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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Onde investir em 2019

Qual a boa do Tesouro Direto em 2019?

Mesmo com a Selic no menor patamar da história, a renda fixa ainda traz boas oportunidades. Saiba quais títulos públicos vão se destacar no próximo ano

28 de dezembro de 2018
13:30 - atualizado às 12:32
Fique de olho nas oportunidades entre os títulos pré e os atrelados à inflação. Imagem: POMB/Seu Dinheiro

Com a taxa básica de juros em 6,5% ao ano, investimentos que pagam a variação da Selic ou do CDI provavelmente não serão os mais rentáveis de 2019. Mas isso não significa que não haja boas oportunidades na renda fixa. Mesmo entre os conservadores títulos públicos há ótimas pedidas, para todos os perfis de investidor. Então vem comigo para descobrir quais são os melhores investimentos no Tesouro Direto em 2019.

Onde investir em 2019

Esta matéria faz parte de uma série de reportagens sobre onde investir em 2019, com as perspectivas para os diferentes ativos. São eles:

Onde investir em 2019: Seu Dinheiro vai mostrar o cenário esperado para cada classe de ativos - Imagem: Ilustração: Pomb

Leia abaixo o panorama completo para o Tesouro Direto no ano que vem e quais as melhores oportunidades em títulos públicos.

Para onde vai a Selic?

O retorno e as oportunidades na renda fixa estão diretamente ligados às perspectivas para a Selic, nossa taxa básica de juros. Estas, por sua vez, são determinadas pelas expectativas para o crescimento econômico, a inflação e o câmbio.

A atual meta para a taxa Selic, de 6,5% ao ano, é a menor da nossa história. Por consequência, nunca tivemos um retorno nominal tão baixo nos investimentos mais conservadores, aqueles cujos rendimentos são atrelados às taxas de juros. O atual patamar da Selic pode ser considerado bastante expansionista para padrões brasileiros - isto é, de forte estímulo ao crescimento econômico.

Num primeiro momento, portanto, não teríamos por que esperar novos cortes, até porque estamos saindo da recessão, ainda que timidamente. Ao contrário, talvez já fosse hora de passarmos a esperar que o Banco Central começasse a aumentar lentamente os juros.

O problema é que a nossa economia ainda não está reagindo de forma significativa. As empresas permanecem com grande capacidade ociosa, e a inflação segue bastante controlada. A expectativa do mercado, inclusive, é que os preços continuem assim, mesmo com a redução da meta de inflação para os próximos anos.

Com isso, abriu-se um espaço confortável para que a Selic se mantenha estável em 6,5% por um bom tempo, conforme já sinalizou o Banco Central.

“Já vimos um fechamento da curva de juros, principalmente depois que o BC falou que o balanço de riscos melhorou. Parece que os diretores da entidade estão bem tranquilos em relação à agenda”, diz Marcelo Sande, head de produtos e renda fixa da Genial Investimentos.

De uma forma geral, o mercado espera que a Selic seja mantida ou sofra uma leve alta no segundo semestre do ano que vem. De acordo com o último Boletim Focus, o juro deve terminar 2019 em 6,50% ou 7,25%, subindo para 8,00% até o final do ano seguinte, dado que a meta de inflação para 2020 cai de 4,5% para 4,0%.

Mas, embora não seja consenso, alguns analistas já esperam até uma nova redução da taxa de juros. Não é o cenário mais provável, mas já está no radar.

Riscos para o bem e para o mal

Em 2019, a economia brasileira está sujeita a dois riscos principais, que podem impactar negativamente a inflação e o crescimento, levando a um aumento antecipado ou acima do esperado das taxas de juros.

EUA e o crescimento global

O primeiro fator de risco vem do exterior. Se a economia americana sinalizar um crescimento forte demais, o Fed pode acabar subindo os juros mais rápido ou acima do que é esperado.

Como resultado, o dólar subiria, pressionando inflação e juros por aqui. Atualmente, a perspectiva é de que os EUA subam os juros duas vezes em 2019.

Soma-se a este risco o temor de uma desaceleração econômica global, que inclui Europa, Japão e China, nossa principal parceira comercial. Mas o fator EUA é preponderante.

Vai ter reforma da Previdência?

O segundo fator de risco é interno e envolve a questão da reforma da Previdência. Uma eventual manutenção ou redução da Selic está basicamente condicionada à aprovação rápida de uma reforma significativa, conforme o BC também já andou sinalizando.

