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2020-08-23T10:49:24-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Nova carta da gestora

Squadra segue vendida nas ações do IRB e aposta em Vale

Depois de chamar a atenção para inconsistências no balanço do IRB, gestora ainda enxerga uma “ótima relação risco x retorno” para permanecer com uma posição vendida relevante nas ações

23 de agosto de 2020
10:49
Guilherme Aché, sócio-fundador da Squadra Investimentos
Guilherme Aché, sócio-fundador da Squadra Investimentos - Imagem: Reprodução YouTube

Protagonista da maior história corporativa do ano ao apontar inconsistências no balanço da empresa de resseguros IRB Brasil RE, a gestora de fundos Squadra publicou uma nova carta aos investidores nesta sexta-feira.

Na publicação, a gestora informou que segue com posição vendida nas ações do IRB (IRBR3) mesmo depois da vertiginosa queda 76,8% no acumulado de 2020.

As cartas da Squadra viraram leitura obrigatória depois que a gestora divulgou um estudo em fevereiro para sustentar sua posição vendida nos papéis do IRB. A gestora apontou que os resultados da empresa de resseguros eram inflados por receitas não-recorrentes, ou seja, que não se repetiriam no futuro.

A antiga direção do IRB contestou a gestora, mas logo em seguida caiu depois da divulgação de notícias falsas de que o bilionário Warren Buffett seria sócio da companhia.

Após a troca no comando, a empresa republicou os balanços de 2019 e 2018, que mostraram um lucro líquido R$ 670 milhões menor do que o apresentado originalmente na soma dos dois períodos. O IRB também suspendeu a distribuição de dividendos e um programa de recompra de ações anunciado pela antiga direção.

“Fica difícil não chegar à conclusão de que nossa análise contribuiu para salvar o IRB”, escreveu a Squadra, na carta aos investidores. “Tivéssemos tardado alguns meses mais para dividi-la com os senhores, a Companhia teria desembolsado cerca de R$ 1 bilhão em dividendos adicionais e, possivelmente, outro bilhão em um programa de buyback aprovado em fevereiro, aumentando sobremaneira seu descasamento regulatório para uma situação potencialmente irreversível.”

A gestora carioca avalia que as medidas da nova gestão vão na direção correta, mas ainda enxerga uma “ótima relação risco x retorno” para permanecer com uma posição vendida relevante nas ações.

Comprada em Vale

Na ponta comprada, a Squadra tem como uma de suas principais posições a Vale (VALE3). A gestora aproveitou a forte queda das ações no pânico provocado pela crise do coronavírus para aumentar a exposição à mineradora.

Para a Squadra, a Vale já contava com uma boa situação antes da pandemia, e a desvalorização do real e do petróleo na crise ainda trouxeram o benefício de reduzir em termos dolarizados os custos de produção e de frete.

“Em resumo, ao mesmo tempo em que o preço da ação caía, a companhia se tornava ainda mais competitiva”, escreveu a gestora.

Ainda segundo a Squadra, a Vale ainda pode se beneficiar com uma eventual melhora da percepção dos investidores sobre os riscos atribuídos à companhia em aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) após as tragédias de Mariana e Brumadinho.

A gestora destaca as iniciativas recentes da Vale para evitar novos acidentes e acredita que, conforme o mercado perceber o empenho da empresa, a percepção desfavorável existente, refletida na cotação das ações, se reduza gradualmente.

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