Menu
2019-04-04T14:26:10-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Juros

Estímulo monetário está adequado e crescimento depende de reformas

Em ata, Banco Central (BC) reforça cautela, serenidade e perseverança e afirma que incerteza impede retomada mais acelerada da atividade

12 de fevereiro de 2019
9:18 - atualizado às 14:26
Reunião do Copom com Ilan Goldfajn à frente
Copom destaca cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária - Imagem: Beto Nociti/BCB

O Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou a ata de sua primeira reunião de 2019, que aconteceu na semana passada e manteve a Selic em 6,5% ao ano. Do documento, o colegiado voltou a destacar que os riscos de alta para inflação ainda estão maiores que os de baixa, que a taxa de juros está estimulativa e que a incerteza com relação às reformas é que impede uma retomada mais rápida da atividade.

O Copom também reafirma sua preferência por manter um maior grau de flexibilidade, abstendo-se de fornecer indicações sobre seus próximos passos na condução da política monetária.

Mesmo sem aceno de novas reduções da Selic pela frente, o documento permite vislumbrar um longo período de estabilidade do juro básico em 6,5%, o que é sempre boa notícia para os ativos de risco como bolsa de valores,  setor imobiliário e fundos imobiliários. Na renda fixa, os prêmios já caíram bastante nos papéis do Tesouro Direto, mas ainda é possível garimpar oportunidades. Mas há outros bons negócios em outros ativos de renda fixa.

Os termos “cautela, serenidade e perseverança” voltam a aparecer quando o colegiado fala sobre a melhor forma de manter a trajetória da inflação em direção às metas, compromisso máximo na condução da política monetária.

A culpa é da incerteza

Desde o fim do ano passado assistimos a um debate se haveria ou não espaço para o BC ampliar o estímulo monetário, tendo em vista uma inflação que surpreende para baixo e um crescimento que teima e não engrenar.

Entramos nesse debate aqui e aqui, mas a ata parece informar que o BC vê o atual juro real, na casa de 2,3% ao ano, provendo o estímulo adequado para a atividade, sem colocar em risco a convergência da inflação às metas de 4,25% neste ano e 4% em 2020.

Essa indicação transparece em alguns pontos da ata, notadamente no novo parágrafo destinado às avaliações sobre a atividade. O Copom debateu evidências de algum arrefecimento da atividade no quarto trimestre de 2018, quando comparado ao terceiro trimestre. Mas considerando os choques que incidiram ao longo de 2018, os membros do colegiado concluíram que a evolução da atividade econômica tem sido consistente com o cenário básico, de recuperação gradual da economia. O BC espera crescimento de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019.

“Os membros do Copom ressaltaram que uma aceleração de ritmo de retomada da economia dependerá da diminuição das incertezas em relação à aprovação e à implementação das reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na economia brasileira”, diz o documento.

Além disso, os membros do colegiado também ressaltaram a importância de outras iniciativas que visam aumento de produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de negócios. “Esses esforços são fundamentais para a retomada da atividade econômica e da trajetória de desenvolvimento da economia brasileira.”

É como se o BC dissesse que de sua parte ele está fazendo o possível, mas que a política monetária sozinha não vai conseguir levar a economia a uma taxa de crescimento mais acelerada, reduzindo, assim, o alto nível de ociosidade dos fatores de produção.

Outra avaliação possível é que com a realização de reformas e consequente redução do juro estrutural, o BC poderia manter o juro nominal (Selic) no patamar atual por ainda mais tempo.

Em algum momento, a política monetária terá de ser normalizada. Isso pode ser feito pela elevação do juro nominal (Selic), pela redução da taxa estrutural, via reformas, ou por uma combinação das duas coisas. No entanto, esse momento ainda parece um pouco distante.

Em março, um novo Copom

Tem grande chance de essa ter sido a última reunião presidida por Ilan Goldfajn. Agora em fevereiro, deve acontecer a esperada sabatina com o indicado para o posto, Roberto Campos Neto, que dependendo dos demais trâmites estaria apto a comandar o Copom dos dias 19 e 20 de março.

