida pelo BC, de 5%; a Selic é estimada em 13,25%, enquanto o crescimento esperado para o PIB é de apenas 0,7%.

Há ainda uma série de incertezas no front geopolítico: a guerra entre Ucrânia e Rússia traz uma boa dose de imprevisibilidade ao mercado de commodities — de acordo com o noticiário a respeito do conflito, o petróleo sobe (e cai) de maneira intensa; produtos agrícolas, como trigo e fertilizantes, também estão num ciclo de valorização súbita.

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Por fim, há o fantasma da Covid-19: por mais que a vacinação tenha avançado no mundo todo e que as economias ocidentais estejam novamente a pleno vapor, a China ainda mostra-se bastante atenta à doença, promovendo lockdowns severos para conter quaisquer focos de novos casos.

Todo esse contexto serve para deixar claro que o clima já não era dos mais favoráveis para as ações brasileiras na temporada de balanços do primeiro trimestre: mesmo quem reportou resultados fortes viu uma reação apenas tímida de seus papéis — e quem mostrou números abaixo das expectativas, teve baixas bastante intensas.

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Cinco membros do Ibovespa viram seus papéis desabarem mais de 10% logo após a publicação de seus resultados trimestrais: Hapvida (HAPV3), Qualicorp (QUAL3), Petz (PETZ3), Magazine Luiza (MGLU3) e Totvs (TOTS3); se expandirmos essa lista para incluir as ações cujas quedas superaram os 5%, chegamos a 16 empresas.

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Nem todas as companhias do ranking tiveram um começo de ano ruim: algumas apenas deixaram de mostrar o crescimento exuberante visto no passado; outras viram uma ligeira contração de margens. Mas, em meio às condições mais duras do mercado, isso já foi motivo de pânico para os investidores.

EmpresaCódigo Cotação pré-balanço (R$)  Cotação pós-balanço (R$) Variação
Hapvida IntermédicaHAPV37,846,52-16,84%
QualicorpQUAL312,0310,49-12,80%
PetzPETZ315,1713,24-12,72%
Magazine LuizaMGLU34,453,94-11,46%
TotvsTOTS332,1828,6-11,12%
IRB BrasilIRBR32,662,45-7,89%
MarfrigMRFG318,1716,76-7,76%
MinervaBEEF313,2612,26-7,54%
Banco PanBPAN49,168,5-7,21%
Carrefour BrasilCRFB320,318,87-7,04%
CSN MineraçãoCMIN35,244,89-6,68%
BRFBRFS313,6612,77-6,52%
UsiminasUSIM513,112,27-6,34%
EcoRodoviasECOR36,265,88-6,07%
CSNCSNA321,4320,2-5,74%
CVC BrasilCVCB311,8911,24-5,47%
Empresas do Ibovespa cujas ações fecharam em queda de mais de 5% no pregão pós-divulgação do balanço do primeiro trimestre. Levantamento: Seu Dinheiro

Dito isso, vamos analisar o 'bottom 5' mais a fundo (e uma menção desonrosa): o que os balanços dessas empresas mostraram de tão ruim assim, de modo a provocar um derretimento de mais de 10% em suas ações em uma única sessão?

Hapvida (HAPV3): -16,84%

  • Receita líquida: R$ 4,841 bilhões (+108,4% a/a)
  • Ebitda ajustado: R$ 414 milhões (-11,3% a/a)
  • Lucro líquido: R$ 78,1 milhões (-69,9% a/a)

Olhando apenas a linha de receita, o resultado da Hapvida (HAPV3) parece excelente: o faturamento mais que dobrou em relação aos primeiros três meses de 2021. Esse dado, no entanto, leva a uma conclusão falsa, uma vez que o primeiro trimestre de 2022 engloba os números da Intermédica, cuja aquisição foi aprovada pelo Cade em dezembro.

Dito isso, os problemas com o balanço da Hapvida começam bem antes da análise criteriosa das métricas operacionais e financeiras: a empresa não divulgou os números pró-forma, de modo a tornar as bases comparáveis — os dados do primeiro trimestre de 2022, obviamente, têm uma grandeza muito diferente por causa da fusão.

