O maior IPO reverso da história da B3: quando a Bradsaúde vai começar a ser negociada na bolsa?
Em até 60 dias, a Bradsaúde pode estrear na B3 — mas antes precisa passar por assembleias decisivas, concluir a reorganização societária e obter o aval da ANS e da CVM

A Bradsaúde, anunciada na manhã desta sexta-feira (27) pelo Bradesco (BBDC4), nasce já com status de maior IPO reverso da história da B3, segundo o próprio banco.
A operação vai integrar todos os ativos de saúde do grupo à estrutura da Odontoprev (ODPV3), encurtando o caminho até a bolsa. Se tudo der certo, a nova gigante do setor deve começar a ser negociada em até 60 dias após a aprovação de etapas essenciais.
Um IPO reverso é quando uma empresa que ainda não está listada passa a acessar o mercado por meio da incorporação ou fusão com uma companhia que já tem ações negociadas na bolsa.
Nos próximos dias, o cronograma para a consolidação da nova companhia avança para etapas decisivas de governança para consolidação da nova companhia.
O que falta para a Bradsaúde começar a ser negociada em bolsa?
Em março, o Bradesco realizará uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar sobre a cisão parcial da Bradseg Participações.
Essa divisão parcial é central para a reorganização societária desenhada pelo Bradesco para separar os ativos de saúde das demais operações de seguros do grupo. Na prática, o movimento reorganiza a estrutura interna antes da etapa seguinte da transação.
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A principal finalidade é a segregação dos ativos ligados à saúde suplementar — como Bradesco Saúde, MedService e as participações em hospitais e laboratórios. Ao retirá-los da holding de seguros, o grupo viabiliza sua posterior incorporação pela Odontoprev, abrindo caminho para a criação da Bradsaúde dentro de uma estrutura já listada na bolsa.
Em abril, acontece a AGE da Odontoprev, na qual será deliberada a incorporação de ações da Bradesco Gestão de Saúde, a alteração do objeto social e submissão da transação para aprovação regulatória da Agência Nacional de Saúde Suplementa (ANS) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Superadas essas fases — e respeitados os prazos legais, incluindo eventual exercício do direito de retirada por minoritários — ocorrerá a incorporação definitiva das ações e a troca do ticker na B3. O prazo para isso acontecer é até 60 dias.
As ações em circulação no mercado, o chamado free float, representarão 8,65% do capital após a conclusão da transação, segundo o Bradesco.
O índice ficará abaixo dos 25% exigidos pelo Novo Mercado. Por isso, para assegurar a listagem imediata no segmento, a empresa pretende solicitar à B3 um waiver (dispensa temporária) da regra de free float mínimo.
Na prática, a medida abre espaço para estruturar um eventual follow-on em momento considerado mais estratégico, evitando pressão adicional sobre as ações logo após a reorganização societária.
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