O gringo saiu e a Vale (VALE3) sentiu: ações caem 3% com debandada estrangeira e pressionam Ibovespa
Ações da mineradora recuaram com aversão ao risco global, enquanto minério de ferro avançou na China; bancos seguem otimistas com dividendos

As ações da Vale (VALE3) seguiram em trajetória de queda nesta segunda-feira (4), em meio à saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira. O movimento acompanhou a piora do apetite por risco global, com o aumento das tensões no Oriente Médio.
Mais cedo, o Irã afirmou ter forçado um navio de guerra dos Estados Unidos a recuar no Estreito de Ormuz após um disparo de advertência. O Comando Central dos EUA (Centcom), no entanto, negou rapidamente qualquer ataque com míssil.
Mesmo em um dia de maior aversão ao risco, o minério de ferro foi na contramão e avançou 1,6% na Dalian Commodity Exchange, na China, encerrando a 796 yuans por tonelada (US$ 116,39).
Nem o fôlego da commodity foi suficiente para segurar VALE3, que enfrentou mais um pregão no vermelho.
Com o peso da mineradora, o Ibovespa ganhou tração negativa ao longo do dia e fechou em baixa de 0,92%, aos 185.600,12 pontos. Já VALE3 recuou 3,10%, a R$ 78,66, embora ainda acumule alta de quase 10% no ano.
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Resultado operacional fica abaixo do esperado
A pressão sobre os papéis não se resumiu a hoje. Na semana passada, a Vale já havia recuado mais de 5% após divulgar seus dados financeiros do primeiro trimestre de 2026.
Na leitura do Itaú BBA, o desempenho veio misto. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) proforma somou US$ 3,9 bilhões, alta de 21% na comparação anual, mas abaixo do esperado pelo mercado, puxado principalmente por custos mais elevados.
“Enquanto a divisão de metais básicos teve avanço relevante, impulsionada por preços e volumes maiores de cobre e níquel, o negócio de minério de ferro sofreu com deterioração de custos, pressionado por câmbio mais forte e petróleo mais caro”, afirma o banco.
Para o BBA, esse cenário aumenta os riscos para o cumprimento das metas de custos ao longo do ano e pode levar a revisões negativas de resultados, mesmo com o suporte de preços mais altos do minério.
Apesar disso, o banco manteve recomendação de compra para VALE3, com preço-alvo de R$ 101 para o fim de 2026 — um potencial de valorização de cerca de 24% frente ao último fechamento.
Dividendos da Vale seguem no radar
O BTG Pactual também reiterou a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 85,50, ao avaliar que os números do primeiro trimestre foram impactados por fatores sazonais.
“Com os preços das matérias-primas próximos dos seus níveis máximos, os efeitos sazonais prestes a diminuir e a empresa bem protegida contra a inflação de custos, acreditamos que a tese de compra se mantém intacta”, dizem os analistas.
O banco ainda projeta um retorno (dividend yield) de cerca de 8% para a Vale em 2026.
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