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A falta de dados mais claros referentes ao mês de janeiro, quando a Covid-19 ainda trazia bastante pressão ao sistema de saúde do país, foi outra questão que caiu mal entre os analistas e investidores. Como um todo, ficou a sensação de que a empresa optou por uma comunicação bastante truncada com o mercado.

Feitas essas ponderações, houve também uma decepção com algumas métricas operacionais do conglomerado. A sinistralidade consolidada — a relação entre o número de procedimentos acessados pelo beneficiário e o valor pago pela empresa para o plano de saúde — chegou a 76,9% no primeiro trimestre do ano, índice bastante elevado e que superou as estimativas do mercado.

Adições mais fracas que o esperado, despesas crescentes (seja pelas questões inerentes à fusão com a Intermédica, seja pela própria natureza da operação) e outros focos de pressão nas linhas de custo também surpreenderam negativamente; as margens Ebitda e líquida caíram mais de 10 pontos percentuais na base anual.

As ações HAPV3, que já não vinham tendo um bom ano, aprofundaram ainda mais as perdas: na última sexta-feira (20), valiam R$ 6,63 e, agora, amargam uma baixa acumulada de 36% desde o começo de 2022 — em 12 meses, a desvalorização já chega a 56%.

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Em termos de valor de mercado, a Hapvida começou o mês de maio valendo cerca de R$ 62 bilhões e estando entre as 10 companhias mais valiosas da bolsa; após a derrocada das ações HAPV3 com o balanço do primeiro trimestre, a empresa agora tem um market cap de R$ 47,3 bilhões — agora, ela ocupa apenas o 19º lugar no ranking.

O gráfico abaixo, com o desempenho dos papéis na última semana, é bastante nítido quando ao estrago feito pelos resultados trimestrais:

Cotadas na casa dos R$ 6,00, as ações da Hapvida (HAPV3) retornaram aos patamares de preço de maio de 2019 — período anterior à pandemia, portanto. A empresa abriu seu capital em abril de 2018.

Qualicorp (QUAL3): -12,8%

  • Receita líquida: R$ 502,2 milhões (-4% a/a)
  • Ebitda ajustado: R$ 252,8 milhões (-9,2% a/a)
  • Lucro líquido: R$ 74,1 milhões (-35,3% a/a)

Outra empresa do setor de saúde que sofreu no pós-balanço, a Qualicorp (QUAL3) reportou números que decepcionaram o mercado: a Genial Investimentos, por exemplo, projetava um lucro de R$ 81 milhões no período; o JP Morgan estimava ganhos de R$ 76 milhões.

O banco americano inclusive cortou a recomendação para as ações QUAL3 logo após a divulgação dos resultados trimestrais, passando de 'compra' para 'neutro'; o preço-alvo foi cortado para R$ 14,50. Mas o que deu tão errado assim no começo de ano da Qualicorp?

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Um primeiro foco de preocupação do mercado é o indicador de churn: a empresa fechou o trimestre com 131,2 mil cancelamentos, o que representa uma baixa de 12,7% na base anual. Ainda assim, o número é considerado alto demais — e, tendo em mente o ambiente macro desfavorável e o possível reajuste nos planos, é provável que essa linha piore ao longo do ano.

A piora nas margens e a expansão não tão acelerada da base de usuários, em paralelo ao aumento nos custos e despesas, também não foram bem recebidos pelos investidores.

Vale lembrar também que há uma incerteza grande quanto à fatia detida pela Rede D'Or no capital da Qualicorp: como a rede hospitalar acertou a aquisição da SulAmérica, uma eventual venda dessa fatia para evitar problemas concorrenciais no Cade permanece no radar dos investidores — o que, se consumado, criaria uma pressão negativa sobre os papéis.

