De carona com a Uber? Ações derrapam no 1º pregão e tem queda de mais de 7%
Ainda que tenha sido a abertura de capital mais aguardada do ano, o calendário não ajudou muito. Isso porque houve o acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China e problemas no próprio setor de empresas de tecnologia na mesma semana

Apesar da grande expectativa do mercado, as ações da Uber (código UBER) derraparam no primeiro dia de negociações na bolsa de Nova Iorque (NYSE). Os papéis terminaram a sexta-feira cotados em US$ 41,60, uma queda de mais de 7% em relação ao preço estipulado na abertura de capital (US$ 45).
Ao longo do dia, as ações da Uber até que tentaram bater a casa dos US$ 44,85. Mas voltaram a cair e fecharam o dia abaixo até mesmo do preço em que começaram a ser negociadas nesta sexta-feira, aos US$ 42.

Fonte: Yahoo Finance
A justificativa pode estar atrelada a vários fatores. John Tuttle, executivo-chefe de operações da NYSE (bolsa de Nova Iorque), disse, em entrevista ao site Yahoo Finance, que "há duas variáveis que costumam impactar no preço do IPO: as condições do mercado e como duas companhias comparáveis estão performando dentro desse mercado".
Ao comentar o caso, Tuttle fazia referência a Lyft, principal rival norte-americana do Uber e que abriu capital na bolsa americana no fim de março deste ano.
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Os papéis da empresa também não estão indo muito bem. Hoje, por exemplo, as ações da Lyft terminaram o dia com desvalorização de 7,43%, cotadas em US$ 51,09.
Calendário não ajudou
Mesmo o fato de o IPO da Uber ter sido um dos mais esperados de Wall Street, há quem diga que o calendário também não colaborou. A abertura de capital ocorre na mesma semana em que os mercados reagiram ao acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China.
Hoje, os Estados Unidos elevaram as tarifas de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses.
E ainda que os twitts de Donald Trump tenham diminuído um pouco o suspense que estava sobre os mercados no fim da tarde, a situação não ficou 100%. Um dos principais índices da bolsa de Nova Iorque, o S&P 500 terminou o dia com leve alta de 0,37%, cotado em 2.881,40 pontos.
De olho na Lyft
O desapontamento de alguns investidores focados em empresas de tecnologia está relacionado também aos resultados apresentados pela Lyft no começo desta semana. Segundo os dados divulgados, a companhia registrou US$ 776 milhões em receitas nos primeiros três meses do ano e superou as expectativas dos analistas.
Mas nem tudo foram flores. A Lyft apresentou um prejuízo de US$ 1,1 bilhão, em grande parte atrelado aos US$ 859 milhões de remuneração baseada em ações, despesa que tem a ver o IPO dela.
Turbulência
Ao que tudo indica, a experiência da Lyft pode adicionar uma pimentinha aos atuais desafios da Uber. Na avaliação de Dan Ives, diretor de gestão da casa de análise Wedbush Securities, os papéis da Uber ainda podem sofrer com a forte volatilidade nos próximos dias.
"Conversamos com muitos investidores e eles hesitaram comprar os papéis por conta do que ocorreu com a Lyft. A ideia é esperar que as ações se estabilizem para acumular posições mais significativas, especialmente porque o mercado está preocupado com a situação externa. Além disso, as empresas de tecnologia estão sofrendo com as notícias desta semana", destacou Ives.
IPO
Em sua abertura de capital, a Uber levantou US$ 8,1 bilhões quando precificou ontem (9) suas ações. A companhia estabeleceu que sua expectativa de valorização será de no mínimo de US$ 82,4 bilhões. O número é bem mais conservador.
Anteriormente, o valor estipulado era de US$ 120 bilhões. A projeção foi feita pela própria empresa no ano passado.
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