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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Mercados hoje

Ibovespa acelera recuperação puxado por estatais; Petrobras sobe 9%

Depois de um dia sangrento nos mercados, os investidores voltam os seus olhos para o Congresso e o andamento da PEC Emergencial

Jasmine Olga
Jasmine Olga
23 de fevereiro de 2021
10:45 - atualizado às 17:02
mercados estatais

A bolsa brasileira desde o começo do dia segue buscando se recuperar das fortes perdas registradas ontem. No entanto, a crise gerada em Brasília está longe do fim e um exterior mais cauteloso parece impedir voos mais altos. 

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As bolsas americanas abriram o dia com queda expressiva, principalmente o índice Nasdaq, que chegou a recuar mais de 3%. Ao longo do dia o Ibovespa tem acompanhado as idas e vindas das bolsas americanas. Por volta das 17h, o principal índice da bolsa brasileira apresentava uma alta de 1,69%, aos 114.577,41 pontos.

A aceleração da alta aconteceu após o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União enviar uma representação que pede para que a Petrobras não faça nenhuma alteração de comando até que o tribunal julgue se houve interferência política do presidente na empresa. 
s maiores altas do dia são puxadas pelas estatais, que tanto sangraram ontem.

A melhora do ambiente de negócios doméstico se dá com a leitura de que mesmo com a intervenção na estatal e todos os ruídos gerados pelo presidente, o Congresso deve seguir priorizando as reformas necessárias para o crescimento do país e que possibilitam o financiamento do auxílio emergencial, visto como essencial para manter a população mais carente durante a crise. 

Sumido desde meados da semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a aparecer. Em conversas com líderes do Congresso, Guedes chegou a um acordo para conter os gastos públicos e permitir o pagamento de uma nova rodada do auxílio emergencial, mas sem contrapartidas no curto prazo, com um custo de R$ 30 bilhões aos cofres públicos.

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Já no longo prazo, o projeto apresentado pelo relator Marcio Bittar para a PEC Emergencial resgata um mecanismo que já havia sido pensado, mas deixado de lado devido às resistências.

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Trata-se da desvinculação de gastos mínimos para saúde e educação. Caso a medida seja aprovada, parlamentares dos três entes federativos irão decidir ano a ano o total de recursos destinados para esses fins, o que gera disputa com outras demandas do Orçamento. A votação da pauta foi prometida para a próxima quinta-feira (25) pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Já o dólar à vista opera instável desde a abertura. No mesmo horário, a moeda americana recuava 0,21%, aos R$ 5,4422. No cenário internacional, há tensão com a possibilidade de que o Federal Reserve volte a apertar a sua política monetária. Powell, presidente da entidade, discursou nesta tarde no Congresso americano.

Confira também as taxas dos contratos no mercado futuro de juros. Na ponta mais curta, a tendência é de queda, enquanto nos contratos mais longos o dia é de alta:

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  • Janeiro/2022: de 3,53% para 3,47%
  • Janeiro/2023: de 5,325% para 5,23%
  • Janeiro/2025: de 6,92% para 6,86%
  • Janeiro/2027: de 7,57% para 7,54%

De olho na Petro

Hoje o conselho de administração da Petrobras se reúne. A reunião já estava marcada e, inicialmente, iria definir a recondução de Castello Branco ao cargo. Após a "cartada" do governo federal, a expectativa é que o conselho marque a data para a Assembleia que deve apreciar o nome escolhido pelo governo. 

Após recuar mais de 20% ontem, as ações da petroleira ensaiam uma recuperação nesta manhã, ouvindo também as promessas do presidente Jair Bolsonaro, que disse que não irá mexer na política de preços da companhia.

Por volta das 16h, tanto as ações ordinárias (PETR3) quanto as preferenciais (PETR4) subiam cerca de 9%. A companhia lidera as altas do dia após a notícia de que o Ministério Público apura a interferência do presidente Jair Bolsonaro na estatal.

O Banco do Brasil (BBAS3), outra estatal que sofreu por tabela, também busca uma recuperação nos primeiros momentos do pregão, subindo 4%. A companhia informou que não recebeu nenhum pedido de mudanças em sua diretoria.

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Para Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos, a queda vista no Ibovespa ontem foi "exagerada e irracional", já que antecipou um cenário muito grande de incertezas . Agora, a saída é acompanhar o que de fato a mudança no comando da Petrobras irá significar, já que de um lado temos o mercado acreditando em uma interferência política e de outro o governo afirmando que não irá mexer na política de preços.

Hoje pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar sobre a Petrobras. Depois de interferir na troca de comando na estatal, Bolsonaro afirmou que o novo presidente deve arrumar as muitas coisas que estão erradas na petroleira.

Ainda assim, o presidente repetiu que não está interferindo na companhia e em sua política de preços.

Durante a tarde, a companhia soltou um comunicado onde responde parte dos questionamentos do presidente Jair Bolsonaro sobre a remuneração paga ao comando da Petrobras.

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Segundo a estatal, o salário de Roberto Castello Branco não extrapola os valores de mercado, como o dito por Bolsonaro. A companhia informou que seus executivos não possuem reajustes desde 2016 e detalhou o montante recebido pelo atual comandante da empresa.

Raio-X

Uma recuperação mais ávida do Ibovespa é contida por um dia de negócios mais pesado no exterior.

Durante a madrugada, as bolsas asiáticas fecharam mistas, de olho não só nos estímulos fiscais americanos, mas também na disparada dos juros dos Treasuries nos Estados Unidos. 

A preocupação com a inflação no país também seguraram as bolsas europeias, que fecharam o dia sem direção definida. Em Wall Street os principais índices abriram o dia em queda firme, mas se recuperaram ao longo do dia, na espera do discurso de Jerome Powell em audiência no Senado.

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O material que deve ser apresentado já foi divulgado na semana passada, confirmando que a instituição deve seguir mantendo uma política monetária acomodatícia. No entanto, o temor com a possível alta da inflação faz com que os investidores fiquem apreensivos. 

Sobe e desce

Após forte queda no dia anterior, as estatais recuperam parcialmente as perdas na sessão de hoje. Depois de boa parte do dia ser dominado pelas ações da Petrobras, a Eletrobras deu um salto com a notícia de que a MP da privatização pode finalmente ser apresentada. No entanto, a petroleira retomou a ponta da tabela nos últimos minutos Confira as principais altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
PETR4Petrobras PNR$ 23,55 9,79%
ELET6Eletrobras PNBR$ 31,61 8,11%
ELET3Eletrobras ONR$ 31,12 7,64%
BBAS3Banco do Brasil ONR$ 30,56 7,38%
PETR3Petrobras ONR$ 23,09 7,15%

Confira também as maiores quedas:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
PRIO3PetroRio ONR$ 87,10 -5,52%
LAME4Lojas Americanas PNR$ 27,39 -5,39%
GNDI3Intermédica ONR$ 89,70 -4,62%
BTOW3B2W ONR$ 86,55 -3,48%
NTCO3Natura ONR$ 49,58 -3,22%

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