As ações QUAL3, no entanto, apresentaram um comportamento diferente dos papéis da Hapvida (HAPV3) e recuperaram-se do tombo de maneira relativamente rápida. Veja o gráfico abaixo:

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O vale indicado no gráfico ocorreu no pregão de 11 de maio, o primeiro após a divulgação do balanço. Após atingir preços inferiores a R$ 10,50, as ações QUAL3 se recuperaram e, no dia 13, já estavam no patamar de preço pré-resultado

Essa recuperação, no entanto, não é exatamente um alento: no acumulado de 2022, as ações QUAL3 ainda registram perdas superiores a 25%; atualmente, são negociadas no mesmo preço de meados de 2019, num caso semelhante ao da Hapvida.

Petz (PETZ3): -12,72%

  • Receita bruta: R$ 746,7 milhões (+38,9% a/a)
  • Ebitda ajustado: R$ 52 milhões (+19,6% a/a)
  • Lucro líquido ajustado: R$ 21,1 milhões (+57,7% a/a)

O caso da Petz (PETZ3) é o que mais chama a atenção na lista de grandes perdedores da temporada de balanços. Os números acima, afinal, dão a entender que a empresa deu continuidade à tendência de forte expansão vista nos períodos anteriores, não?

Bem, em linhas gerais, a resposta é sim — mas é preciso fazer algumas ressalvas. Em primeiro lugar, os dados de janeiro a março de 2022 trazem consigo as operações da Zee.Dog; assim, estamos diante de mais um caso em que a comparação anual não é exatamente a melhor base.

Mas, desconsiderando a aquisição, os números continuam bastante saudáveis: a receita teria crescido quase 30%, e o Ebitda ajustado, perto de 20%. Em termos operacionais, a Petz abriu 40 lojas em um ano e outros 23 centros veterinários; em termos de área, foram mais de 27 mil m² adicionados em 12 meses.

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Em relatório, o BTG Pactual classificou os resultados como 'fortes' e disse que a Petz segue como uma das principais teses de investimento para o ano; o Itaú BBA disse que os números foram ligeiramente positivos, com crescimento em linha com o previsto; o JP Morgan afirmou que a empresa continua entregando o que era esperado.

Então... o que explica a queda de 12,72% nas ações PETZ3 logo após o balanço?

Antes de tudo, é preciso lembrar que a Petz é uma das inúmeras empresas que abriram o capital na safra de 2020 e 2021 — e que, ao contrário da grande maioria de seus pares, tem tido um desempenho positivo na bolsa e conseguido entregar o plano de expansão contido em seus documentos do IPO.

Ainda assim, essas 'novatas' da bolsa são vistas com uma certa desconfiança por parte dos investidores; tanto é que, em meio à alta nos juros e a deterioração macroeconômica, os papéis dessas companhias têm lidado com desvalorizações bastante intensas.

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Ou seja: qualquer sinal de problema nessas empresas é visto como sinal dobrado de cautela. E, por mais que o balanço da Petz tenha sido elogiado pelos analistas, alguns pontos trouxeram incômodo aos investidores.

O principal deles veio da contração de 1,1 ponto percentual na margem Ebitda consolidada, que fechou o trimestre em 7%. Parte desse fenômeno veio da Zee.Dog, cujas operações deram prejuízo no trimestre; as despesas maiores, no âmbito da aquisição, também contribuíram para pressionar as margens.

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Esse fator foi uma espécie de fagulha para muitos investidores: a margem Ebitda pressionada logo gerou o medo de que o ambiente macroeconômico mais desfavorável possa prejudicar a empresa daqui para frente; daí, os múltiplos esticados, com um indicador preço/lucro superior a 70 vezes, começaram a pesar.

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Em maio, as ações PETZ3 caem 26%; em 12 meses, a perda é de 42%.

Comportamento das ações da PETZ (PETZ3) em maio. Repare que, no pregão de 6 de maio — o primeiro após o balanço — as ações foram se desvalorizando gradualmente; as perdas continuaram na sessão seguinte, de 9 de maio.

