Embraer (EMBJ3) tem pior queda no Ibovespa após balanço, mas bancos mantêm recomendação: entenda por que ainda vale ter a ação no bolso
Mesmo com queda de mais de 10% no preço das ações, bancos acreditam que a fabricante tem potencial para continuar crescendo e entregar tudo o que prometeu aos acionistas

Mesmo com crescimento no número de aeronaves entregues e receita recorde para o trimestre, o balanço da Embraer (EMBJ3) veio mais fraco que o esperado pelo mercado. Como consequência, as ações caíam 10,53% por volta das 15h desta sexta-feira (8), a maior queda no Ibovespa, principal índice da bolsa de valores.
Ainda assim, o Itaú BBA afirma que sua expectativa sobre a fabricante de aeronaves não mudou — a Embraer continua sendo uma história de crescimento de dois dígitos e com potenciais de crescimento que ainda não foram totalmente incorporados ao preço da ação.
Já o BTG Pactual acredita que a empresa ainda pode entregar tudo que prometeu. "No geral, vimos o trimestre como fraco, mas seguimos acreditando que a Embraer pode entregar o guidance, ou potencialmente superá-lo", disse o banco em relatório.
Como foi o resultado da Embraer
A empresa registrou uma receita recorde de R$ 7,5 bilhões entre janeiro e março, alta de 18% na comparação anual e maior patamar já registrado pela companhia para um primeiro trimestre. O resultado foi 7% acima do consenso.
A Embraer entregou 44 aeronaves no 1T26, alta de 47% em relação ao ano anterior.
O novo recorde foi impulsionado principalmente por Defesa & Segurança e Aviação Comercial.
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Mas todas as unidades de negócios tiveram um bom desempenho no trimestre, segundo a companhia. Por exemplo, a receita da Defesa & Segurança cresceu 47% comparada ano contra ano, Aviação Comercial avançou 32%, Aviação Executiva registrou alta de 17%, e Serviços & Suporte subiu 4%.
As tarifas de importação dos Estados Unidos tiveram impacto negativo de US$ 12 milhões sobre os resultados da unidade de aviação executiva no trimestre.
O Ebitda ajustado, que mede lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização e é uma forma de acompanhar a rentabilidade de uma empresa, atingiu R$ 749,4 milhões (Ebitda), alta de 18,8%. Já o Ebit ajustado atingiu R$ 488,6 milhões, avanço de 36%. A margem Ebit ajustada ficou em 6,4% ante 5,6% um ano antes.
O lucro líquido, porém, caiu 51%, para R$ 145 milhões, ficando abaixo das projeções.
De acordo com o Safra, essa pior comparação no ano a ano reflete, em especial, uma base de comparação forte. No ano passado, a companhia teve um forte ganho em imposto diferido US$ 124 milhões no primeiro trimestre.
O que fazer com as ações agora
"A tese de investimento permanece intacta", afirmaram os analistas do Itaú BBA, que reiteraram recomendação outperform (equivalente à compra) para os papéis da fabricante, citando perspectivas de crescimento de dois dígitos e potenciais catalisadores ainda não precificados pelo mercado.
Entre eles, os analistas mencionaram o avanço da Eve, oportunidades em defesa na Índia e nos Estados Unidos e eventual melhora do ambiente geopolítico global.
Para o BTG, um dos problemas da companhia foi o seu desempenho acima do projetado por alguns trimestres consecutivos. "Em parte, acreditamos que isso também reflete expectativas mais elevadas antes da divulgação dos resultados, principalmente após os números de entregas acima do esperado já divulgados anteriormente", disse.
O banco projeta uma continuidade do crescimento de entregas, além de melhorias no mix de clientes, impacto tarifário próximo de zero e forte momento de vendas de aeronaves. Dessa forma, o banco mantém recomendação de compra.
A avaliação do Safra é de outperform, a partir do cenário de crescimento de receita, expansão em todas as divisões e sinais de melhora de margem ajustada, quando excluídos itens não recorrentes.
Com Money Times e Estadão Conteúdo
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