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2020-04-24T17:53:32-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Estratégias na crise

Comprada em dólar, Ace Capital vê impeachment como melhor cenário para o país

Crise política apenas acelerou uma inevitável alta da moeda norte-americana, segundo diretor de investimentos da Ace, gestora formada por ex-profissionais da tesouraria do Santander

24 de abril de 2020
16:43 - atualizado às 17:53
Fabricio Taschetto, diretor de investimentos da Ace Capital
Fabricio Taschetto, diretor de investimentos da Ace Capital - Imagem: Divulgação

O impeachment do presidente Jair Bolsonaro se tornou o melhor cenário para o país diante da "crise dentro da crise" em meio à bombástica saída de Sergio Moro do governo. A avaliação é de Fabricio Taschetto, diretor de investimentos da gestora de fundos ACE Capital.

A alternativa à saída de Bolsonaro hoje seria a continuidade do governo pelos próximos três anos como um “pato manco”, ou seja, sem condições de governar, na visão do gestor.

“O ideal é sempre o presidente ir até o final do mandato, mas é melhor ter um fim horroroso do que um horror sem fim”, me disse Taschetto, em uma entrevista por telefone.

Para Taschetto, o impeachment de Bolsonaro abriria espaço para a retomada da pauta de reformas no médio prazo, ainda que num passo bem mais tímido do que o prometido pela equipe econômica no início do governo.

Aposta no dólar

Formada no ano passado por ex-profissionais da tesouraria do Santander, a Ace já tinha uma visão bastante pessimista para os ativos financeiros diante do choque provocado pelo coronavírus na economia.

Mesmo com o salto do dólar nas últimas sessões para perto de R$ 5,75 na máxima desta sexta-feira, a gestora segue comprada na moeda norte-americana. “A alta do dólar é hoje uma das minhas maiores convicções”, afirmou.

Para ele, a crise política apenas acelerou uma inevitável depreciação cambial diante da estagnação da economia e da queda da taxa básica de juros (Selic). A Ace projeta uma retração de 6% do PIB brasileiro neste ano e um aumento da taxa de desemprego para a casa dos 15%.

“O Brasil precisa ficar barato o suficiente para viabilizar investimentos, o país viveu com o câmbio artificialmente valorizado por 30 anos” – Fabricio Taschetto, Ace Capital

Corte da Selic

Apesar da disparada do dólar, Taschetto mantém a visão de que o Banco Central reduzirá a Selic na próxima reunião do Copom, em maio. Mas se a valorização continuar, o corte pode ser menor que o 0,75 ponto percentual esperado e ficar em meio ponto.

Embora acredite que o impeachment de Bolsonaro é o melhor cenário hoje, o diretor da Ace avalia que o presidente está certo quando defendeu um menor nível de isolamento social na pandemia do coronavírus.

“A quarentena foi desproporcional para o que está acontecendo em termos sanitários, é como prescrever quimioterapia para um paciente com dor de cabeça.”

Compra de bolsa

Mesmo com uma visão pessimista, Taschetto disse que aproveitou a forte queda de hoje do Ibovespa, que considerou exagerada, para comprar uma posição em bolsa.

A alocação, contudo, foi mais tática, em busca de um ganho no curto prazo. “Não estou achando que o Ibovespa vai voltar para os 100 mil pontos.” Para o médio prazo, ele avalia que o desempenho da bolsa vai depender também do cenário externo.

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