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Prêmios de risco do crédito privado têm certo alívio em fevereiro, mas risco de algumas empresas emissoras aumenta

Os spreads estão menos achatados, e a demanda por títulos isentos continua forte; mas juro elevado já pesa sobre os balanços das empresas

11 de março de 2026
14:39 - atualizado às 14:16
Cinto apertado por problemas financeiros e dívidas
O início do ciclo de corte de juros será fundamental para reduzir as despesas financeiras das empresas mais alavancadas. Imagem: VectorInspiration/iStock

Fevereiro trouxe um movimento interessante ao mercado de crédito privado brasileiro. Depois de um período de compressão mais intensa, os spreads — prêmio de risco, medido pela diferença entre o retorno do título privado e o do seu título público equivalente — voltaram a mostrar algum ajuste.

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O IDA-IPCA Infra, índice de debêntures incentivadas de infraestrutura atreladas ao IPCA, saiu de -33 bps para cerca de -20 bps, uma abertura modesta, mas suficiente para sinalizar uma recomposição parcial dos prêmios de risco.

O movimento ocorreu de forma relativamente disseminada entre emissores e perfis de crédito. Mas, mais do que uma mudança estrutural na percepção de risco, o ajuste parece refletir sobretudo a dinâmica recente de fluxos na indústria de fundos.

De um lado, os fundos tradicionais de crédito privado registraram resgates próximos de R$ 7 bilhões no mês. De outro, os fundos de infraestrutura continuaram captando, com entradas ao redor de R$ 3 bilhões, sustentando a demanda por debêntures incentivadas.

Esse descompasso ajuda a explicar por que a abertura se concentrou principalmente no universo atrelado ao IPCA.

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Por sua vez, o IDA-DI, índice de debêntures indexadas ao CDI, encerrou fevereiro próximo de DI +1,28%, sugerindo um ambiente de maior equilíbrio nesse segmento do mercado.

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Mesmo com essa leve recomposição nos papéis indexados à inflação, o ponto central permanece: os spreads seguem historicamente comprimidos, especialmente entre emissores high grade, aqueles de menor risco de crédito.

Esse patamar tende a limitar movimentos adicionais de fechamento no curto prazo e deixa o mercado mais sensível às oscilações de captação e resgates na indústria de fundos.

Juro alto já pressiona balanços de certas empresas

Há também sinais de diferenciação começando a aparecer dentro do próprio mercado de crédito.

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Embora o índice agregado permaneça pressionado, segmentos específicos passaram a registrar maior estresse, especialmente entre companhias mais alavancadas ou expostas a setores com perspectivas macroeconômicas menos favoráveis.

Essas companhias, com balanços mais pressionados e níveis de taxa no mercado secundário indicando maior percepção de risco, passaram a adotar medidas e a apresentar planos e estratégias para ajustar suas estruturas de capital.

Entre as soluções apresentadas ou consideradas estão a venda de ativos, a alienação de participações em subsidiárias, aportes de capital pelos controladores e a busca por parceiros estratégicos interessados em ingressar nos negócios.

O início do ciclo de corte de juros será fundamental para reduzir as despesas financeiras desse grupo de empresas.

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Contudo, o patamar terminal atualmente precificado na curva de juros ainda aponta para um cenário de taxas elevadas, reforçando a necessidade de maior disciplina na expansão de novos projetos e de fortalecimento dos balanços por meio de ações extraordinárias.

A demanda por crédito privado por parte do credor continua resiliente, porém já há pontos do mercado de crédito sem espaço no balanço para a absorção.

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