A Selic não caiu como Fred Trajano esperava: CEO do Magazine Luiza (MGLU3) comenta balanço fraco e aposta em virada no 2T26
Em teleconferência nesta sexta-feira (8), o CEO do Magazine Luiza comentou sobre o cenário macro, que segue pressionando a empresa e é um dos grandes fatores pelos quais ele não topa entrar na guerra dos preços online

Um trimestre depois de Fred Trajano inaugurar, cheio de ânimo, uma nova fase para o Magazine Luiza (MGLU3), a teleconferência sobre os resultados dos três primeiros meses do ano teve um tom mais baixo astral na manhã desta sexta-feira (8).
Segundo o JP Morgan e o BTG Pactual, a companhia divulgou um balanço fraco na noite de ontem (8), já que o desempenho das lojas físicas não foi suficiente para compensar a forte desaceleração do e-commerce.
Além disso, a taxa de juros em patamares elevados também foi um problema no trimestre, com o peso das despesas financeiras.
Durante a teleconferência, o CEO destacou que a companhia segue priorizando rentabilidade e disciplina operacional, mesmo diante de um ambiente mais desafiador para o consumo online e para categorias discricionárias.
“No início do ciclo de cortes, tínhamos até uma expectativa mais ambiciosa de redução da taxa de juros, o que não se materializou. Então enquanto a Selic pressiona nossas despesas financeiras, continuamos preservando as margens com um controle forte de despesas e não vamos entrar nas guerras de preço no e-commerce online”, afirmou Trajano.
Cabe lembrar que há alguns trimestres a empresa fez uma decisão estratégica de desacelerar nas vendas online via 3P, quando o Magalu atua como plataforma intermediária da venda, para se esquivar de uma batalha que vem sendo travada no segmento.
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Players como Mercado Livre (MELI34) têm renunciado à rentabilidade para crescer no Brasil, om investimentos pesados que pressionam as margens — algo que pesou no balanço da argentina ontem, por sinal.
Por volta das 11h45, as ações do Magazine Luiza caíam quase 8,69% no Ibovespa, a R$ 7,25, na segunda maior queda do índice, que subia 0,99% no mesmo horário, a 185.028,59 pontos.
Além dos juros, o que mais enfraqueceu os resultados do Magazine Luiza
Segundo o executivo, as vendas em lojas físicas foram impactadas também por efeitos climáticos e questões da indústria de hardware.
“Nesse primeiro trimestre, o mercado de bens duráveis acabou sendo impactado por uma questão climática. As categorias de ar-condicionado e ventilação, que são muito relevantes para a gente, tiveram uma queda significativa porque o verão foi mais frio e chuvoso do que no ano passado, quando tivemos temperaturas muito mais elevadas”, destacou Trajano.
Segundo Trajano, categorias como informática e telefonia celular também sentiram os efeitos do aumento do custo de memória no primeiro trimestre, o que reduziu a agressividade comercial da indústria e acabou pressionando as vendas nesses segmentos — algo que já se estabilizou para o próximo resultado.
A virada vem no segundo trimestre
Se neste trimestre a teleconferência de resultados teve uma energia mais xoxa, a do próximo promete ser mais animada, pelo menos é isso que o CEO do Magalu espera.
“Obviamente, vemos o segundo trimestre como um trimestre de virada, principalmente do ponto de vista de crescimento no online. A Copa do Mundo costuma ser sazonalmente muito positiva para a gente”, destacou o executivo.
Já para a segunda metade do ano, os bons ventos são esperados com quedas maiores da Selic.
Vale ressaltar que a empresa já informou que a cada corte de 1 ponto percentual na taxa básica, há um alívio de R$ 100 milhões a R$ 120 milhões nas despesas financeiras do Magalu.
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