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2020-01-02T19:20:02-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Começando 2020 com o pé direito

Ibovespa dispara 2,53% no primeiro pregão do ano e fecha acima dos 118 mil pontos em nova máxima histórica

2020 já começou com novo recorde para o Ibovespa; bolsa reagiu com otimismo à data marcada para assinatura do acordo comercial entre EUA e China.

2 de janeiro de 2020
19:08 - atualizado às 19:20
Foguete voando na frente do Ibovespa
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A bolsa brasileira começou 2020 com o pé direito. No primeiro pregão do ano, nesta quinta-feira (2), o Ibovespa disparou como um foguete em direção ao inédito patamar dos 118 mil pontos e fechou com uma alta de nada menos que 2,53%, aos 118.573,10, na máxima do dia. Trata-se de um novo recorde de fechamento.

O índice começou o pregão de hoje nos 115.651,95, ou seja, teve um avanço de nada menos que 2.699,31 num único dia.

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As negociações também foram animados nas bolsas estrangeiras, embora os movimentos não tenham sido tão intensos quanto foram por aqui. As bolsas asiáticas, europeias e americanas também fecharam em alta, e no caso de Nova York, também houve novos recordes de fechamento.

O Dow Jones fechou com alta de 1,16%, aos 28.868,80 pontos; o S&P 500 avançou 0,84%, para os 3.257,85 pontos; e o Nasdaq teve ganho de 1,33%, aos 9.092,19 pontos.

De olho na guerra comercial

E os motivos de tanta festa foram as duas maiores economias do mundo. No fim do ano passado, Estados Unidos e China fecharam a primeira fase do acordo que pode pôr fim à guerra comercial entre os dois países.

No apagar das luzes de 2019, o presidente americano Donald Trump confirmou que a assinatura do acordo está marcada para 15 de janeiro, e ainda sinalizou que as negociações da segunda fase já estariam engatilhadas.

Além disso, o governo chinês anunciou, ontem, um estímulo pontual à economia do país. O banco central chinês disse que cortaria a taxa de reserva obrigatória dos bancos, liberando o equivalente a quase US$ 115 bilhões na economia.

Como a B3 não teve pregão nem no dia 31 nem no dia 1º, o mercado brasileiro ainda não tinha reagido a todas as novidades. Mas também houve fatores locais que contribuíram para a disparada do Ibovespa.

Dois dados divulgados hoje reforçaram a ideia de que está ocorrendo uma retomada na economia. O número de emplacamentos de veículos novos em 2019 foi o maior desde 2014, segundo a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Já o Índice de Confiança Empresarial (ICE), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), atingiu 97,1 pontos em dezembro, maior marca desde janeiro de 2019.

Dólar e juros

O dólar à vista começou o dia em queda, mas fechou em alta de 0,31%, a R$ 4,0242, em dia de volumes reduzidos no mercado de câmbio.

Os juros futuros, por sua vez, começaram o dia em alta e fecharam em baixa. O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2021 caiu de 4,561% para 4,525%; o DI para janeiro de 2023 recuou de 5,794% para 5,78%; e o DI para janeiro de 2027 caiu de 6,763% para 6,71%.

Empresas

As ações da B3 (B3SA3) tiveram a segunda maior alta do Ibovespa depois que a companhia anunciou uma redução de tarifas no mercado de ações, de modo a beneficiar os investidores pessoas físicas. Os papéis subiram 5,78% nesta quinta.

No fim de 2019, as ações da B3 apanharam com a expectativa de ter seu monopólio quebrado no mercado brasileiro, ao fechar acordo para processar operações a bolsas de valores concorrentes.

As ações do frigorífico JBS (JBSS3) também passaram a figurar entre as maiores altas do Ibovespa impulsionadas pela notícia de um surto de gripe aviária na Polônia na última terça (31). O vírus identificado foi o H5N8, considerado altamente patogênico pelos organismos de saúde.

Doenças como esta e a peste suína na China reduzem a oferta mundial de proteína animal, abrindo espaço para as carnes brasileiras no mercado internacional, além de puxar os preços para cima.

Também favoreceu os papéis a possível venda da fatia que o BNDESPar detém na empresa. As ações fecharam em alta de 5,43%.

Fora do Ibovespa - mas não por muito tempo - as ações da companhia de softwares de gestão Totvs (TOTS3) avançaram 7,13%, depois de terem sido incluídas na próxima carteira teórica do Ibovespa.

Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa:

  • Cogna ON (COGN3): +6,74%
  • B3 ON (B3SA3): +5,78%
  • Qualicorp ON (QUAL3): +5,66%
  • JBS ON (JBSS3): +5,43%
  • Via Varejo ON (VVAR3): 5,01%

Confira também as ações que tiveram pior desempenho no índice:

  • Yduqs ON (YDUQ3): -1,58%
  • Natura ON (NTCO3): -0,88%
  • Taesa UNIT (TAEE11): -0,71%
  • Bradespar PN (BRAP4): -0,65%
  • Sabesp ON (SBSP3): -0,02%

*Com Estadão Conteúdo

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