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O pessimismo dos investidores em relação ao avanço do coronavírus, somado ao cenário político doméstico cada vez mais deteriorado, pressionaram o Ibovespa e fizeram o dólar à vista subir mais de 2%
As segundas-feiras não têm dado sorte ao Ibovespa: nos dias 9 e 16 de março, o índice brasileiro teve perdas de mais de 10%; hoje, dia 23, caiu 5,22%, fechando a sessão aos 63.569,62 pontos — uma nova mínima neste ano e o menor nível de encerramento desde 10 de julho de 2017.
Isso não é à toa: já que não há pregão durante o fim de semana, os investidores devem esperar até segunda-feira para repercutir o noticiário do sábado e domingo. E, de algumas semanas para cá, tem sido muito raras as novidades positivas.
Assim, com um caminhão de fatores ruins a serem digeridos, as segundas-feiras têm sido pesadas, e hoje não foi diferente. Bom, se serve de consolo, ao menos não tivemos mais um circuit breaker na bolsa — algo que ocorreu na abertura das últimas duas semanas...
Lá fora, a situação não foi muito diferente: na Europa, as principais praças fecharam em queda e, nos Estados Unidos, o Dow Jones (-3,04%), o S&P 500 (-3,35%) e o Nasdaq (-0,27%) recuaram em bloco.
No câmbio, o dólar à vista até começou o dia tranquilo, chegando a aparecer por alguns minutos no campo negativo. No entanto, essa calmaria rapidamente se esvaziou: ainda durante a manhã, a moeda americana virou para alta, terminando a sessão com ganhos de 2,15%, a R$ 5,1347.
Todo esse movimento, é claro, tem como ponto de partida o avanço do surto de coronavírus pelo mundo. Com países inteiros em isolamento para tentar conter o avanço do vírus, a percepção é a de que a economia global vai ser severamente impactada.
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E, em paralelo ao pânico gerado pela pandemia, também há o pessimismo em relação ao cenário político doméstico, com uma deterioração cada vez maior nas relações entre o presidente Jair Bolsonaro e os demais membros da classe política, em especial o Congresso e os governos estaduais.
O surto global de coronavírus continua trazendo enorme pessimismo aos investidores. A doença segue avançando em ritmo preocupante pelo mundo, forçando as pessoas a ficarem em casa e paralisando o ritmo de atividade global.
No mundo todo, já são mais de 16 mil mortes e 370 mil ocorrências confirmadas, de acordo com levantamento feito pela universidade John Hopkins, nos EUA — no Brasil, já são 34 óbitos e mais de 1800 casos confirmados, de acordo com informações recém divulgadas pelo ministério da Saúde:
Por aqui, medidas mais drásticas começaram a ser tomadas por parte de diversos governos estaduais. Em São Paulo, foi decretada quarentena por 15 dias, o que obriga todos os comércios não-essenciais a fecharem as portas durante esse período — uma medida que foi replicada por muitos Estados, em maior ou menor escala.
Mas a postura displicente do governo federal em meio à crise do coronavírus é motivo de estresse para os investidores domésticos. O presidente Jair Bolsonaro tem batido de frente com os governadores e assumido um discurso de que o surto não é grave, o que deteriora ainda mais o cenário político do país.
Nesta manhã, o governo publicou uma MP que permitia a suspensão do contrato de trabalho por quatro meses, medida que foi amplamente criticada das redes sociais e que desencadeou reações negativas por parte de outras lideranças políticas, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.
Assim, dada a falta de adesão à proposta, o próprio Bolsonaro voltou atrás e anunciou via Twitter que revogará esse item da MP — um episódio que apenas contribuiu para aumentar a percepção de isolamento do presidente.
E, nesse ambiente político belicoso, cresce o temor de que os efeitos negativos do surto de coronavírus para a sociedade e a economia serão ainda maiores.
Pacotes anunciados mais cedo pelos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos até afastaram parcialmente o sentimento negativo do mercado, mas sem forças para sustentar uma recuperação das bolsas.
Por aqui, o BC anunciou a redução temporária da alíquota do compulsório sobre recursos a prazo, de 25% para 17% — segundo a autoridade monetária, a mudança deve liberar R$ 68 bilhões ao sistema financeiro a partir da semana que vem.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ira expandir os programas de empréstimos, de modo a dar maior sustentação à economia. A instituição vai comprar US$ 375 bilhões em Treasuries e mais US$ 250 bilhões em outros títulos, somente nesta semana.
Tais medidas vão na mesma direção, tentando contornar a queda na atividade e a redução na liquidez — a ideia é tentar amenizar ao máximo os impactos negativos da crise do coronavírus.
Mas, em meio ao avanço do coronavírus pelo mundo e à falta de perspectiva em relação à retomada da vida normal, a leitura é a de que a economia global será severamente impactada.
Em meio ao pessimismo e às projeções de desaceleração abrupta na economia, os investidores voltaram a apostar num novo corte da Selic como ferramenta para estimular a atividade doméstica.
Assim, as curvas de juros de curto prazo fecharam em baixa nesta segunda-feira, enquanto os DIs mais longos avançaram, prevendo uma elevação na Selic após o choque inicial do coronavírus:
Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa nesta segunda-feira:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| WEGE3 | Weg ON | 35,20 | +8,83% |
| PCAR4 | GPA PN | 71,88 | +6,92% |
| SUZB3 | Suzano ON | 28,80 | +5,15% |
| MRFG3 | Marfrig ON | 7,43 | +4,50% |
| AZUL4 | Azul PN | 14,28 | +3,48% |
Confira também as maiores baixas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| HGTX3 | Cia Hering ON | 11,18 | -17,19% |
| NTCO3 | Natura ON | 21,25 | -15,57% |
| BRKM5 | Braskem PNA | 10,07 | -14,66% |
| UGPA3 | Ultrapar ON | 10,69 | -13,30% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | 26,11 | -12,97% |
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