O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?
Todo brasileiro conhece o mantra: “classe média sofre”. É quase um patrimônio imaterial, e se você alguma vez já reclamou do preço do leite ou do trânsito nas grandes cidades sabe do que estou falando.
Mas nos últimos anos o clássico bordão ganhou uma camada inesperada: a classe média não apenas sofre. Ela anda meio desconfiada de que está se transformando em outra coisa sem ter sido consultada.
Não é uma metamorfose completa no estilo Kafka — ninguém acordou como um inseto gigante, ainda que às vezes seja difícil levantar da cama. Estamos falando mais de uma sensação de aperto, mais precisamente no bolso: “Ué… isso aqui era maior, não?”
Daí surge a pergunta que vem rondando corredores, planilhas e conversas de bar: a classe média, como a imaginamos por décadas, está prestes a desaparecer?
Sumir talvez não seja propriamente o termo. Mas ela deve assumir uma nova forma, com potencial para redefinir também o futuro do país.
Por décadas, o roteiro da classe média foi ditado de pais para filhos: estudar, arrumar um bom emprego, financiar o imóvel, comprar um carro, pagar a faculdade da próxima geração e guardar algo para a aposentadoria.
Leia Também
Essa “mentoria financeira” informal funcionou num mundo com crescimento mais previsível, diplomas valorizados e empregos estáveis. Hoje, essa equação está em xeque — e a tecnologia ocupa o centro dessa ruptura.
Antes de prosseguir, um esclarecimento: quem é essa classe média sobre a qual estamos falando, afinal?
No papel, podemos classificar esse grupo por renda. De acordo com um estudo da FGV, ela varia entre R$ 2.525 e R$ 10.885 nos domicílios da famosa Classe C, onde se encontra 61% da população. Mas a verdade é que o rótulo já não entrega o conforto de antes.
Em grandes capitais, moradia, educação e saúde subiram acima da inflação média. Em 2025, por exemplo, o grupo habitação registrou alta de 6,79%, contra 4,26% do IPCA, o índice de preços oficial, de acordo com o IBGE.
Com maiores despesas para morar e se educar, sobra menos espaço no orçamento para poupar e investir — o que traz aquela sensação de que o salário “mal dá para o gasto” para quem é de classe média. Ainda que o peso de outros itens seja menor, o poder de compra não é mais o mesmo.
O diploma está mais caro, e já não tem a mesma importância para quem é de classe média. Uma pesquisa da Quaest mostra que apenas 52% dos brasileiros das classes A, B e C veem a faculdade como importante.
A perda do prestígio da universidade é reflexo de outra tendência: a chamada “uberização” da vida. O avanço dos serviços sob demanda pelo celular, como os aplicativos de transporte e entrega, abalou a rotina de trabalho num componente essencial: a previsibilidade.
Isso significa que o modelo de vida com salário fixo, hora de saída e fim de semana definido se fragmentou — e, com ele, o calendário financeiro da classe média. Para muitos, o Brasil virou o país dos influencers.
Se a uberização afetou a base, a inteligência artificial promete mexer com o teto da classe média. Uma análise da Citrini Research — uma empresa até então pouco conhecida — fez barulho em Wall Street ao sugerir que o avanço da IA pode transformar radicalmente o mercado de trabalho, o consumo e até o sistema financeiro.
O gatilho foi o relatório “A Crise de Inteligência Global de 2028”, que constrói um exercício de simulação escrito do ponto de vista do futuro. O otimismo com a IA aparece como euforia inicial, mas pode terminar em um colapso econômico sistêmico.
O colapso no roteiro clássico da classe média não se restringe ao Brasil e vai além da economia. Estamos falando também de um fenômeno emocional — a distância entre a realidade e o post no Instagram nunca foi tão grande.
Historicamente, o que costuma surgir desse vácuo são soluções simples — e, na maioria das vezes, erradas. Quanto maior a ansiedade econômica e tecnológica, maior a chance de um ambiente político e cultural mais polarizado.
As eleições de 2026 serão mais um bom termômetro da aderência dos discursos radicais com a população.
Imaginar um mundo “sem classe média”, formado apenas por uma meia dúzia de bilionários e bilhões na faixa da pobreza, é mais um exercício distópico do que um cenário provável.
Há quem diga que a inteligência artificial não apenas não vai agravar a situação social como pode ser a primeira tecnologia a beneficiar a classe média.
David Autor, economista do MIT que historicamente culpou o avanço da automação pela perda de empregos, agora entende que a IA permitirá que mais pessoas realizem trabalhos complexos que antes exigiam décadas de treinamento.
O resultado? Salários maiores para esses profissionais.
É claro que isso não virá de graça. Mesmo os mais otimistas acreditam que a adaptação não virá sem dor.
O futuro da classe média, portanto, não é desaparecer. É mudar de forma — e aprender a se mover nesse novo corpo, mesmo que ainda pareça estranho ao espelho.
Em outras palavras, talvez as coisas não estejam tão ruins assim para classe média. É só o “tipo de sofrimento” que mudou.
Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin
Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria
A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório
Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio
O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor
Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito
Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje
Mesmo que a guerra acabe, o mundo atravessa um período marcado por fragmentação e reorganização das cadeias globais de suprimento, mas existe uma forma simples e eficiente de acessar o que venho chamando de investimento “quase obrigatório” em tempos de conflito
O Nubank arrematou recentemente o direito de nomear a arena do Palmeiras e mostra como estratégia de marketing continua sendo utilizada por empresas
Conheça a intensa biografia de Mark Mobius, pioneiro em investimentos em países emergentes, e entenda quais oportunidades ainda existem nesses mercados
Ainda não me arrisco a dizer que estamos entrando em um rali histórico para os mercados emergentes. Mas arrisco dizer que, esteja onde estiver, Mobius deve estar animado com as perspectivas para os ativos brasileiros.
Com transformações e mudanças de tese cada vez mais rápidas, entenda o que esperar dos resultados das empresas no primeiro trimestre de 2026
Com a desvalorização do dólar e a entrada de gringos na bolsa brasileira, o Ibovespa ganha força. Ainda há espaço para subir?
Entenda como a entrada de capital estrangeiro nos FIIs pode ajudar os cotistas locais, e como investir por meio de ETFs
Confira qual é o investimento que pode proteger a carteira de choques cada vez mais comuns no petróleo, com o acirramento das tensões globais
Fundo oferece exposição direta às principais empresas brasileiras ligadas ao setor de commodities, permitindo ao investidor, em um único ativo listado em bolsa, acessar uma carteira diversificada de companhias exportadoras e geradoras de caixa
Conheça a história da Gelato Borelli, com faturamento de R$ 500 milhões por ano e 240 lojas no país
Existem muitos “segredos” que eu gostaria de sair contando por aí, especialmente para quem está começando uma nova fase da vida, como a chegada de um filho
Cerveja alemã passa a ser produzida no Brasil, mas mantém a tradição
Reinvestir os dividendos recebidos pode dobrar o seu patrimônio ao longo do tempo. Mas cuidado, essa estratégia não serve para qualquer empresa