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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Felipe Saturnino

Felipe Saturnino

Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.

mercados hoje

Trump recusa pacote de estímulos de democratas e derruba bolsas; dólar sobe a R$ 5,60

O presidente dos Estados Unidos vai negar o pacote de estímulos dos democratas no valor de US$ 2,4 trilhões, levantando dúvidas no mercado acerca da recuperação da maior economia do mundo

Jasmine OlgaFelipe Saturnino
6 de outubro de 2020
10:29 - atualizado às 17:23
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (6) que vai negar o pacote de estímulos fiscais dos democratas no valor de US$ 2,4 trilhões e derrubou as bolsas ao redor do mundo. Como resultado, o dólar retornou ao patamar de R$ 5,60.

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O republicano publicou a negativa em sua conta oficial no Twitter.

"Fizemos uma oferta muito generosa de US$ 1,6 trilhão de dólares e, como sempre, ela não está negociando de boa fé", disse Trump, referindo-se à presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi. "Estou rejeitando o seu pedido."

As negociações para o pacote estão paradas até a eleição, disse Trump, "quando, imediatamente após eu vencer, nós aprovaremos um grande pacote que foque em americanos que trabalham duro e pequenos negócios".

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A reação dos mercados foi instantânea. Às 16h20, o S&P 500 cai 1,4%, o Dow Jones, 1,4%, e o Nasdaq, 1,8%.

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O Ibovespa, por sua vez, tem queda de 0,53%, aos 95.579,99 pontos.

Na máxima intradiária, o Ibovespa chegou a avançar 1,37%, para 97.404,54 pontos, quando surfava a trégua no cenário político local após a reconciliação de Rodrigo Maia e Paulo Guedes e a recuperação do presidente americano Donald Trump, que deixou ontem o hospital após testar positivo para a covid.

"O Ibovespa acompanhou o movimento de aversão ao risco sistêmico, uma vez que a maior economia do mundo deve permanecer sem novos estímulos fiscais por mais tempo do que era previsto", diz Paloma Brum, analista da Toro Investimentos.

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De acordo com ela, os mercados se tornam receosos acerca da recuperação da maior economia do mundo após o posicionamento de Trump, com a visão de que são necessários mais estímulos para garantir a retomada.

Mais cedo, Jerome Powell, o presidente do Federal Reserve, fez o alerta de que a retomada dos Estados Unidos será mais veloz se houver a combinação de política fiscal com monetária. Os juros estabelecidos pelo Fed, o banco central americano, atualmente se encontram na faixa de 0% a 0,25%.

“Neste estágio inicial, eu diria que os riscos da intervenção política ainda são assimétricos”, disse Powell. “Muito pouco apoio levaria a uma recuperação fraca, criando dificuldades desnecessárias.”

Discurso cauteloso

Segundo Powell, mesmo que as ações de estímulo acabem se revelando maiores do que o necessário, "elas não serão um desperdício".

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"Powell fez um discurso cauteloso", diz Igor Cavaca, analista de investimentos da Warren. "Ele ressaltou que a recuperação ainda não atingiu o esperado, e que o espaço de realização de política monetária está pequeno."

Ari Santos, operador de renda variável da Commcor, observa que os investidores também optam por realizar alguns lucros após a expressiva alta de ontem.

Dólar volta aos R$ 5,60

Antes de Trump elevar a aversão ao risco nos mercados financeiros globais e incentivar a busca por dólar, a moeda americana já operava em queda mais tímida frente ao real, uma vez que os investidores sopesavam as falas de Powell e o cenário político local.

O dólar avança 0,67%, cotado a R$ 5,60. Na máxima, subiu 0,89%, para R$ 5,61, e, na mínima, chegou a cair 1,49%, para R$ 5,48.

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Segundo Sidnei Nehme, diretor-executivo da corretora NGO Associados, o mercado também voltou a acordar para os "problemas latentes" da economia brasileira, o que explicava a queda mitigada da moeda na sessão de hoje.

"As questões do Brasil, como a fiscal, continuam aí", afirma ele. "Houve um certo relaxamento, pela reconciliação, mas o mercado logo volta a enxergar os problemas latentes."

Cleber Alessie, operador de câmbio da Commcor, diz que a performance do mercado de câmbio logo cedo repercutia o jantar entre Guedes e Maia de ontem, mas que a cautela com o risco fiscal permanece.

"Foi uma injeção de otimismo", diz Alessie. "O mercado pode ter devolvido algumas posições de hedge, mas o pano de fundo com o fiscal é o mesmo. Precisamos ver avanços concretos."

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Europa no azul

Os sinais da abertura dos mercados ajudaram as bolsas, com a promessa de estímulos monetários.

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, falou que a recuperação da zona do euro será "incompleta, incerta e desigual" e também "agitada", mas disse que está preparada para cortar os juros e aumentar os estímulos.

Isso funcionou para as bolsas da Europa, que terminaram o dia em alta.

O FTSE 100, em Londres, fechou o dia em alta de 0,12%, enquanto o Dax, em Frankfurt, teve avanço de 0,62%. O CAC-40, em Paris, subiu 0,48%.

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