Ibovespa pega carona no avanço das ‘techs’ americanas e volta a superar os 124 mil pontos; dólar recua
A bolsa brasileira sentiu algumas questões domésticas, mas acabou fechando o dia acima dos 124 mil pontos. O dólar à vista recuou a R$ 5,32

Ainda falta pouco menos de um mês para o início do verão norte-americano, mas ele promete ser quente. Meteorologia não é bem a minha praia, confesso, mas o ritmo acelerado de vacinação e a recuperação econômica vista na maior economia do mundo após um ano de crise promete agitação para os próximos meses.
O principal termômetro do mercado tem sido a inflação e com os últimos números mostrando sinais que podem ser de uma economia superaquecida, os investidores andam receosos e, por isso, acompanham de perto qualquer mínima sinalização do Federal Reserve.
Na semana passada, só se falou nisso e na probabilidade de o Fed mudar a sua política monetária antes do tempo para conter a escalada da inflação, o que levou as bolsas a terem ganhos modestos. Mas o mercado financeiro decidiu deixar isso momentaneamente para lá. A diretora do Fed Lael Brainard disse hoje que espera leituras altas de inflação nos próximos meses, mas reafirmou que as expectativas de longo prazo permanecem "bem ancoradas" , com a tendência apontando para o predomínio de forças desinflacionárias.
A fala animou o mercado, que já vinha tentando pegar carona na recuperação expressiva do bitcoin - um movimento que beneficia principalmente as empresas do Nasdaq, onde algumas companhias já contam com o criptoativo em seus balanços. Vale lembrar que o setor tech é um dos que mais sofre com o avanço dos juros americanos, que deram uma aliviada na sessão de hoje.
Com isso, o Nasdaq subiu 1,41%, o S&P 500 avançou 0,99% e o Dow Jones teve alta de 0,54%. No Brasil, o Ibovespa até ensaiou um dia de ganhos modestos, mas acabou pegando carona na aceleração vista em Wall Street. O principal índice da bolsa brasileira fechou a segunda-feira (24) acima do patamar dos 124 mil pontos, com uma alta de 1,17%, aos 124.031 pontos, o maior nível de fechamento desde janeiro.
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Por aqui, o avanço exibido pelo petróleo compensou o novo recuo do minério de ferro, o que impulsionou a Petrobras e derrubou as siderúrgicas. Mas se o verão americano promete agitação, a chegada do inverno brasileiro traz preocupação.
O ritmo de vacinação da população vem caindo e a chegada de novas cepas do coronavírus ao país preocupam. A possibilidade de uma terceira onda começa a ganhar novos contornos e foi uma realidade admitida até mesmo pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já que os indicadores econômicos mostram uma recuperação que pode ser prejudicada por uma nova onda de contágio, o que leva o governo a começar a ensaiar uma prorrogação do auxílio emergencial, essencial para amparar as famílias menos favorecidas.
Essas questões pesam sobre o já fragilizado quadro fiscal brasileiro e, por isso, o mercado de câmbio doméstico ficou um pouco mais comportado. O dólar à vista recuou 0,53%, a R$ 5,3247, e a curva de juros também precificou uma possível piora de cenário. Confira as taxas do dia:
- Janeiro/2022: de 5,00% para 5,04%
- Janeiro/2023: de 6,75% para 6,80%
- Janeiro/2025: de 8,18% para 8,27%
- Janeiro/2027: de 8,76% para 8,86%
Tentando equilibrar os pratos
Com dados da inflação brasileira reservados para os próximos dias, o noticiário doméstico deve voltar a dar as caras com mais ímpeto. Mas, por enquanto, o destaque fica mesmo com o mercado externo.
Hoje, uma nova queda do minério de ferro mexeu com o setor de commodities metálicas. A China está de olho em possíveis "especulações excessivas" que justifiquem a alta expressiva recente. O alerta feito pela Comissão de Reforma e Desenvolvimento do país derrubou a commodity em mais de 4%. Em evento nesta tarde, Campos Neto, presidente do BC brasileiro, também mostrou preocupação com o caráter especulativo da alta de preços, o que contribui para o cenário inflacionário.
Se de um lado Vale e siderúrgicas limitaram os ganhos da bolsa brasileira, do outro a Petrobras tentou equilibrar os pratos. A possibilidade de novos impasses na negociação do acordo nuclear entre o Irã e potências ocidentais levou o petróleo a ter um dia de alta, movimento também impulsionado pela queda do dólar. Com uma alta de mais de 3% do barril do petróleo tipo Brent, as ações da Petrobras subiram quase 2% e a PetroRio avançou mais de 6%.
Sobe e desce
A maior alta do dia ficou indiscutivelmente com as ações do Banco Inter, após a companhia anunciar um acordo de R$ 2,5 bilhões com a Stone e os planos de uma nova oferta de ações, dessa vez na Nasdaq.
De olho em um novo fechamento da economia e mais rodadas do auxílio emergencial, o setor de varejo online também teve um dia de ganhos expressivos. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 225,20 | 25,90% |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 20,04 | 8,15% |
| LWSA3 | Locaweb ON | R$ 24,55 | 6,97% |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 19,17 | 6,38% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | R$ 19,44 | 5,31% |
Além das ações das siderúrgicas, que recuaram acompanhando a nova queda do minério de ferro, o destaque negativo também ficou com os papéis de Marfrig e BRF, ainda que a primeira tenha conseguido reverter parte da queda ao longo do dia.
Na semana passada, os papéis da BRF subiram mais de 20% em meio a rumores de uma possível fusão com a Marfrig e de que um “comprador misterioso” buscava aumentar sua participação na companhia. O mistério foi solucionado na noite de sexta-feira (21), com a Marfrig anunciando que agora detém 24% do capital da companhia. Depois do alvoroço dos últimos dias, o mercado tenta compreender melhor a estratégia por trás da operação. Confira as maiores baixas do dia:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| BRFS3 | BRF ON | R$ 26,10 | -3,08% |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 32,93 | -2,78% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | R$ 14,71 | -2,19% |
| IGTA3 | Iguatemi ON | R$ 42,48 | -2,05% |
| GOLL4 | Gol PN | R$ 25,05 | -1,76% |
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