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O lucro de R$ 4 bilhões é o maior já registrado pelo Santander em um único trimestre e impulsiona as ações de todo o setor bancário no pregão de hoje da B3
Os profetas do apocalipse dos grandes bancos terão de rever seus conceitos — ou pelo menos guardar as trombetas para outro momento — depois da divulgação dos resultados do Santander Brasil.
A unidade local do banco espanhol inaugurou a temporada de balanços dos gigantes do setor financeiro no país no primeiro trimestre com mais um resultado acima das expectativas do mercado.
O lucro de R$ 4 bilhões é o maior já registrado pelo Santander em um único trimestre e representa uma rentabilidade sobre o patrimônio de 20,9%.
A reação dos investidores aos números pode ser resumida no desempenho das ações no pregão de hoje da B3. Os papéis (SANB11) dispararam 8,46%, cotados a R$ 40,75, a maior alta do Ibovespa.
De quebra, o resultado do Santander deu gás para as demais ações do setor bancário. Bradesco (BBDC4) subiu 4,63%, Itaú Unibanco (ITUB4) fechou em alta de 3,91% e Banco do Brasil (BBAS3), de 1,71%. Leia também nossa cobertura completa de mercados.
O lucro acima do esperado foi composto por várias linhas do resultado que surpreenderam positivamente. A margem financeira — que inclui as receitas com a concessão de financiamentos menos os custos de captação — subiu 6,1% no primeiro trimestre. Com o processo de alta da taxa básica de juros (Selic), a tendência é que a margem melhore ainda mais.
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Ao mesmo tempo, as despesas com provisões para calotes no crédito caíram 7,7% em relação aos três primeiros meses do ano passado. Dos grandes bancos com capital aberto, o Santander foi quem menos fez provisões contra o chamado "efeito covid".
Mas pelo menos até agora a inadimplência parece controlada e encerrou o trimestre em 2,1%, mesmo patamar de dezembro e abaixo dos 3% de março de 2020.
A carteira de crédito encerrou março em R$ 497,6 bilhões, um avanço de 7,4% em 12 meses. Na comparação com dezembro, houve uma queda de 2,9%, mas que foi provocada pela segregação das operações da Getnet.
A possível abertura de capital da empresa de maquininhas de cartão e meios de pagamento, aliás, é outra razão para o otimismo dos investidores com o Santander. A Getnet registrou lucro líquido de R$ 110 milhões no primeiro trimestre e atingiu uma base de 875 mil clientes ativos.
O balanço também mostra que, pelo menos até agora, o banco não tomou conhecimento da concorrência das novas empresas de tecnologia financeira (fintechs).
As receitas do Santander com tarifas e prestação de serviços, que vêm sendo as mais afetadas com o acirramento da competição, subiram 8,2% na comparação com os três primeiros meses de 2020.
Mas vale lembrar que no ano passado a economia como um todo foi afetada pelo início da pandemia da covid-19.
O banco conseguiu ainda fazer um bom trabalho do lado dos custos, com uma redução de 0,5% das despesas administrativas e com pessoal em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
Os analistas em coro elogiaram os resultados do Santander. Para o Credit Suisse, que tem recomendação outperform (compra) para as ações, os números divulgados hoje devem levar a uma onda de revisões para cima das projeções do mercado para os próximos balanços do banco.
Na visão da XP, o resultado foi especialmente bom ainda mais levando em conta que o primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco. Mas não foi suficiente para mudar a recomendação para os papéis.
“Reiteramos nossa classificação neutra e preço-alvo de R$ 32, pois acreditamos que o banco pode ter que fazer mais provisões no médio prazo (vs. possível reversão nos pares).”
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Para um gestor de fundos com quem eu conversei, o bom desempenho das ações do Santander não vem só do bom resultado, mas também da visão catastrofista adotada pelos investidores quanto ao futuro do setor. “Sou cético com os bancos, mas os números mostram claramente que eles ainda têm muita lenha para queimar.”
Banco é o único brasileiro na operação, que pode movimentar até US$ 10 bilhões e marca nova tentativa de Bill Ackman de abrir capital; estrutura combina fundo fechado e holding da gestora, em modelo inspirado na estratégia de longo prazo de Warren Buffett.
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