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Sem tirar o coronavírus do radar, o Ibovespa aparece novamente no campo negativo, aguardando o parecer do Federal Reserve em relação à taxa de juros nos EUA
O Ibovespa até ensaiou um movimento positivo nesta manhã, mas a cautela logo tomou conta do mercado. A tensão ainda elevada em relação ao coronavírus, combinada com a decisão de juros nos Estados Unidos, puxam o índice para baixo.
O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve as taxas inalteradas na faixa entre 1,50% e 1,75% ao ano, um movimento que já era aguardado pelos investidores. E, dada a falta de surpresas, os mercados pouco se mexeram após a decisão.
Por volta de 17h05, o Ibovespa operava em queda de 0,52% aos 115.874,34 pontos. Nos Estados Unidos, a toada também continua a mesma: o Dow Jones (+0,28%), o SP 500 (+0,23%) e o Nasdaq (+0,37%) seguem com um leve viés positivo.
O mercado doméstico de câmbio também teve um dia de maior pressão: o dólar à vista fechou em alta de 0,62%, a R$ 4,2193 — é o maior nível de encerramento desde 29 de novembro do ano passado (R$ 4,2407).
A decisão do Fed foi unânime. No comunicado, a instituição disse que a atual política monetária é "apropriada para suportar a expansão econômica", dadas as condições mais fortes do mercado de trabalho e o retorno da inflação para perto dos 2%.
O comitê disse ainda que vai considerar as condições do mercado de trabalho, indicadores de pressão inflacionária e expectativa de inflação, além de leituras sobre o desenvolvimento do mercado financeiro e internacional para futuros ajustes.
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Agora, o mercado acompanhará atentamente a coletiva de imprensa do presidente da instituição, Jerome Powell, às 16h30, buscando pistas quanto ao futuro da política monetária do país. Eventuais citações aos impactos econômicos gerados pelo coronavírus também serão monitoradas.
E, falando nesse assunto, o noticiário referente à disseminação da doença continua inspirando alguma cautela. No mundo, já são 132 mortos e mais de seis mil casos confirmados, a maioria na China — já há relatos de pessoas contaminadas no Oriente Médio.
No mercado de câmbio, o dia foi de valorização do dólar em escala global, tanto em relação às moedas fortes quanto as de países emergentes, em meio à expectativa com a decisão de juros nos EUA.
O dólar se valorizou em relação ao peso mexicano, ao rublo russo, a peso colombiano, ao rand sul-africano e ao peso chileno, entre outras moedas. Assim, o real seguiu a tendência global, embora tenha apresentado um dos piores desempenhos do grupo.
O posicionamento do Fed mexeu de maneira mais firme com o mercado de juros: as curvas se afastaram das mínimas, com os investidores acreditando que a manutenção das taxas nos EUA poderá influenciar a decisão do Copom, na semana que vem.
Veja como ficaram as curvas mais líquidas nesta quarta-feira:
No front corporativo, destaque para as units do Santander Brasil (SANB11), que operavam em queda de 2,57% — mais cedo, chegaram a subir 3,01%.
Nesta manhã, o banco reportou um lucro líquido gerencial de R$ 3,726 bilhões no quarto trimestre de 2019, alta de 9,43% na base anual — no acumulado do ano, os ganhos totalizaram R$ 14,55 bilhões, avançando 17,4% em relação a 2018.
Ainda falando em balanços, Cielo ON (CIEL3) cai 3,31% e aparece entre as maiores baixas do Ibovespa. A empresa reportou números trimestrais considerados fracos, mas, ainda assim, os papéis avançaram 3,57% — desta forma, boa parte dos ganhos é devolvida hoje.
Confira abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta quarta-feira:
Veja também as maiores baixas do índice no momento:
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