Magazine Luiza (MGLU3): -11,46%

  • Vendas totais (1P+3P): R$ 14,1 bilhões (+13,2% a/a)
  • Ebitda: R$ 339,5 milhões (-51,2%)
  • Prejuízo líquido: R$ 161,3 milhões (lucro de R$ 258 milhões no 1T21)

O Magazine Luiza (MGLU3) já vinha de uma desvalorização brutal na bolsa, recuando mais de 80% em relação às máximas históricas. Ainda assim, o balanço do primeiro trimestre foi mal recebido pelo mercado e empurrou os papéis ainda mais para baixo.

Essa espiral descendente está relacionada, em grande parte, ao cenário macroeconômico bastante desfavorável: se, durante o auge da pandemia, a empresa cresceu de maneira robusta — o e-commerce ganhou força e os juros baixos estimulavam o consumo —, a cenário agora virou de cabeça para baixo.

As compras on-line já não têm mais o mesmo apelo com a reabertura da economia; isso, no entanto, não se reverteu num aumento expressivo das vendas nas lojas físicas. A inflação galopante e os juros altos desestimulam o consumo, e o Magalu — antes um dos queridinhos da bolsa — viu suas ações ruírem.

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Em paralelo, há o aumento na competição estrangeira no já acirrado e-commerce brasileiro. Além de Mercado Livre e Amazon, empresas asiáticas como Shopee, Shein e Aliexpress passaram a investir pesadamente em publicidade, atraindo consumidores e vendedores para os seus próprios marketplaces. Mais um golpe duro para Magalu, Via e Americanas, os players tradicionais da bolsa.

Dito isso, o mercado já esperava que o Magazine Luiza mostrasse números mais modestos neste começo de 2022 — o que, de fato, aconteceu. Mas certos pontos do balanço trouxeram preocupação e jogaram mais uma camada de incerteza numa tese de investimento que já está bastante fragilizada.

A XP, por exemplo, destaca que o crescimento das vendas totais foi inferior ao das Americanas, cuja expansão foi de 22% em um ano. As operações 1P do Magalu (que incluem as lojas físicas e o e-commerce próprio da empresa) tiveram ganho de apenas 3% na base anual, dada a consolidação das operações do KaBuM! e o ambiente macro desfavorável.

A corretora também ressalta a queima de caixa de R$ 3,6 bilhões, relacionada ao pagamento de fornecedores e às despesas com as fusões e aquisições — uma cifra relevante, mesmo levando em conta a sazonalidade do período.

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Portanto, por mais que o balanço não tenha sido trágico, ele também não foi exatamente animador. Assim, estamos diante de um caso parecido com o da Petz: em meio à desconfiança do mercado, qualquer sinal negativo é capaz de afetar as ações.

Comportamento das ações do Magazine Luiza (MGLU3) ao longo de maio. O pregão do dia 16 reflete a reação do mercado após o balanço; ainda assim, chama a atenção o fato de que os papéis já vinham numa tendência de desvalorização bastante intensa desde o começo do mês.

Em termos de desempenho na bolsa, os papéis MGLU3 amargam desvalorização de quase 50% no mês e de 80% em 12 meses — em relação às máximas históricas, a baixa é de mais de 85%.

Quanto ao valor de mercado, o Magazine Luiza vale hoje pouco menos de R$ 25 bilhões e ocupa a 38ª posição entre as empresas da bolsa; em novembro de 2020, ela chegou a integrar o top 10.

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Totvs (TOTS3): -11,12%

  • Receita líquida: R$ 945,6 milhões (+33,8% a/a)
  • Ebitda: R$ 222,3 milhões (+17,5% a/a)
  • Lucro líquido: R$ 85 milhões (+5,4%)

Em termos de indicadores financeiros consolidados, a Totvs (TOTS3) não mostrou grandes distorções ou decepções: os números ficaram em linha com as expectativas do mercado, ou até mesmo acima das projeções das casas mais conservadoras em relação à tese de investimento.

