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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

O Sol na cabeça

Eneva (ENEV3) compra a Focus (POWE3) por R$ 960 milhões, de olho na energia solar

A transação entre Eneva (ENEV3) e Focus (POWE3) envolve parcelas em dinheiro e em ações; parques de energia solar são o destaque da compra

Victor Aguiar
Victor Aguiar
15 de dezembro de 2021
10:29 - atualizado às 9:11
Painéis solares espalhados numa área rural
Imagem: Andreas Gücklhorn/Unsplash

O mundo das fusões e aquisições segue agitado nesta reta final do ano: a Eneva (ENEV3) anunciou há pouco um acordo para a compra da Focus Energia (POWE3), numa operação de R$ 960 milhões que envolve parcelas em dinheiro e em ações — e que também inclui toda uma arquitetura financeira para levantar os recursos necessários à continuidade dos projetos da empresa de energia solar.

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A transação ainda precisa ser aprovada pelos acionistas da Focus, mas tudo indica que o caminho não tem volta: a Eneva diz já ter um acerto com 50,8% da base acionária da companhia; para que a fusão receba sinal verde, é necessário ter o aval de 'apenas' 50% mais 1 dos investidores.

E como os planos da Eneva passam pela unificação das bases acionárias das duas companhias, a Focus deve deixar a bolsa menos de um ano após seu IPO: a empresa de energia solar chegou à B3 em fevereiro de 2021 avaliada em R$ 1,6 bilhão. Sua vida no mercado de ações, no entanto, não tem sido fácil — as ações POWE3 amargam queda de 43% desde a estreia.

Com a aquisição, a Eneva coloca um pé na área de energias renováveis: hoje, o grupo é particularmente forte na geração de eletricidade a partir do gás natural, contando com um parque de 2,2 GW de capacidade — o que representa quase 10% da geração térmica do país.

A Focus, por sua vez, atua na geração e comercialização de energias renováveis, com destaque para a matriz solar; o IPO serviu para que a companhia levantasse recursos para finalizar o primeiro de três grandes parques solares em Juazeiro (PE) — o que ainda não ocorreu.

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Eneva + Focus Energia: a operação

A aquisição da Focus (POWE3) inclui o pagamento de R$ 715 milhões à vista e uma parcela em ações: a Eneva vai emitir, ao todo, 17 milhões de novos papéis ENEV3 para serem entregues aos acionistas da empresa de energia solar — o que, considerando o fechamento de ontem, de R$ 14,41, totaliza quase R$ 245 milhões.

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Ou seja: as duas componentes, somadas, chegam a R$ 960 milhões — um prêmio de somente 4,7% em relação ao valor de mercado atual da Focus, de R$ 917,2 milhões.

Os acionistas da Focus que não concordarem com a operação, caso ela seja aprovada, e desejarem se retirar terão direito a um reembolso de R$ 4,70 por papel POWE3. É um valor bem abaixo da cotação atual, de R$ 10,23, e que, segundo a Eneva, foi calculado com base no balanço patrimonial da companhia ao fim de 2020. Assim, parece pouco provável que a retirada seja exercida por um número grande de investidores.

Mas o acordo entre as partes não termina por aí. As empresas também acertaram a emissão de debêntures da Focus, no valor de R$ 1,5 bilhão, já integralmente subscrita pela Eneva — recursos que serão vitais para o primeiro grande campo de energia solar na Bahia.

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E os parques solares a serem construídos pela Focus são, de fato, o grande atrativo da companhia. Os projetos Futura 1, 2 e 3 têm potencial para virarem referência nesse tipo de geração de energia no país — o primeiro deles, por exemplo, terá capacidade instalada de 670 MW, sendo o maior campo solar do Brasil.

Os outros dois projetos ainda não começaram a ser construídos, mas devem ser ainda maiores que o primeiro — e, consequentemente, devem demandar investimentos ainda mais volumosos. E, a julgar pelo desempenho da Focus no mercado de ações e o novo cenário de juros no país, obter o financiamento necessário para as obras seria uma tarefa dura para a companhia.

ENEV3 e POWE3: ano negativo

Na bolsa, tanto Eneva (ENEV3) quanto Focus Energia (POWE3) acumulam perdas desde o começo de 2021, embora a primeira tenha um desempenho bem mais resiliente que a segunda. Os papéis ENEV3 recuam pouco mais de 7% no ano — os ativos perderam força a partir de setembro, em linha com o restante do mercado.

Comportamento semelhante foi visto em POWE3: uma das estreantes da bolsa em 2021, a Focus fechou o pregão de ontem muito perto das mínimas históricas, a R$ 10,23.

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