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EXPECTATIVA VERSUS REALIDADE

Onda de IPOs está voltando? Diretor do BR Partners (BRBI11) vê mercado ‘tentando acreditar’ na reabertura da janela

Retomada das ofertas ainda enfrenta incertezas, diz Vinicius Carmona ao Money Times; entenda o que falta para o caminho abrir de vez

Vinicius Carmona, Sócio e Diretor de Relações com Investidores e Institucionais do BR Partners
Vinicius Carmona, Sócio e Diretor de Relações com Investidores e Institucionais do BR Partners - Imagem: Reprodução/Site BR Partners

O ano começou quebrando uma longa seca no mercado de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs): após quatro anos sem novas ofertas relevantes, uma empresa brasileira voltou a abrir capital no exterior. O PicPay tocou o sino da Nasdaq, nos Estados Unidos, e, pouco depois, o AgiBank também estreou na bolsa norte-americana, levantando US$ 276 milhões.

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Com o Ibovespa renovando máximas históricas e a expectativa de queda dos juros no radar dos investidores, parte do mercado já volta a discutir a reabertura da janela de IPOs — um movimento que estava praticamente paralisado desde o ciclo de aperto monetário global.

Na fila brasileira, Aegea e BRK Ambiental aparecem entre os processos mais avançados. Nesta semana, a Cosan informou que avalia levar a Compass à bolsa brasileira. Para o CEO da B3 (B3SA3), Gilson Finkelsztain, o movimento pode ser o “prenúncio de uma nova onda de aberturas de capital”.

Mas há quem discorde.

'Mais esforço para acreditar do que janela aberta'

Para o BR Partners (BRBI11), a leitura é mais cautelosa. O diretor de RI e Assuntos Institucionais, Vinicius Carmona, afirma que ainda é cedo para falar em uma retomada robusta.

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“Se houver uma abertura consistente para o mercado de capitais, isso é positivo também para M&A (fusões e aquisições), pois aumenta a liquidez e o giro de mercado. Mas, em fevereiro, ainda é muito incipiente afirmar que existe uma janela de IPOs”, disse, em entrevista ao Money Times.

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Ele lembra que, até agora, apenas dois IPOs foram realizados — e ambos no exterior. Um saiu bem precificado; o outro, com desconto relevante.

“Isso está muito distante de 2021, quando o Brasil teve mais de 40 IPOs. Ali, sim, havia uma janela clara.”

Além disso, muitas empresas já listadas querem fazer follow-ons (ofertas subsequentes). Entre elas, Riachuelo (RIAA3) e Banco Pine (PINE4). A Copasa é uma das mais aguardadas, já que a oferta pode marcar sua privatização.

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“A pergunta é: o investidor vai priorizar um IPO ou aportar em empresas que já conhece?”, questiona Carmona.

Juros ainda pesam nos IPOs

Mesmo com a possibilidade de queda, a Selic deve encerrar o ano perto de 13% — ainda em patamar elevado. Segundo Carmona, a drenagem de recursos para a renda fixa continua forte.

Em sua visão, com a taxa básica a 15% e spreads que levam a retornos próximos de 16% ao ano praticamente livres de risco, “é difícil competir com a renda fixa”.

Pode haver surpresa?

Para o executivo, uma reviravolta dependeria principalmente do cenário político. Um candidato com discurso claro de compromisso fiscal poderia reduzir os prêmios de risco nos títulos longos e abrir espaço para ofertas no segundo semestre. Ele afirma que seria uma grande surpresa se uma onda de IPOs começasse ainda neste primeiro trimestre.

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Pesquisa recente da Atlas/Bloomberg mostrou redução na diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno — sinal de um cenário ainda competitivo para a direita nas eleições presidenciais deste ano.

Ações e dividendos para 2026: os papéis para surfar à queda da Selic e às eleições

M&A pode sair na frente

O BR Partners reportou lucro líquido de R$ 44,5 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 5,7% na comparação anual. No acumulado do ano, porém, o ganho foi de R$ 175,1 milhões, queda de 9,6%. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) fechou dezembro em 22,4%, acima dos 20,4% de um ano antes.

Segundo Carmona, a diversificação ajudou o banco a atravessar o período fraco para fusões e aquisições. As receitas de banco de investimento e mercado de capitais somaram R$ 304 milhões em 2025, recuo de 13,8%.

“A gente passou o ano sem demitir ninguém, mesmo em um momento difícil de M&As. Inclusive, contratamos para reforçar o time.”

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O banco também quer crescer em wealth management. Hoje, administra cerca de R$ 6 bilhões e pretende se tornar um player relevante na vertical nos próximos três anos — seja via contratação de bankers, seja por aquisições.

“Não teremos outra rota que não aumentar o time ou comprar alguém.”

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