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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

Preço da tragédia

Vale prevê gastar quase R$ 17 bilhões com Brumadinho neste ano; Credit Suisse mantém recomendação de compra para ação

O Credit Suisse reconhece que existe um risco de multas adicionais ou desdobramentos de Brumadinho frustrarem os planos da empresa

Renan Sousa
Renan Sousa
9 de setembro de 2021
12:14 - atualizado às 18:28
Sobrevoo da área atingida pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho
Sobrevoo da área atingida pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho - Imagem: Isac Nóbrega/PR/Fotos Públicas

As despesas com a tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho devem consumir até US$ 3,2 bilhões (R$ 16,9 bilhões, no câmbio atual) do caixa da Vale (VALE3) neste ano.

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As projeções são da própria mineradora, que divulgou nesta manhã a estimativa (guidance) para o desembolso de caixa em 2021. Confira:

DestinoGastos (US$)
Despesas com Brumadinho (incluindo acordos,
doações, descaracterização e
despesas incorridas)
Entre US$ 2,7 bilhões e US$ 3,2 bilhões
Capex (investimentos)US$ 5,4 bilhões
Imposto de renda e RefisEntre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões
Despesas financeiras, líquidaEntre US$ 800 milhões e US$ 1,1 bilhão
Outros (incluindo capital de giro, derivativos, dividendos
pagos aos acionistas não controladores, Samarco
e Renova, entre outros)
Entre US$ 600 milhões e US$ 900 milhões

Segundo um acordo firmado com o estado de Minas Gerais, a Defensoria Pública e os Ministérios Públicos Federal e de Minas Gerais, os gastos previstos em projetos de reparação socioeconômica e socioambiental em Brumadinho giram em torno de R$ 37,7 bilhões.

Entretanto, a mineradora tem feito uma série de acordos para tentar reduzir esse valor. Após o anúncio, a ação da Vale na bolsa brasileira registrava alta no pregão de hoje. Os papéis VALE3 começaram o pregão de hoje em alta, mas fecharam em queda de 0,32%, a R$ 94,74.

Credit Suisse mantém recomendação de compra para Vale

O Credit Suisse reconhece que existe um risco de multas adicionais ou desdobramentos de Brumadinho frustrarem os planos da empresa nos próximos meses. A retomada da economia e o avanço no preço das commodities metálicas também devem pesar do lado negativo.

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Mesmo assim, o banco suíço mantém a recomendação de compra para as ações da Vale. “A avaliação da Vale parece excessivamente descontada e as perspectivas de retorno à frente são atraentes”, escreveram os analistas, em relatório a clientes.

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Outro atrativo da mineradora é a perspectiva de pagamento de dividendos. Nos cálculos do Credit Suisse, o chamado dividend yield (retorno com dividendos) de VALE3 deve ser de pelo menos 10% em 2022.

Mas a “cautela” vem a seguir: os analistas reduziram o preço-alvo dos ADRs (recibos de ações negociados em Nova York) da mineradora de US$ 28 para US$ 24. No fechamento de ontem, os papéis eram cotados a US$ 17,98 na bolsa norte-americana.

A China tem feito diversas restrições à produção de minério de ferro e controlado a demanda artificialmente, o que fez a commodity perder US$ 100 por tonelada em relação às máximas do ano. 

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No acumulado de 2021, a queda no preço da tonelada de minério de ferro, negociada no porto de Qingdao, na China, é de 18,51%

Além disso, a variante delta do coronavírus atrasa a retomada econômica, o que pode se refletir na demanda por minério de ferro. Por outro lado, os analistas esperam uma recuperação, em especial do setor de construção, entre setembro e outubro.

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