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Petróleo a US$ 100? O que a escalada das tensões no Oriente Médio significa para o mercado — e para a Petrobras (PETR4)

Se o risco virar escassez real, o barril pode mudar de patamar; entenda os três fatores que o mercado monitora e o possível efeito sobre a Petrobras

Barril de petróleo sobre dólares
Imagem: DALL-E/ChatGPT

petróleo ainda está abaixo dos US$ 100 o barril. Mas o caminho até lá pode ter ficado mais curto. Com as novas ofensivas entre Irã, Israel e Estados Unidos, a commodity ainda não cruzou essa linha — mas já pode começar a caminhar nesta direção.  

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Os ataques deixaram os países árabes produtores de petróleo do Golfo em alerta, à medida que escalam os temores de uma escalada do conflito, e o Irã respondeu lançando mísseis em direção a Israel.

Não porque faltem barris agora, mas porque a possibilidade de interrupção na oferta começa a ganhar peso nos cálculos dos investidores. 

Se o conflito ficar restrito, o susto pode ser temporário. Mas qualquer impacto direto sobre a produção iraniana ou sobre rotas como o Estreito de Ormuz pode transformar volatilidade em choque estrutural — e levar o barril de volta aos três dígitos. 

O que esperar do petróleo agora? 

A escalada das tensões no Oriente Médio deve pesar sobre o humor dos mercados nos próximos dias. 

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Na visão de especialistas do setor, a reabertura dos mercados na próxima segunda-feira (02) deve ser marcada por volatilidade intensa, com movimentos mais agudos nas primeiras horas de negociação. 

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Na prática, isso significa que o Brent — referência global — e o WTI, parâmetro nos Estados Unidos, tendem a oscilar com força.  

Historicamente, quando conflitos não atingem infraestrutura de produção ou exportação, o petróleo dispara no primeiro momento e depois devolve parte da alta à medida que a oferta global continua fluindo. 

Mas, se o conflito ganhar escala e afetar diretamente o fluxo de exportações, o mercado deixa de negociar medo e passa a negociar escassez.  

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E é nesse ponto que os preços podem encontrar um novo patamar, sustentado por semanas ou até meses. 

Segundo a Reuters, algumas das principais empresas petrolíferas e grandes empresas de comercialização suspenderam os embarques de petróleo bruto e combustível pelo Estreito de Ormuz devido aos ataques.

Vishnu Varathan, chefe de pesquisa macro para a Ásia (ex-Japão) no Mizuho Securities, em Singapura, afirmou que "um cenário mais amplo de focos de ataques/instabilidade regional pode ser o esperado".

"Os preços do petróleo provavelmente permanecerão elevados, já que a produção e a navegação continuam vulneráveis ​​a ataques e interrupções. A Opep pode estar sob pressão para aumentar a produção na tentativa de compensar essa situação. Mas um prêmio de 10 a 25% no preço do petróleo não é absurdo, mesmo sem um bloqueio do Estreito de Ormuz, que facilmente representaria um risco de prêmio de 50%", disse Varathan.

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Já Christopher Wong, estrategista de câmbio do OCBC, avalia que a greve aumenta os prêmios de risco geopolítico no início da segunda-feira, quando os mercados se preparam para a abertura.

"A reação imediata é bastante previsível: ativos considerados seguros, como o ouro, provavelmente apresentarão alta, enquanto os preços do petróleo também podem se fortalecer devido a preocupações com a interrupção do fornecimento. Ativos de risco e moedas de alta volatilidade… podem enfrentar uma onda inicial de volatilidade, principalmente se as notícias sugerirem possíveis retaliações ou repercussões regionais", afirma Wong.

Na leitura de Marcus D’Elia, sócio diretor da Leggio Consultoria, o preço do petróleo não deve variar tão rapidamente quanto aconteceu em meio à guerra na Ucrânia.

"O preço deve subir até em torno de US$ 80, mas não veremos um crescimento tão rápido quanto o visto na guerra da Ucrânia, quando rapidamente o petróleo atingiu os US$ 100. Não é essa a expectativa. A commodity vai subir, deve começar a girar em torno de US$ 80 dólares, mas deve se estabilizar".

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Os três termômetros que podem levar o petróleo aos US$ 100  

Para avaliar se o petróleo está diante de um pico passageiro ou do início de uma escalada mais duradoura, Daniel Toledo, especialista em negócios internacionais e geopolítica do petróleo, aponta três variáveis centrais. 

1. O risco logístico no Estreito de Ormuz 

O primeiro é o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado por via marítima no mundo.  

O Irã, membro fundador da Opep+, é um grande produtor de petróleo e está localizado no coração do estreito. 

