O governo Bolsonaro acabou
Seja qual for o futuro do mandato de Jair Bolsonaro, o governo do presidente tal como o conhecemos não existe mais. Como será a gestão a partir de agora e, mais importante, quanto tempo ela durará vai depender do que acontecer em Brasília nos próximos dias. Bolsonaro foi eleito por quase 58 milhões de brasileiros […]

Seja qual for o futuro do mandato de Jair Bolsonaro, o governo do presidente tal como o conhecemos não existe mais. Como será a gestão a partir de agora e, mais importante, quanto tempo ela durará vai depender do que acontecer em Brasília nos próximos dias.
Bolsonaro foi eleito por quase 58 milhões de brasileiros com três bandeiras: combate à corrupção, liberalismo na economia e uma agenda de costumes.
O desembarque explosivo de Sergio Moro derrubou um desses pilares. Não tanto pela saída em si, mas pelas graves acusações levantadas pelo agora ex-ministro.
Moro acusou Bolsonaro de interferência política da Polícia Federal ao insistir na saída de Maurício Valeixo do comando do órgão. Algo que não teria ocorrido nem mesmo nos governos petistas durante as investigações da Lava Jato.
Bolsonaro respondeu no fim da tarde em um pronunciamento no mínimo confuso, mas negou interferência no trabalho da PF. Ele disse também que Moro teria concordado com a troca no comando da polícia, mas apenas depois que ele fosse indicado a uma vaga no STF.
Seja como for, uma parte do apoio popular ao presidente deve cair junto com Moro. Outra incógnita é como fica o segundo pilar do governo.
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A ala liberal sofreu rachaduras nesta semana quando a equipe de Paulo Guedes foi deixada de fora do programa Pró-Brasil de investimentos em infraestrutura. Mas o ministro demonstrou apoio ao comparecer (de máscara) ao pronunciamento de Bolsonaro.
Ao longo do dia, a temperatura em Brasília pôde ser medida nas cotações do dólar. A moeda norte-americana fechou em alta de 2,40%, cotada a R$ 5,661. Mas chegou a encostar nos R$ 5,75 na máxima do dia.
A bolsa também teve um dia para lá de tenso e por pouco não passou por um novo circuit breaker, mas recuperou uma parte das perdas e fechou em queda de “apenas” 5,45%. Vale a pena conferir com o Victor Aguiar como foi o reflexo da tempestade política nos mercados.
As repercussões na política e no seu bolso
• Para a Ace Capital, o impeachment de Bolsonaro é hoje o melhor cenário para o país. A gestora formada por ex-profissionais da tesouraria do Santander mantém a aposta na alta do dólar mesmo depois da forte alta de hoje.
• Mesmo em meio à saída de um dos pilares do governo, o ex-ministro Moro, a queda de outra referência, Paulo Guedes, não está no radar. Saiba por que essa é a opinião de Carlos Kawall, diretor do Asa Bank.
• O presidente da Caixa reforçou a visão de que a saída de Moro não muda em nada a visão do ministro da Economia para a condução das agendas de reformas e da economia brasileira. Confira o que disse Pedro Guimarães.
• A repercussão política à demissão de Moro foi quase imediata. Minutos depois do anúncio, a Câmara articulou uma CPI para convocá-lo a fim de esclarecer as acusações feitas a Bolsonaro.
• A Força Tarefa da Lava Jato também se manifestou contra a suposta interferência na PF. Para os procuradores, as declarações de Moro sobre tentativas de interferência do presidente Jair Bolsonaro na PF são atos "da mais elevada gravidade".
• Moro não conta com a simpatia dos deputados, mas os pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro a serem analisados pela Câmara serão fortalecidos após a fala do ex-ministro, na análise da consultora política da BMJ Consultores Associados, Rebeca Lucena.
No calor dos acontecimentos
Para encerrar, recomendo que você assista à transmissão do podcast Touros e Ursos, caso você tenha perdido. O Victor Aguiar e a Julia Witgen comentaram ao vivo como a demissão do ex-juiz federal, famoso pelo seu trabalho na Lava Jato, afetou os negócios no mercado financeiro local. O dólar disparou e o Ibovespa tombou. O que aflige tanto os investidores? Nossos repórteres explicam.
Um ótimo fim de semana para você.
Aquele abraço!
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
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