Mercado Livre (MELI34) faz exatamente o que prometeu, mas investidores chiam e ações caem quase 13%. Acabou a paciência?
Bancos avaliam que a companhia segue executando a estratégia esperada pelo mercado, mas a combinação de margens pressionadas, lucro em queda e novos investimentos reacendeu o debate sobre até onde o Mercado Livre pode sacrificar rentabilidade para acelerar crescimento

Os investidores do Mercado Livre (MELI34) já sabem, há bastante tempo, que a companhia está disposta a sacrificar rentabilidade no curto prazo para acelerar o crescimento. Ainda assim, a cada nova divulgação de resultados, o mercado volta a se assustar ao ver exatamente aquilo que a empresa já vinha avisando que faria. É justamente o que está por trás da queda das ações nesta sexta-feira (8).
A plataforma argentina de nascença e brasileira de coração divulgou o balanço do primeiro trimestre na última quinta-feira (7) e, como esperado, os números mostraram forte crescimento das vendas, mas margens pressionas, com queda no lucro líquido e Ebit (lucro antes de juros e impostos).
As ações do Mercado Livre negociadas na Nasdaq (MELI) caíram 12,72% hoje, cotadas a US$ 1.631,58. Na B3, os BDRs da companhia (MELI34), recuaram 8,99%, para R$ 66,88.
O Mercado Livre está trocando rentabilidade por crescimento: get over it
Apesar da reação negativa dos investidores, o Itaú BBA deixa claro: o Mercado Livre está fazendo o que precisa fazer.
"A plataforma deixou absolutamente claro que defender e expandir seu fosso competitivo vale mais do que a aparência das margens no curto prazo, algo que é totalmente alinhado aos melhores manuais de alocação de capital em um ambiente de competição intensa", afirma o time de análise do banco em relatório.
No entanto, na visão do BBA, os números do primeiro trimestre vieram mistos, já que a qualidade operacional foi compensada por frustração em Ebit e lucro por ação. Confira os resultados do Mercado Livre nesta reportagem do Seu Dinheiro.
Leia Também
"Como resultado, o Ebit caiu cerca de 20% na comparação anual, e o lucro por ação recuou aproximadamente 16%, movimento inteiramente explicado pela compressão das margens no Brasil. O desempenho acabou pesando sobre as ações, especialmente considerando que a companhia ainda negocia a cerca de 31 vezes o lucro projetado para 2027", escreve o time de análise do banco.
O BTG Pactual ressalta que a narrativa dos últimos trimestres não mudou e mesmo assim segue alimentando as preocupações dos investidores. Os analistas também consideram o resultado como misto, pelos mesmos motivos que o Itaú BBA.
"Dito isso, os indicadores operacionais foram excepcionais, com diversos recordes sobre bases já elevadas, reforçando a qualidade da execução", diz o BTG.
De acordo com o banco, o trimestre foi impulsionado por crescimento de 38% das vendas no Brasil na comparação anual, número acima das expectativas graças aos investimentos agressivos no marketplace.
Outros pontos importantes, na visão do BTG, foram a compressão deliberada das margens no Brasil e a rápida expansão da carteira de crédito, com margem financeira líquida após perdas resiliente, apesar do aumento das provisões para perdas.
"A trajetória de rentabilidade é a principal restrição para as ações. O grande debate continua sendo onde está o piso das margens e quando começará a inflexão positiva, algo que vemos mais concentrado no segundo semestre de 2026, preparando o terreno para uma retomada relevante do crescimento de Ebit e lucro por ação", diz o relatório.
O Citi, por outro lado, destacou que, embora os investimentos de longo prazo já estejam impulsionando o engajamento dos usuários — movimento refletido na aceleração do crescimento das vendas — e a administração siga convicta de que essa é a estratégia correta, o banco vê pouco espaço para uma expansão relevante das margens via alavancagem operacional ou diluição de custos, mesmo entre 2026 e 2028.
"A companhia também está avançando sobre novos perfis de usuários, especialmente em crédito e adquirência, o que adiciona novas necessidades de investimento e torna prematuro avaliar quando a intensidade dos gastos poderá diminuir de forma relevante", diz em relatório.
Apesar das margens, amanhã há de ser outro dia?
O BTG Pactual revisou para baixo as estimativas para o Mercado Livre após interpretar que a margem Ebit, que mede a eficiência da operação, de cerca de 7% registrada no primeiro trimestre, representa o novo “botão de ajuste” da companhia — e, ao mesmo tempo, um provável piso para a rentabilidade no curto prazo.
"A margem de contribuição caiu para cerca de 8%, uma retração de 9,4 pontos percentuais na comparação anual e de 1 ponto frente ao trimestre anterior, no menor patamar em vários anos", diz o relatório.
Mas a pressão ainda não acabou. O impacto mais pesado deve aparecer entre abril e junho, já que a plataforma passará a capturar uma fatia menor de receita por venda justamente em categorias mais disputadas, nas quais decidiu reduzir preços e comissões de vendedores para defender participação de mercado e acelerar o crescimento da plataforma — algo que a Amazon também fez.