Isso, no entanto, não quer dizer que o balanço tenha vindo livre de surpresas negativas. Veja a linha de receita líquida, por exemplo: por mais que ela tenha mostrando uma expansão sólida na base anual, a análise do resultado por unidade de negócio trouxe informações que não foram bem recebidas pelos investidores.

Enquanto a divisão de gestão teve receita de R$ 828,7 milhões e ficou acima das previsões dos analistas, as unidades de business performance (R$ 69,8 milhões) e techfin (R$ 47,1 milhões) ficaram aquém das estimativas. Ou seja: o dado consolidado esconde essas decepções, dado o forte desempenho dos negócios de gestão da Totvs.

Dito isso, os resultados da Totvs não foram mal recebidos pelos analistas — as avaliações dos grandes bancos e corretoras variam de "neutro" a "positivo", destacando que as perspectivas para os próximos trimestres são animadoras. Mas, num mercado mais avesso ao risco, esses pontos de estresse em techfin e business performance acabaram pesando.

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É importante lembrar, também, que o setor de tecnologia como um todo tem sofrido intensamente com o ambiente de juros em alta: essas empresas costumam ter um fluxo de caixa bastante concentrado no futuro, e a elevação das taxas faz com que o valor presente desses fluxos seja reduzido.

Um fator técnico, mas que tem pulverizado as ações desse segmento no mundo todo: mesmo as gigantes Apple, Microsoft e Alphabet/Google, que já são bastante consolidadas e rentáveis, viram suas ações desabarem nas últimas semanas. Empresas de menor porte e que ainda não são lucrativas sofreram ainda mais nas bolsas.

A Totvs está longe de ser uma empresa novata e em fase de expansão; sendo assim, a alta de juros é nociva, mas não fatal. Só que, mais uma vez, tudo é uma questão de contexto: num mercado que já está com o pé atrás com as empresas de tecnologia, um balanço com alguns indicadores mais fracos é motivo para a venda das ações.

E, por falar em contexto: o balanço foi publicado no dia 4 de maio, justamente a data em que o Fed elevou os juros americanos em 0,5 ponto e o Copom subiu a Selic em mais 1 ponto. Ou seja: o dia 5 de maio combinou a elevada aversão ao risco por causa das taxas com um balanço da Totvs que trouxe alguns pontos de preocupação.

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Mas, mesmo com a forte baixa após os resultados trimestrais, as ações TOTS3 são as que apresentam o melhor desempenho entre todas as citadas nesta matéria: em maio, caem 23% e, em 12 meses, recuam "apenas" 12%.

Ações da Totvs (TOTS3) em maio. O balanço trimestral foi publicado em 4 de maio, e a queda de 11% nos papéis ocorreu no pregão do dia seguinte. Desde então, a empresa recuperou apenas uma pequena parte do valor perdido.

Menção desonrosa: Natura (NTCO3)

  • Receita líquida: R$ 8,25 bilhões (-12,7% a/a)
  • Ebitda ajustado: R$ 595,9 milhões (-38,1%)
  • Prejuízo líquido: R$ 643,1 milhões (perda de R$ 155,2 milhões no 1T21)

A Natura (NTCO3) sequer consta na tabela que está no começo do texto — para ser preciso, suas ações fecharam em baixa de 4,55% no pregão seguinte à divulgação do balanço. Então, por que ela está sendo citada agora?

Bem, porque há uma questão a ser considerada quando falamos de Natura: a reação do mercado aos resultados ocorreu bem antes, no dia 20 de abril. Na ocasião, as ações NTCO3 desabaram 15,3% em reação a um suposto 'vazamento' do balanço trimestral.

Na verdade, conforme reportado pelo Seu Dinheiro, a questão foi mais grave: a companhia realizou teleconferências com o 'sell side' — os bancos e corretoras que soltam relatórios e recomendações de investimento — para "alinhar as expectativas" para o trimestre. Leia-se: "baixar as projeções que estavam sendo publicadas até o momento". Apenas no dia seguinte, a empresa publicou oficialmente essas estimativas.

