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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

FECHAMENTO DO DIA

Terror em Wall Street: a combinação fatal que derrubou o S&P 500 e as bolsas no mundo

Investidores não conseguiram acordar do pesadelo da inflação. Com o Fed à espreita, temor de recessão voltou a tomar conta do mercado nesta sexta-feira 10

Carolina Gama
10 de junho de 2022
17:01 - atualizado às 17:19
Tinta vermelha simula sangue na palavra Wall Street
O nome Wall Street sangrando. - Imagem: Shutterstock

Um, dois, Freddy está vindo para você! Às 9h30 desta sexta-feira (10, não 13) foi a hora do pesadelo de Wall Street. Neste momento, dados do mês de maio mostraram que a inflação segue com as garras afiadas, assustando o S&P 500 e os investidores de todo mundo.

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E não é para menos. Os gringos viram o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA acelerar para 1% em maio, de 0,3% em abril. Em base anual, o CPI subiu 8,6%, com os preços da gasolina atingindo um recorde e o custo dos serviços avançando ainda mais.

O chamado núcleo do índice, que exclui preços mais voláteis de alimentos e energia, teve alta de 6% em termos anuais — comparações que vieram acima das projeções dos analistas. 

"Fed" Krueger não deixou o S&P 500 acordar

Quando Wall Street achou que ia acordar do pesadelo com o maior índice de preços ao consumidor desde 1981, ouviu novamente: um, dois, Freddy está vindo para você!

Outro indicador transformou a sexta-feira 10 em sexta-feira 13 — quase num remake do filme Freddy vs. Jason, de 2003. 

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A leitura preliminar de junho do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan ficou bem abaixo das expectativas, caindo para 50,2 pontos, uma mínima histórica. 

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Confira a variação e a pontuação dos três principais índices de ações dos EUA no fechamento:

  • Dow Jones: -2,73%, 31.391,63 pontos
  • S&P 500: -2,91%, 3.900,73 pontos
  • Nasdaq: -3,52%, 11.340,02 pontos

Com essa performance, Wall Street caminhou para mais uma semana de perdas. Entrando na sexta-feira (10, sempre bom lembrar), o Dow Jones registrou a 10ª semana de queda das últimas 11, com baixa de cerca de 4,8%. 

Já o S&P 500 e o Nasdaq caíram 5,05% e 5,60%, respectivamente, na nona semana de perdas em 10.

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Um, dois… o Fed está vindo para você! 

Se, por um lado, o combo de dados de hoje não deixa a desejar para nenhum fã de filmes de terror, de outro, acabou despertando novas preocupações sobre uma possível recessão da economia dos EUA. 

O Federal Reserve (Fed) já avisou inúmeras vezes aos mercados que não poupará esforços para acordar do pesadelo da inflação. 

Para isso, o banco central norte-americano está disposto a elevar a taxa de juros o quanto for preciso. Até o momento, o Fed já telegrafou mais duas elevações de 0,50 ponto percentual (pp).

Mas, com os dados de hoje, os investidores voltam a especular sobre aumentos de 0,75 pp — o que pode lançar a economia dos EUA em recessão.

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Por isso, os olhos do mundo estarão voltados para a decisão de política monetária do Fed da próxima quarta-feira (15) e, principalmente, para as declarações do presidente Jerome Powell, na coletiva marcada para às 15h30 do mesmo dia.

S&P 500 e Europa no mesmo pesadelo

A inflação não é um pesadelo exclusivo do S&P 500, do Dow Jones ou do Nasdaq. As bolsas europeias também foram assombradas pela alta desenfreada de preços e seus efeitos. 

Na quinta-feira (9), o Banco Central Europeu (BCE) confirmou a intenção de aumentar as taxas de juros em 0,25 pp na reunião de julho — com um novo aumento esperado em setembro, cuja escala será determinada pelas perspectivas de inflação de médio prazo.

As ações europeias caíram acentuadamente ontem, horas após a decisão e a entrevista coletiva da presidente do BCE, Christine Lagarde, e continuaram a cair hoje, antes que os dados de inflação dos EUA agravassem as perdas.

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O índice  pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia em queda de 2,7%, com os bancos recuando 4,9% para liderar as perdas.

  • Londres: -2,12%
  • Paris: -2,69%
  • Frankfurt: -3,08%

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