Esquenta dos mercados: Inflação injeta cautela nas bolsas e exterior recua junto com criptomoedas hoje; Ibovespa acompanha falas sobre Petrobras (PETR4)
Além disso, a temporada de balanços de hoje conta com os resultados de B3, Americanas, Cogna e mais

O inimigo número um das bolsas pelo mundo é a inflação, que registrou nova alta antes da sessão de ontem (11) e derrubou os índices durante a madrugada. E a alta de preços coloca a política monetária do Federal Reserve no centro das atenções dos investidores.
Na última quarta-feira, as bolsas de Nova York registraram fortes perdas, com destaque especial para o Nasdaq, que “acusou o golpe” duro da inflação no setor de tecnologia e caiu mais de 3%. Essa cautela generalizada contaminou os investidores da Ásia e Pacífico, que encerraram o pregão desta quinta-feira (12) em queda.
A abertura na Europa segue pelo mesmo caminho, em baixa de mais de 2% pela manhã após o CPI dos EUA subir 1,06% — contra as projeções de alta de 1,0%, acumulando 8,3% de avanço em 12 meses.
O pré-mercado em Wall Street amplia as perdas do pregão anterior, apontando para uma abertura no vermelho mais um dia seguido em meio aos temores inflacionários.
Quem se salvou dessa tempestade de fogo foi o Ibovespa, com uma defesa especial da Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3). As commodities sustentaram o índice local por mais um dia, fechando em alta de 1,25%, aos 104.326 pontos.
Já o dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,21%, a R$ 5,1446, acompanhando a inclinação da curva de juros. A moeda norte-americana chegou a operar em campo negativo, mas a aversão ao risco impulsionou as cotações.
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Confira o que deve movimentar as bolsas, o dólar e o Ibovespa nesta quinta-feira:
[captacao]
Novo ministro, velha tentativa de privatizar a Petrobras
Após a saída de Bento Albuquerque do ministério de Minas e Energia, o novo chefe da pasta, Adolfo Sachsida, entrou com o pé direito na porta da casa. Ele — que trabalhou na equipe econômica de Paulo Guedes — afirmou, em seu primeiro dia como ministro, que solicitou estudos sobre a privatização da maior estatal brasileira.
Aliado do ministro da Economia, Paulo Guedes, o economista também defendeu o prosseguimento da venda da Eletrobras, que depende de aval do Tribunal de Contas da União (TCU).
No gogó
Mas vale lembrar que o governo fez diversas promessas de privatizações de grandes estatais brasileiras, mas somente a da Eletrobras permanece como a mais avançada delas, e está travada no TCU.
Além disso, o ano eleitoral gera certa indisposição do Congresso para aprovar pautas consideradas polêmicas — e a privatização da Petrobras é uma das que mais gera desconforto nos parlamentares.
O que dizem as partes — e os números da PETR4
De um lado, opositores acusam a estatal de valorizar demais os investidores em detrimento de uma política de preços favorável à população. Do outro, o governo afirma que a Petrobras é onerosa demais para as contas públicas.
Na ponta do lápis, a Petrobras já pagou aos cofres públicos o dobro de seu lucro durante o governo do presidente Jair Bolsonaro, que tem atacado a política de preços com paridade internacional da empresa.
No frigir do… petróleo
Os debates envolvendo a Petrobras e sua política de preços devem voltar a colocar as ações da estatal — PETR3 e PETR4 — em destaque na bolsa hoje. Interferências do governo na empresa costumam gerar tensão nos investidores, que penalizam os papéis.
Acrescenta-se o fato de que o petróleo permanece em queda na manhã desta quinta-feira. O barril do Brent, utilizado como referência internacional, recua 1,64% hoje, negociado a US$ 105,77.
E vem mais por ai
Está marcado para esta quinta-feira um debate no Senado Federal para questionar o preço do diesel, que sofreu um reajuste de mais de 8% nesta semana. Esse foi o primeiro reajuste da Petrobras em 60 dias, o que gerou insatisfação dos caminhoneiros em um primeiro momento.
Para colocar panos quentes na situação, o presidente da República afirmou estudar mudanças nas regras de compensação dos preços dos combustíveis em contratos de afretamento de transporte rodoviário.
Inflação lá fora, tensão em todo canto
O índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) dos Estados Unidos registrou um novo aumento em abril, de acordo com a última leitura do Departamento de Comércio. A inflação se aproxima dos 10% em 12 meses e o Banco Central americano começa a arregaçar as mangas.
As últimas falas de representantes do Fed nesta semana foram no sentido de uma ação mais agressiva — hawkish, no jargão do mercado — contra a alta de preços. Isso significa que a subida de 75 pontos-base nos juros americanos começa a parecer mais adequada para a próxima reunião do Fomc, o Copom americano.
Outros dados para ajudar o Fed
O BC americano leva em conta ainda outros indicadores, como o nível de emprego e a atividade econômica, medida pelo PIB, para decidir sobre a política de juros.
Enquanto os índices de emprego voltam a patamares mais sustentáveis após a pior fase da pandemia, a atividade econômica do primeiro trimestre veio abaixo do esperado na primeira leitura.
É verdade que a leitura preliminar costuma sofrer alterações, mas esse indicador permanece no radar do investidor.
Inflação ao produtor
Por fim, as bolsas pelo mundo acompanham a divulgação da inflação ao produtor (PPI, em inglês) na manhã desta quinta-feira.
Permanecem em segundo plano as falas de Janet Yellen, Secretária do Tesouro americano, na Câmara dos Representantes hoje. Yellen é crítica de moedas digitais e recentemente fez duros apontamentos às criptomoedas lastreadas em dólar, as stablecoins, após falhas de protocolo em uma delas.
Por falar em criptomoedas
O bitcoin (BTC) viveu uma verdadeira “noite do terror” durante a madrugada de quarta para quinta-feira. A maior criptomoeda do mundo registra queda de mais de 13% com liquidação de mais de US$ 1 bilhão nas últimas 24 horas, o que influencia na sangria do mercado.
O ethereum (ETH), segunda maior criptomoeda do mundo, perde mais 20% durante a manhã de hoje, acumulando perdas de 33,81% na semana.
Agenda do dia
- Brasil: Volume de serviços em março (9h)
- Brasil: Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e secretários estaduais de Fazenda têm reunião para debater taxação do diesel (9h)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (9h30)
- Estados Unidos: PPI de abril (9h30)
- Estados Unidos: Secretária do Tesouro, Janet Yellen, testemunha perante comitê de estabilidade financeira na Câmara dos Representantes (11h)
Balanços do dia
Após o fechamento:
- B3 (Brasil)
- Americanas (Brasil)
- Cogna (Brasil)
- Eneva (Brasil)
- Marfrig (Brasil)
- Rede d’Or (Brasil)
- Commerzbank (Alemanha)
SANGRIA NOS MERCADOS
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