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Os números consideravelmente menores que os do consenso do mercado acabaram circulando pelo mercado e provocando uma onda de vendas nas ações NTCO3. No dia 19 de abril, os papéis valiam R$ 25,29; no dia 20, eram cotados a R$ 21,42; no dia 6 de maio, pós-balanço, chegaram a R$ 16,38.

Portanto, do 'vazamento' dos resultados trimestrais até o pregão do dia 6, as ações da Natura (NTCO3) amargaram uma desvalorização 35,23%. Antes do imbróglio, a empresa tinha valor de mercado de R$ 34,9 bilhões; hoje, é avaliada em R$ 23,6 bilhões.

Comportamento das ações da Natura (NTCO3) desde o 'vazamento' do balanço. De lá para cá, os papéis amargam perdas de mais de 30%.

Balanços do 1T22: qual o saldo?

Os casos citados são os mais extremos em termos de reação negativa do mercado aos balanços trimestrais. Isso, no entanto, não quer dizer que a temporada tenha sido trágica como um todo.

O BTG Pactual, por exemplo, destaca que, dentro de seu universo de cobertura, a receita líquida consolidada das empresas ficou 3,1% acima das projeções, com o Ebitda superando as estimativas em 2,9% — os números desconsideram a Petrobras e a Vale que, por seu tamanho, criariam distorções nos cálculos.

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No entanto, o lucro consolidado ficou 10,6% abaixo do esperado, com uma decepção no lado das exportadoras de commodities. As empresas mais expostas ao cenário doméstico surpreenderam positivamente, reagindo à reabertura econômica — os setores de papel e celulose e de bancos foram os destaques, com um desempenho acima do esperado.

E em relação às empresas que tiveram os piores desempenhos pós-balanço, o que esperar? Bem, é preciso analisar caso a caso: Petz (PETZ3) e Totvs (TOTS3) continuam com a confiança dos analistas, que esperam uma recuperação gradual de margens ao longo do ano e uma resistência maior à inflação crescente, dadas as suas posições de liderança em seus respectivos mercados.

Entre as operadoras de saúde, Hapvida (HAPV3) conta com vantagens concorrenciais importantes, dado o seu enorme porte e sua capilaridade no país; sendo assim, por mais que os resultados do primeiro trimestre tenham sido ruins, as perspectivas não são desanimadoras.

Já Qualicorp (QUAL3) tem um cenário mais indigesto: as dúvidas quanto aos cancelamentos e as adições orgânicas, somadas ao risco de a Rede D'Or se desfazer de sua participação na empresa com uma venda de ações no mercado, deixam os analistas com um pé atrás.

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Por fim, Magazine Luiza (MGLU3) continua sofrendo com o cenário macroeconômico desfavorável e com a competição mais intensa no e-commerce. Mas, dada a desvalorização intensa de suas ações nos últimos meses, muitos analistas já veem um ponto de entrada nos papéis, apesar dos riscos ainda elevados no curto prazo.

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ENFERRUJOU?

Itaú BBA corta preços-alvo de CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3); entenda o principal motivo para a decisão

23 de abril de 2026 - 17:06

Para o BBA, as preocupações com a alavancagem têm pressionado o desempenho da CSN. No ano, a CMIN3 caiu 7%, enquanto a Vale (VALE3) subiu 20%

NEM PAPEL, NEM TIJOLO

FoFs roubam a cena entre FIIs e lideram retornos no último ano, mostra índice da Rio Bravo; confira o desempenho dos setores

23 de abril de 2026 - 13:21

Por contarem com ativos de crédito e de tijolo na carteira, os Fundos de Fundos tendem a ter portfólios mais defensivos em momentos de instabilidade, segundo gestora

REFORÇO BILIONÁRIO

Carro já era? Tesla (TSLA34) quer triplicar investimentos em 2026 com a ambição de Elon Musk em se tornar uma potência de IA

