“Não poderíamos estar mais preparados” — presidente da Azul (AZUL3) comenta impacto da guerra; aérea quase zera o prejuízo
Em teleconferência com analistas, Abhi Shah detalhou como a companhia está tentando se blindar da disparada nos preços dos combustíveis na esteira dos conflitos no Oriente Médio

Que a Azul (AZUL3) é uma empresa aérea, todo mundo sabe, mas quem está voando mesmo são os preços dos combustíveis — especialmente, o querosene de aviação. Desde o início da guerra do Irã, a principal questão que ronda a companhia recém-saída da recuperação judicial é como os efeitos colaterais do conflito mexem com os resultados financeiros do grupo.
E quem explica é o presidente da Azul, Abhi Shah. Em teleconferência com analistas nesta quinta-feira (7), ele detalhou as medidas que a empresa vem tomando para se proteger da disparada dos custos atrelados à guerra. Segundo ele, a aérea “não poderia estar mais bem posicionada” para esse cenário.
“Já estávamos com um perfil de crescimento muito conservador para este ano, de cerca de 1% no geral. O primeiro trimestre veio negativo em 2,7% e, além disso, já retiramos cerca de 5% da capacidade prevista para maio e junho. Muito provavelmente, aquele plano anterior de crescimento agora ficará negativo no acumulado do ano”, afirmou.
A lógica por trás desse movimento é que ao reduzir a oferta de voos e operar com uma capacidade mais enxuta, a Azul diminui a necessidade de consumo de combustível.
Além disso, uma oferta menor de assentos ajuda a sustentar tarifas mais altas, permitindo que a companhia tente compensar parte da pressão de custos causada pela alta do petróleo.
Por volta das 13h, as ações AZUL3 subiam 1,25% na bolsa, a R$ 39. No início do pregão, os papéis chegaram a avançar 3,84%, a R$ 41,15.
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O que mais a Azul está fazendo para se proteger da guerra?
Além do perfil conservador, a Azul também aposta na renovação da frota internacional para reduzir a exposição ao combustível. Segundo Shah, a substituição das aeronaves acontece em um timing considerado “perfeito” pela companhia.
“Estamos reduzindo nossa exposição ao combustível ao longo dos próximos três a seis meses, que devem ser justamente o pico dos preços do combustível”, afirmou o executivo.
Aviões mais novos tendem a consumir menos querosene de aviação por voo, além de apresentarem ganhos de eficiência operacional.
Outro fator que, segundo a Azul, ajuda a proteger a empresa neste momento é a própria estrutura da malha aérea da companhia. Shah afirmou que cerca de 90% da capacidade da Azul está em rotas nas quais a companhia opera sozinha ou possui posição dominante.
Isso dá mais flexibilidade para reajustar preços das passagens sem enfrentar uma competição tão intensa quanto a observada em mercados mais disputados, como as rotas entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Segundo o executivo, o setor já realizou nove aumentos tarifários desde o fim de fevereiro — oito deles de 10% e um de 15%. Com isso, as tarifas médias reservadas da Azul já estão mais de 30% acima do registrado anteriormente.
Azul tem prejuízo mais de 90% menor no 1T26
A companhia divulgou na manhã desta quinta-feira (7) os resultados do primeiro trimestre de 2026, com prejuízo líquido ajustado de R$ 44,4 milhões, uma redução de 97,6% em relação à perda de R$ 1,8 bilhão nos três primeiros meses de 2025.
A linha ajustada exclui os direitos de conversão relacionados às debêntures, outros itens da reestruturação e os ativos fiscais diferidos reconhecidos no primeiro trimestre. Além disso, o desempenho é ajustado pelos resultados não realizados de derivativos e variação cambial.
Sem isso, a aérea reportou lucro líquido de R$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 81,5% na comparação anual.
“Quando excluímos esses efeitos não recorrentes e contábeis, conseguimos enxergar uma melhora muito significativa da operação no trimestre”, afirmou o CEO da Azul, John Rogerson, na mesma teleconferência.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede o desempenho operacional, teve melhora de 22,6% na comparação anual, totalizando R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre de 2026.
A margem Ebitda, que mostra a eficiência da operação principal do negócio, avançou 5,4 pontos percentuais ante mesmo período do ano passado, chegando a 31,1%. A receita operacional atingiu R$ 5,5 bilhões, um aumento de 1,4% ano contra ano.
Além disso, a dívida total da Azul caiu em R$ 14 bilhões, para R$ 20,6 bilhões. Segundo a companhia, a redução reflete a conclusão bem-sucedida da reestruturação financeira.
Mais destaques do balanço
A receita por assento-quilômetro disponível (Rask) totalizou R$ 43,94 no 1T26, crescimento de 4,3% ano contra ano, enquanto o custo operacional por total de assentos-quilômetro oferecidos (Cask) caiu 5,7% no trimestre, para R$ 35,55.
Isso significa que, para cada assento disponibilizado voando por um quilômetro, a Azul arrecadou cerca de R$ 0,44 e gastou aproximadamente R$ 0,36 para operar. Quanto maior a distância entre Rask e Cask, maior tende a ser a rentabilidade operacional da companhia aérea.
A capacidade da Azul, medida pelo ASK (assentos-quilômetro disponíveis), caiu 2,7% no primeiro trimestre de 2026. O indicador representa a quantidade total de assentos ofertados pela companhia multiplicada pela distância voada.
“Mesmo operando com menor capacidade no trimestre, entregamos resultados recordes de primeiro trimestre em receita, Rask, Ebitda e Ebit, reforçando a força e a flexibilidade do nosso modelo de negócios”, afirmou Rogerson.
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