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Balanços do período, ainda impactado pela pandemia e o abre e fecha local, movimentam a semana; veja projeções e calendário
A temporada de balanços das empresas de capital aberto brasileiras foi aberta oficialmente na sexta-feira (23) com a Usiminas. Mas é nesta semana que os balanços vão movimentar a bolsa para valer, com números das gigantes Vale, Santander Brasil, Weg e Gol.
Os resultados dizem respeito ao primeiro trimestre deste ano — período ainda marcado por incertezas, diante do recrudescimento da pandemia de covid-19 e lento avanço da vacinação no Brasil.
Como ficou claro desde meados do ano passado, o coronavírus impacta de maneiras diferentes os setores. Saiba a seguir o que esperar para o resultado das companhias.
A Vale (VALE3) pode apresentar, nesta segunda-feira (26), um aumento exorbitante de lucro, se as projeções dos analistas se confirmarem. Mas em parte por causa da base de comparação.
No primeiro trimestre de 2020, a empresa seguia registrando gastos com a tentativa de reparação pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG), ocorrida em janeiro de 2019.
Deve ainda contribuir para o bom desempenho da empresa os patamares elevados do dólar — moeda na qual a receita da Vale está atrelada —, negociado na faixa de R$ 5,50.
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Relatório de produção do primeiro trimestre, divulgado pela empresa no último dia 19, revelou uma alta de 14,2% na produção de finos de minério de ferro, totalizando 68,0 milhões de toneladas — com um prêmio de US$ 8,3 por tonelada sobre o preço de referência no mercado.
Parte da tese de investimento da Vale parte do pressuposto de que o minério produzido pela companhia tem qualidade superior ao de outras empresas, por isso a mineradora consegue emplacar preços maiores que a média.
A dinâmica é fortalecida pela demanda externa reaquecida. No primeiro trimestre, a empresa foi beneficiada pela recuperação dos mercados globais, preços mais altos do carvão metalúrgico na China e necessidade de produtividade elevada nos altos-fornos. Confira a projeção:
O Santander Brasil (SANB11), que divulga o balanço na quarta-feira (28), tem o desafio de sustentar a liderança entre os grandes bancos, depois de superar a rentabilidade do Itaú Unibanco no ano passado.
Em 2020, o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês) da unidade brasileira do banco espanhol alcançou 19,1%, enquanto que do Itaú fechou o ano a 14,5%.
O Santander encerrou o quarto trimestre de 2020 com lucro de líquido de R$ 3,9 bilhões, sendo que em 12 meses a última linha do balanço superou as estimativas do mercado, chegando a R$ 13,8 bilhões.
No primeiro trimestre do ano passado, a empresa também entregou um resultado maior do que o esperado, a R$ 3,8 bilhões. Agora, analistas falam uma queda de lucro, que chegaria a R$ 3,6 bilhões — mas seguindo com o histórico de bons resultados.
Além da rentabilidade e do lucro, os acionistas do banco estarão atentos aos desdobramentos da proposta do conselho de administração da empresa de segregar a participação detida na subsdiária Getnet.
Segundo o conselho do Santander, cerca de R$ 22 milhões serão gastos com a cisão, mas o banco pretende entregar aos seus acionistas os papéis da Getnet após a operação. Separada, a companhia deve solicitar registro para abrir capital na B3.
A Weg (WEGE3), que também divulga o balanço na quarta-feira, deve cumprir mais uma vez com a fama de empresa que entrega resultados consistentes — depois de, assim como a Vale, ser apontada como opção defensiva para os investidores durante a crise.
Segundo o Bank of America (BofA), a fabricante de motores e equipamentos para o setor elétrico continua demonstrando uma capacidade de execução "única" ao "manter o ritmo das fábricas e evitando interrupções em sua cadeia de fornecimento global durante a pandemia".
"Além disso, a Weg conseguiu ajustar rapidamente sua estrutura de custo, foi beneficiada por um portfólio de produtos de ciclo longo, explorou os ventos favoráveis do câmbio e alavancou um mix de produtos premium", disseram os analistas em relatório recente.
Para o banco, a Weg entregará um resultado robusto em receita no primeiro trimestre deste ano, por conta das vendas no mercado doméstico — um avanço de 26%, dizem —, enquanto as exportações crescerão 22%.
No quarto trimestre de 2020, a Weg registrou lucro líquido de R$ 742,2 milhões, um aumento de 48,3% em relação ao mesmo período de 2019. No acumulado do ano, a alta foi de 45%, a R$ 2,3 bilhões.
Entre os destaque da semana, a Gol (GOLL4) é a empresa em situação mais delicada. O setor aéreo tem pouca margem de manobra com a nova piora da pandemia — com receitas limitadas e tendo de lidar com cancelamentos em série.
Em março, a companhia registrou uma queda de 25% na busca por passagens aéreas em relação ao mês anterior. O volume de vendas diárias caiu 40% no período, levando a empresa a fechar o mês com uma receita bruta consolidada de R$ 300 milhões, queda de 37% na comparação mensal.
A aérea admitiu que vê a crise como severa e que a recuperação ocorrerá num ritmo mais lento que o esperado anteriormente, quando o país registava baixa em novas casos de contaminação.
"A administração da Gol continua considerando cenários de recuperação mais conservadores, mantendo iniciativas para redução de custos, preservar equilíbrio do fluxo de caixa e adequação da oferta aos níveis reduzidos de demanda", disse a companhia em abril.
A empresa projeta no primeiro trimestre uma receita líquida de R$ 1,6 bilhão e prejuízo por ação deve de R$ 2,35. A receita unitária de passageiro deve ser 12% inferior ao registrado no mesmo período de 2020, enquanto a receita unitária deve ser 9% menor.
| Empresa | Data do balanço | Período de divulgação |
| Vale SA | 26/04 | Após o mercado |
| Cielo SA | 27/04 | Após o mercado |
| Cia Siderurgica Nacional SA | 28/04 | Não informado |
| Banco Santander Brasil SA | 28/04 | Antes da abertura |
| WEG SA | 28/04 | Não informado |
| Multiplan Empreendimentos Imob | 28/04 | Após o mercado |
| Embraer SA | 29/04 | Antes da abertura |
| Gol Linhas Aereas Inteligentes | 29/04 | Não informado |
| Fleury SA | 29/04 | Após o mercado |
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