23 de abril de 2026 - 11:57

A fabricante de carros elétricos aumentou o plano de aportes para US$ 25 bilhões neste ano, com foco em robotáxis, robôs humanoides, caminhão elétrico e fábrica de chips de inteligência artificial

NOVO VALOR

Small cap da bolsa recalcula dividendos de R$ 150 milhões após recompra de ações; veja novas datas e valores por papel

23 de abril de 2026 - 11:03

A Iguatemi (IGTI11) atualizou, na noite de quarta-feira (22), os dividendos que serão pagos ao longo de 2026

ESTRATÉGIA DE ELITE

Segredo de R$ 5 bilhões: a regra de ouro dos multimilionários para proteger o patrimônio (e como você pode copiar)

23 de abril de 2026 - 6:04

Quer investir como um magnata? O segredo está na diversificação inteligente e no patrimônio integrado; confira as lições da Ghia para preservar capital mesmo em tempos de guerra

O QUE COMPRAR AGORA

A mamata da bolsa acabou? Ibovespa pode chegar nos 210 mil pontos, segundo o BofA, mas as ações já não estão baratas

22 de abril de 2026 - 17:29

O Bank of America elevou o alvo para o Ibovespa em 2026, mas lembra que o rali é carregado por gigantes da bolsa brasileira e pelo fluxo aumentado de estrangeiros fazendo negócios por aqui

NA PONTA DO GIZ

Yduqs, Cogna, Ânima, Ser… empresas de educação devem sofrer no 1T26; veja quem ganha e quem perde, segundo o BofA

22 de abril de 2026 - 16:21

Em algumas empresas, os programas híbridos e presenciais devem absorver parte das quedas de matrículas do ensino à distância

O VAIVÉM DA TRÉGUA

Trump leva turbulência aos mercados, coloca bolsas em zona de perigo e faz o petróleo decolar

21 de abril de 2026 - 17:35

O temor de que o grande acordo prometido pelo presidente norte-americano não saia do papel — dando lugar à prontidão militar — fez os investidores apertarem o botão de venda

NO BALANÇO DAS HORAS

Do ouro e prata ao cobre e níquel, o tic-tac do cessar-fogo derruba commodities metálicas 

21 de abril de 2026 - 15:53

A notícia de que as conversas entre Washington e Teerã estariam suspensas chegou minutos antes do fechamento, funcionando como um gatilho para ampliar as perdas

INFLAÇÃO VIROU ALIADA?

O FII que paga IPCA + quase 10% ao ano: por que a XP segue comprada no KNIP11

21 de abril de 2026 - 12:00

Para analistas, fundo imobiliário de CRIs combina perfil defensivo, IPCA e gestão forte para entregar renda consistente em cenário incerto

FLUXO GLOBAL

Brasil é o emergente preferido dos estrangeiros na América Latina — mas a bolsa que mais dispara em 2026 fica do outro lado do mundo

20 de abril de 2026 - 13:05

Apesar do fluxo bilionário para o Ibovespa, uma bolsa na Ásia já disparou mais de 50% no ano e lidera o ranking global entre os emergentes

ATÉ MAIS TARDE

O bitcoin não dorme — e a B3 quer acompanhar: bolsa estende pregão de criptomoedas e ouro até 20h

20 de abril de 2026 - 9:54

Com cripto operando 24/7 lá fora, mudança busca aproximar o investidor local do ritmo global do mercado; veja o que muda na prática

MERCADOS HOJE

Petróleo salta com nova escalada no Oriente Médio e pressiona bolsas globais. Por que o mercado entrou em alerta?

20 de abril de 2026 - 9:21

Escalada das tensões reacende temor sobre oferta da commodity e pressiona ativos globais na abertura da semana; veja o que mexe com os mercados hoje

BULL MARKET

A tendência de alta do Ibovespa é consistente e o índice de ações pode ultrapassar os 225 mil pontos, segundo o Daycoval

18 de abril de 2026 - 10:45

A posição do Brasil no contexto geopolítico, de guerra e pressão inflacionária, favorece a entrada de mais investidores globais nos próximos meses

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