Desde que foi indicado ao posto em novembro do ano passado, Campos Neto optou por não dar declarações. Então, sua ida à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado deve ser bastante concorrida, já que todos querem saber o que ele pensa, agora como banqueiro central.

Também há chance de o Copom de março ter novos membros na diretoria. Reinaldo Le Grazie já foi exonerado do cargo por razões pessoais e para o seu lugar o indicado é Bruno Serra Fernandes, economista formado pelo Ibmec, com mestrado em Economia pela USP. Fernandes fez carreira no sistema financeiro atuava com responsável no Itaú Unibanco pela mesa de renda fixa proprietária. Enquanto, Fernandes não assume, Carlos Viana responde como diretor de Política Monetária. Tiago Berriel está acumulando as diretorias de Assuntos Internacionais e Política Econômica, que é de Viana. Então, esse Copom teve de oito votos.

Outro nome indicado a ser sabatinado é João Manoel Pinho de Mello, que foi secretário do extinto Ministério da Fazenda. Ele assumira a diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, com a saída, também a pedido, de Sidnei Corrêa Marques, que estava há oito anos na função.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

efeito coronavírus

Brasil perde 860 mil empregos formais em abril

O mercado de trabalho perdeu 860,5 mil vagas formais apenas em abril, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta quarta-feira (27). O número de contrações no mês somou 598,5 mil e de desligamentos chegou a 1,4 milhão. No mesmo período do ano passado, o saldo foi positivo em 129,6 mil. Em […]

ECONOMIA

Petrobras fará nova oferta de títulos globais; montante ainda não foi revelado

A Petrobras fará nova oferta de títulos globais. Em nota ao mercado, a companhia afirma que a subsidiária Petrobras Global Finance B.V. (PGF) planeja oferecer uma ou mais séries de títulos no mercado norte-americano em uma nova emissão, de valor ainda não revelado. A PGF pretende usar os recursos líquidos da venda dos títulos para […]

Exile on Wall Street

Elogio aos líderes falíveis: as ações da XP ficaram caras

A XP vale hoje R$ 93 bilhões. É mais do que Banco do Brasil. Quase o mesmo de Santander

Tranquilidade no câmbio

Ibovespa sobe e dólar cai a R$ 5,28; animação externa contagia o mercado brasileiro

O dólar à vista engata a sexta baixa seguida e o Ibovespa avança mais de 1%, sustentados pelo alívio global após o lançamento de um pacote de estímulo bilionário na Europa

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta quarta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

OPERAÇÃO PLACEBO

‘Vai ter mais’, diz Bolsonaro sobre ação da PF no Rio

Nesta terça-feira, 26, a corporação cumpriu mandado de buscas e apreensão no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel (PSC), e em outros endereços ligados ao governo do Estado.

medida anticrise

UE lança plano de apoio à economia de 750 bilhões de euros

O “Próxima geração” ainda precisa de aprovação por todos os Estados-membros para entrar em vigor; seriam 11,5 bilhões já neste ano

'gabinete do ódio'

Aliados de Bolsonaro são alvos de operação contra fake news

Roberto Jefferson, dono da Havan e ativistas bolsonaristas estão entre os alvos; investigação trata de ameaças, ofensas e fake news disseminadas contra integrantes da Corte e seus familiares

POLÍTICA INTERNACIONAL

Trump ameaça regular ou fechar plataformas de mídia social por “viés político”

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quarta-feira, em sua conta oficial no Twitter, que seu governo irá “regular fortemente” ou fechar as plataformas de mídia social “antes de permitir” que elas “silenciem totalmente as vozes conservadoras”. Segundo Trump, é essa a percepção do Partido Republicano. “Nós vimos o que elas tentaram fazer, e […]

Tudo que vai mexer com seu dinheiro hoje

16 notícias para começar o dia bem informado

Warren Buffett se desfez de todas as suas ações de companhias aéreas americanas durante a crise do coronavírus. Ele viu um risco elevado no segmento – e não uma oportunidade de levar barganhas. Será que ele estava certo? No seu texto de hoje, o mestre Ivan Sant’Anna traz um panorama sobre os efeitos da crise […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements