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Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
Moro sai, Guedes se distancia

Pedidos de impeachment de Bolsonaro serão fortalecidos após saída de Moro, diz BMJ

Eventual demissão de Paulo Guedes não deve ser descartada, diz a consultora política Rebeca Lucena

24 de abril de 2020
14:55
O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro fala em Davos
O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, fala em Davos - Imagem: Alan Santos/PR/Fotos Públicas

Os pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro a serem analisados pela Câmara dos Deputados serão fortalecidos após o pronunciamento do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, apesar de este não ter grande prestígio no Poder Legislativo. A análise é da consultora política da BMJ Consultores Associados, Rebeca Lucena.

O fortalecimento desses pedidos deverão vir à tona mesmo com Moro não desfrutando do mesmo bom trânsito entre parlamentares como o ex-chefe da pasta da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, demitido em meio à pandemia do novo coronavírus.

Moro já protagonizou "embates na deliberação do Pacote Anticrime e na gestão da crise de supostas mensagens trocadas com procuradoras da Lava Jato", diz Lucena. Em pronunciamento hoje, acusou o presidente Bolsonaro de interferência política na Polícia Federal.

"A reação da classe política será uma verdadeira prova de fogo sobre os resultados da recente aproximação de Bolsonaro com o centrão", afirma a consultora. Se o movimento tiver sido bem azeitado, é possível que as promessas de cargos no segundo escalão arrefeçam o apetite dos parlamentares em criticar o governo, diz ela.

O avanço dos pedidos de impeachment dependerão, no entanto, da aprovação popular de Bolsonaro e da capacidade do presidente de mobilizar o Centrão e solidificar apoio na Câmara dos Deputados. "Para explorar este assunto politicamente, é esperado que deputados e senadores convidem Moro a prestar esclarecimentos no Congresso, mesmo que isso ocorra pelo sistema remoto."

A demissão deve ter um alto custo político para o governo, de acordo com a consultora, sendo possível que as próximas pesquisas de popularidade registrem um aumento da parcela que avalia o governo Bolsonaro como ruim ou péssimo.

"Diferente do que ocorreu com Mandetta, a demissão de Moro tem caráter divisivo justamente na camada do eleitorado que compõe o núcleo duro de sustentação de Bolsonaro (cerca de 1/3 da população brasileira)", afirma ela. Neste sentido, pode haver desidratação nesta parcela que o presidente se esforça em manter ao seu lado, diz Lucena.

Agenda econômica

Enquanto isso, diz Lucena, a agenda econômcia deverá ter dificuldade de progredir de avançar "mais pelo contexto socioeconômico nacional e global do que pela saída de Sergio Moro". Isto se deve ao foco econômico em meio à pandemia estar na ajuda à população mais vulnerável, além dos incentivos e desonerações concedidos ao setor produtivo em geral.

"Independente das últimas quedas de ministros, nas últimas duas semanas tem-se notado distanciamento do Ministro Paulo Guedes e falta de participação no anúncio de medidas econômicas", afirma a consultora, citando ausência do ministro no lançamento do programa Pró-Brasil, na terça-feira (21).

"A constatação tem um impacto direto na visão liberal que vinha sendo a tônica da atuação do governo Bolsonaro, com o comando de Paulo Guedes", afirma ela, dizendo também que eventual saída do ministro da Economia não pode ser descartada.

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