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Número mágico da Petrobras (PETR4): o intervalo de preço do petróleo que protege os retornos — e os investidores

O corte de impostos do diesel anunciado na quinta-feira (12) afastou o risco de interferência na estatal, pelo menos por enquanto

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Petrobras - Imagem: CanvaPro

Com a disparada do petróleo nos últimos dias, um velho fantasma voltou a assombrar os investidores da Petrobras (PETR4): um novo embate com o governo.

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Nos últimos anos, a companhia adotou uma estratégia de mexer menos no preço dos combustíveis, o que acabou agradando tanto a população quanto o governo.

Mas vez ou outra os preços do petróleo andam muito, e a companhia é forçada a tomar uma decisão muito difícil: manter os valores intactos e correr o risco de criar um caos no mercado interno, ou reajustar e correr o risco de tomar uma baita bronca do governo.

O problema de não ajustar

A Petrobras consegue suprir aproximadamente 75% do diesel consumido no Brasil. O restante é importado, por preços que variam conforme as cotações internacionais.

Quando o diesel da Petrobras é vendido relativamente próximo dos preços internacionais (PPI), o mercado estará em equilíbrio.

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O problema surge quando o combustível sobe no mercado internacional, mas permanece intacto no Brasil. Nesses casos, os importadores de diesel teriam prejuízo, pois compram um diesel muito mais caro lá fora para vender nos mesmos preços da Petrobras no mercado interno.

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Para evitar esse rombo, eles simplesmente param de importar, mas isso cria um outro problema: com a Petrobras suprindo apenas 75% do diesel consumido no país, em algum momento faltará combustível para todos, o que seria péssimo.

Então por que não ajustar logo esse combustível?

O problema de ajustar (para cima) é que toda vez que isso acontece aparecem reclamações populares e algumas vezes até interferência política — você deve se lembrar dos presidentes da estatal que foram mandados embora pouco depois de reajustarem os combustíveis?

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Mas desta vez, parece que chegaremos em uma solução razoável para as duas partes.

A matemágica do combustível

Como você pode ver na imagem abaixo, o preço final do combustível é composto pelo diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras, pelo biodiesel somado na composição, pelos diversos impostos e margem de lucro dos distribuidores/postos.

Fonte: Petrobras

Para evitar um aumento no preço final, o governo propôs zerar os impostos federais (R$ 0,32) e ainda conceder um subsídio (mais R$ 0,32) para produtores e importadores de diesel.

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Ou seja, a Petrobras poderá aumentar em R$ 0,64 (aproximadamente 23%) o litro do diesel sem alterar o preço final na bomba e sem desagradar a população.

Bonzinho o governo, né? Só que não!

Obviamente, essa manobra tem um custo fiscal, que será em grande parte bancado pelo aumento nas tarifas de exportação de petróleo.

No fim do dia, a Petrobras pagará mais para vender petróleo para outros países, mas além de exportar apenas uma pequena parte da produção, a estatal também poderá compensar isso vendendo combustíveis por preços maiores no mercado interno.

Além disso, o ajuste evitará um colapso da oferta de diesel no Brasil, o que poderia ser bastante problemático.

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Ainda não podemos cantar vitória

Apesar de ter chegado em uma solução razoavelmente boa para todos os envolvidos, a medida deixa claro que o governo não está disposto a deixar os preços de combustíveis subirem.

Isso é importante porque, se o petróleo continuar subindo, podemos ver medidas um pouco mais drásticas sendo tomadas.

Se você é investidor da Petrobras, deveria “torcer” para um petróleo entre US$ 80/barril e US$ 100/barril, nível suficientemente alto para gerar bons retornos em Exploração e Produção, mas comportado o bastante para não gerar mais defasagens e necessidade de novos reajustes.

Se, por outro lado, o brent disparar para a casa dos US$ 120/barril – US$ 150/barril, a estatal provavelmente terá de enfrentar desafios bem maiores no embate com o governo.

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Um abraço e até a próxima,

Ruy

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