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Companhia foi beneficiada pela volatilidade dos mercados, fluxo estrangeiro e aumento das negociações em renda variável e derivativos
As ações da B3 (B3SA3) operam em alta nesta sexta-feira (8), após a dona da bolsa brasileira divulgar um balanço acima das expectativas do mercado e receber novos elogios do Citi.
O banco norte-americano reiterou recomendação de compra para os papéis e manteve preço-alvo de R$ 23 para os próximos 12 meses, após avaliar que a companhia entregou um trimestre marcado por receita recorde, crescimento expressivo dos lucros e forte alavancagem operacional.
O preço-alvo de R$ 23 implica um potencial de valorização de quase 30% em relação ao fechamento anterior, de R$ 17,78.
Perto das 14h (de Brasília), as ações da B3 avançavam mais de 1% no Ibovespa, cotadas próximo de R$ 18. Na máxima do dia, os papéis chegaram a ser cotados a R$ 18,30.
Em relatório, os analistas do Citi afirmaram que a B3 apresentou um trimestre “forte em termos de atividade de mercado”, com crescimento disseminado entre as diferentes linhas de receita.
Na avaliação do banco, a companhia conseguiu combinar expansão das receitas com disciplina de custos, mesmo em um cenário ainda pressionado por juros elevados e incertezas macroeconômicas.
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O Citi também destacou que a estratégia de diversificação de receitas segue funcionando para a companhia.
Mesmo com a recuperação do mercado de renda variável, os negócios fora das negociações de ações ainda representaram 77% da receita total da empresa no primeiro trimestre de 2026.
Outro ponto que chamou atenção dos analistas foi o controle das despesas. Os custos ajustados cresceram apenas 6% em relação ao mesmo período do ano passado, ritmo bem inferior ao avanço das receitas.
Além disso, uma carga tributária menor do que a esperada ajudou a impulsionar os resultados da companhia. O Citi estima que a alíquota efetiva de impostos ficou em 28%, abaixo da projeção anterior de 34%.
“A menor carga tributária foi a cereja do bolo”, escreveram os analistas do banco.
Na visão do Citi, ainda existe espaço para novos resultados acima do consenso do mercado nos próximos trimestres, especialmente se a atividade nos mercados continuar resiliente.
A B3 reportou lucro líquido recorrente de R$ 1,5 bilhão entre janeiro e março, alta de 33% na comparação anual e acima das expectativas do Citi e do consenso do mercado.
Um dos principais destaques do trimestre foi a recuperação do mercado de ações.
O volume médio diário negociado em ações à vista alcançou R$ 34,8 bilhões no período, salto de 46% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já o volume médio diário de contratos negociados avançou 16%.
As receitas totais da companhia cresceram 20% na comparação anual e atingiram um recorde trimestral, impulsionadas não apenas pelo desempenho da renda variável, mas também pelas áreas de tecnologia, plataformas e soluções para mercado de capitais.
Em entrevista à Reuters, o diretor financeiro da B3, André Milanez, afirmou que o trimestre reforçou a importância da estratégia de diversificação da companhia.
Segundo ele, os negócios mais recorrentes seguiram apresentando bom desempenho, enquanto as áreas mais sensíveis ao ciclo econômico aceleraram de forma expressiva.
O executivo destacou que o fluxo estrangeiro ajudou a impulsionar os volumes negociados em renda variável, enquanto a volatilidade causada pelas discussões sobre cortes de juros e pelas incertezas provocadas pela guerra no Irã elevou a movimentação em diferentes mercados.
“Tudo isso se traduziu em um resultado também recorde histórico para a companhia, em receita e em lucro”, afirmou.
Milanez também avaliou que ainda há espaço para a continuidade da entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira. No primeiro trimestre, o saldo positivo do fluxo externo para renda variável foi de R$ 38 bilhões.
Por outro lado, ele ponderou que o investidor local ainda enfrenta um ambiente de juros elevados, o que limita uma migração mais forte para a bolsa.
“É difícil ver uma migração de fluxo mais forte para a renda variável”, disse. Segundo o CFO, um movimento mais consistente dependeria de juros menores ou de uma sinalização mais clara de queda da Selic.
O executivo também comentou sobre o mercado de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs), que segue praticamente parado desde 2021.
Segundo Milanez, o início do ano trouxe mais otimismo para a retomada das aberturas de capital, mas o cenário ficou mais desafiador após o agravamento da guerra no Irã, que aumentou a volatilidade e as preocupações com inflação e juros.
“Todo mundo está tentando entender o que isso vai significar do ponto de vista de direção do Banco Central quanto à política monetária”, afirmou.
Apesar disso, ele destacou que há uma fila relevante de empresas prontas para acessar o mercado quando o ambiente melhorar. De acordo com o CFO, cerca de 100 companhias poderiam fazer ofertas nos próximos 18 meses.
Além disso, aproximadamente 50 empresas já possuem registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas ainda não estrearam na bolsa.
Para Milanez, o IPO da Compass Gás e Energia pode servir como um teste importante para o mercado brasileiro de capitais.
A empresa precificou sua oferta nesta sexta-feira (8), em uma operação que pode encerrar um jejum de quase cinco anos sem IPOs na B3.
“Tudo indica que vai ser um IPO bem-sucedido pelo que temos escutado, e isso pode abrir ou animar outras companhias e investidores a tentarem esse caminho”, afirmou o executivo.
*Com informações da Reuters
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