Assim, o BTG reduziu a projeção de margem Ebit para 2026 de 8,6% para 7,5%, o que derrubou a estimativa de Ebit anual de US$ 3,37 bilhões para cerca de US$ 3,05 bilhões.
No entanto, o time de análise pondera que a deterioração das margens vem acompanhada de uma forte aceleração operacional.
O banco elevou as projeções de crescimento das vendas, principalmente por conta do desempenho acima do esperado no Brasil.
Para o lucro líquido, a estimativa caiu de US$ 2,28 bilhões para US$ 2,02 bilhões. Ainda assim, o BTG avalia que, caso a interpretação sobre o “botão de ajuste” esteja correta, o espaço para novas revisões negativas tende a ser mais limitado daqui para frente.
O que fazer com as ações?
Tanto o BTG Pactual, como o Itaú BBA e o Citi recomendam a compra dos papéis, com preços-alvo de US$ 2.700, US$ 2.250 e US$ 2200, respectivamente. São altas potenciais de 44,4%, 20,3% e 17,6% em relação ao fechamento da última quinta-feira.
RADAR DE FIIS
Fundo imobiliário leva calote de inquilino em recuperação judicial; entenda o impacto no bolso dos cotistas
23 de setembro de 2026 - 13:01SD ENTREVISTA
Tubarões saem e varejo entra: sinal de alerta para os FIIs? LAREAL revela o que os institucionais estão vendo
23 de setembro de 2026 - 6:01AS MAIS SAUDÁVEIS
Dasa (DASA3) é compra para o UBS BB, mas banco revela outras 2 favoritas — uma delas para dividendos
22 de setembro de 2026 - 19:50EM DESACELERAÇÃO
FIIs de shoppings sob pressão: é hora de separar o joio do trigo — e o BTG Pactual já escolheu os ativos favoritos
21 de setembro de 2026 - 20:01EM ESPERA...
Nubank, BTG Pactual e Banco do Brasil: os gringos já escolheram onde investir, agora só falta o gatilho certo para apertar compra
21 de setembro de 2026 - 17:19DIRETO PELA B3
IA, Ibovespa e até farmacêuticas gringas: Itaú BBA diz como investir em 800 ações com retorno de 23% ao ano sem dor de cabeça
18 de setembro de 2026 - 19:20EM TOM DE CAUTELA
Lula turbina Bolsa Família em 15% e faz o Ibovespa perder 3 mil pontos. Por que o mercado torceu o nariz?
17 de setembro de 2026 - 13:00DEU RUIM
Ação da Marcopolo (POMO4) despenca 26% no ano e XP rebaixou para neutra; mas há 2 fatores que podem impulsionar a ação
17 de setembro de 2026 - 12:46ONDE APOSTAR NA BOLSA
Lula ou Flávio? Você não deve esperar as eleições para se posicionar nestas ações, segundo a Kinea
17 de setembro de 2026 - 9:01VISÃO DO GESTOR
Multimercados não morreram, mas o jogo mudou: XP Asset aposta em nova estratégia e até mudança nas taxas para voltar a dar retorno
17 de setembro de 2026 - 6:14FECHAMENTO DOS MERCADOS
Os 30 minutos que selaram o destino da bolsa em Nova York — e do Ibovespa — após a alta dos juros nos EUA
16 de setembro de 2026 - 17:15CONSOLIDAÇÃO DA CARTEIRA
Fundo imobiliário que rende IPCA+ 10%? Patria quer unir FIIs e criar gigante de crédito de R$ 4,5 bilhões
16 de setembro de 2026 - 13:01LATAM RETAIL SHOW 2026
FIIs são o ‘match perfeito’ para o setor de shopping centers, segundo gestores; saiba onde estão as melhores oportunidades
15 de setembro de 2026 - 21:19ESTRATÉGIA DOS ESTRANGEIROS
Os gringos estão de olho no Ibovespa, mas as eleições assustam; veja o que diz pesquisa com gestores que reúnem US$ 90 bi
15 de setembro de 2026 - 18:45RECOMENDAÇÃO DE COMPRA
Cyrela (CYRE3), Porto (PSSA3) e RD Saúde (RADL3): o que elas têm em comum e como podem saltar até 55%?
15 de setembro de 2026 - 16:40EM BUSCA DA ESTABILIDADE
Da Petrobras (PETR4) ao BTG (BPAC11) e Embraer (EMBJ3): as ações que o Citi escolheu para enfrentar a montanha-russa das eleições
15 de setembro de 2026 - 11:17INVESTIMENTO ESG
Energia limpa na Bolsa: novo ETF da Galapagos amplia aposta em empresas brasileiras e tem apoio do BNDES
14 de setembro de 2026 - 19:47PARA ONDE VAI A BOLSA
BofA está otimista e tem nova projeção para a Selic; banco já elegeu suas ações preferidas para investir em cenário mais positivo para juros
14 de setembro de 2026 - 19:07DÍVIDA NA CARTEIRA
FIIs de tijolo estão de olho na alavancagem e reduzem endividamento — mas um segmento vai na contramão; entenda o motivo
14 de setembro de 2026 - 17:10MERCADOS HOJE