Qualquer ameaça à navegação na região é suficiente para elevar o prêmio de risco. 

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Não é preciso que o estreito seja fechado. Basta a sinalização de risco para que contratos futuros sejam ajustados. O mercado opera com antecipação — e, nesse caso, antecipação significa proteção e especulação. 

2. A capacidade ociosa da OPEP+ 

O segundo fator é a margem de manobra dos grandes produtores. Se houver interrupção real na produção, a pergunta imediata será: Arábia Saudita e demais membros da OPEP+ conseguem compensar? 

Se houver capacidade ociosa disponível para aumentar rapidamente a produção, a alta tende a ser limitada. Caso contrário, o prêmio de risco pode se sustentar por semanas. 

3. As reservas estratégicas dos EUA 

O terceiro elemento é político. Os Estados Unidos dispõem de estoques estratégicos que podem ser utilizados para suavizar disparadas de preços — instrumento já acionado em crises anteriores. 

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Esse mecanismo funciona como amortecedor. Não elimina a volatilidade, mas pode evitar uma escalada prolongada. 

O efeito dominó na economia global 

Para a empresa de macroeconomia Capital Economics, as consequências econômicas dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã hoje dependerão da duração do conflito, da escala da retaliação iraniana e dos impactos no mercado de petróleo.  

Uma série limitada de ataques poderia plausivelmente levar o petróleo a cerca de US$ 80 por barril, enquanto um conflito mais longo que cause interrupções no fornecimento poderia elevar os preços muito além. 

"Nossas estimativas sugerem que o prêmio de risco político embutido no preço do petróleo já aumentou substancialmente em meio ao aumento da presença militar americana na região", disse a Capital Economics, em relatório.  

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"Mesmo que os ataques permaneçam limitados, acreditamos que os preços do petróleo Brent podem subir para cerca de US$ 80 por barril (próximo ao pico durante a guerra de 12 dias), ante US$ 73 por barril ontem." 

Se o petróleo romper de forma consistente a barreira dos US$ 80 e caminhar em direção aos US$ 100, o impacto vai muito além das bombas de combustível. 

A Capital Economics estima que um aumento de 5% no preço do petróleo adiciona, em média, 0,1 ponto percentual à inflação nas principais economias.  

Com o Brent a US$ 100, o acréscimo poderia variar entre 0,6 e 0,7 ponto percentual — com provável contágio também para o gás natural. 

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Inflação mais alta pressiona bancos centrais, sobretudo em mercados emergentes, onde a política monetária tende a reagir com maior sensibilidade a choques de commodities.  

Por sua vez, juros elevados por mais tempo afetam crescimento, crédito e apetite por risco. 

Como fica o Brasil nessa equação? 

A consultoria VPricing, especializada na gestão de preços de combustíveis no Brasil, avalia que a crise atinge diretamente os fundamentos do mercado justamente pelo papel estratégico do Irã no Estreito de Ormuz.  

Segundo a empresa, já na próxima segunda-feira (02) pode haver um salto relevante nas cotações, com o barril testando a casa de US$ 80 em um primeiro movimento.  

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Em caso de escalada prolongada e ausência de acordo diplomático, a marca de US$ 100 nas próximas semanas não é descartada. 

Nesse cenário, a defasagem dos preços internos da Petrobras (PETR4) poderia voltar a se ampliar, especialmente no diesel, reacendendo discussões sobre política de preços e impactos inflacionários. 

Nas contas da VPricing, a defasagem da petroleira brasileira poderia superar os 30% sobre o diesel nos atuais níveis cambiais. 

“Será importante acompanhar nos próximos dias o desenrolar dessa guerra, que definitivamente pode ter impactos sensíveis para a economia brasileira e para mercados emergentes”, avalia Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Vida, Previdência e Investimentos. 

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"Teremos um impacto direto no preço do petróleo, uma alta importante que deve seguir nos próximos dias. Como esse conflito possui sensibilidade geopolítica, ele pode fazer também com que o dólar se aprecie e faça com que investidores busquem os títulos públicos norte-americanos", acrescentou. 

Na bolsa brasileira, a expectativa do executivo é que as companhias aéreas fiquem pressionadas nos próximos dias, devido à sensibilidade maior aos preços do petróleo. Já as petroleiras poderiam se beneficiar da alta da commodity no exterior.  

No fim das contas, o mercado vive um equilíbrio delicado. No curtíssimo prazo, a palavra é volatilidade. No médio, tudo dependerá da extensão do conflito e da capacidade de resposta dos grandes produtores. 

*Com informações da Reuters.

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