O mercado concorda. Uma demora nesse sentido ou a aprovação de uma reforma inócua poderia, pelo contrário, motivar o BC a antecipar ou intensificar a alta dos juros.

Mas segundo Marcelo Guterman, especialista de produtos e investimentos da Western Asset, a casa está “moderadamente otimista” com o cenário e acredita que há mais riscos para o lado positivo que para o lado negativo.

“Achamos que a inflação americana está sob controle e que o crescimento do país não é explosivo. Com isso, acreditamos que o Fed deve manter o plano de voo, o que já está precificado, então é um risco ok”, diz Guterman.

Quanto ao risco interno, o especialista ressalta que a agenda econômica do governo, comandada pelo futuro ministro Paulo Guedes, é positiva. “O problema é que a parte política do governo ainda não parece muito convencida. A reforma da Previdência pode azedar, dependendo da forma como seja conduzida”, observa.

A Western Asset, no entanto, espera que a reforma seja aprovada, que a economia volte a crescer e que os juros voltem a subir no segundo semestre, o que já está precificado.

A casa não descarta ainda um cenário mais otimista para os juros, mas um pouco menos provável: o de que o crescimento não reaja tão bem e que, por conta disso, a inflação continue surpreendendo para baixo. Se, além disso, a reforma da Previdência for aprovada e o cenário exterior não piorar, pode realmente acontecer um novo corte na Selic.

Marcelo Sande, da Genial, considera que existem riscos políticos no novo governo, mas a equipe econômica e o ambiente que está se formando indicam que a agenda de reformas será cumprida.

“Acredito que alguma coisa consistente da reforma da Previdência será aprovada, e o mercado está precificando isso. Se não ocorrer, voltaremos a um cenário de aversão a risco, mas tudo parece estar sendo encaminhado para que se concretize”, diz.

Sande acrescenta que a aprovação precisa ser rápida para que o otimismo do mercado com a economia do país continue. “Dois ou três meses para encaminhar, o mercado ver o que está sendo proposto, e seis meses para aprovar. Mais tempo que isso traria instabilidade de novo”, prevê.

Os melhores investimentos no Tesouro Direto em 2019

Tendo em vista este cenário, separei para você os melhores investimentos entre os títulos públicos em 2019. Eles podem ser adquiridos tanto via Tesouro Direto, o programa de compra e venda de títulos públicos pelas pessoas físicas do Tesouro Nacional, quanto no mercado secundário, via mesa de operações da sua corretora de valores.

A operação no secundário, entretanto, é restrita a investidores com mais recursos. As aplicações costumam começar na casa dos R$ 50 mil. Mas é neste mercado que normalmente operam os investidores que visam a lucrar com a valorização dos títulos públicos.

Tesouro Selic (LFT) de qualquer prazo

O título mais conservador do Tesouro Direto paga a variação da Selic no vencimento, mais um ágio ou deságio conforme a demanda pelo papel no dia da compra.

Pode ser vendido antes do vencimento sem risco de retorno negativo, pois sua valorização também tende a acompanhar a taxa básica de juros.

O Tesouro Selic é mais rentável quando os juros estão altos ou têm perspectiva de subir muito (por exemplo, quando a expectativa é de um aumento da aversão a risco).

Não é o caso de 2019. Mas então por que ele está na lista dos títulos públicos recomendados?

Simples. Porque investimentos de renda fixa conservadora, de boa liquidez, e atrelados à Selic ou ao CDI são sempre boas pedidas, independentemente do cenário econômico.

É neles que você deve investir a sua reserva de emergência, o seu caixa para aproveitar as boas oportunidades de investimento que surgem ao longo do ano e o dinheiro para objetivos de curto prazo. Estes são recursos que não podem correr qualquer tipo de risco.

Adicionalmente, se o tempo fechar e o Banco Central precisar subir muito a taxa básica de juros, o investimento em Tesouro Selic pode te proteger.

Títulos prefixados e atrelados à inflação de longo prazo

Os títulos prefixados são aqueles que pagam um rendimento nominal já conhecido no ato da compra do título, como 9% ao ano, 10% ao ano, e assim por diante. São negociados como Tesouro Prefixado (LTN) e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F).

Já os papéis atrelados à inflação pagam uma taxa prefixada mais a variação da inflação pelo IPCA. Por exemplo, 5% ao ano + IPCA ou 6% ao ano + IPCA. São negociados como Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B).

Existem duas formas de investir nesses papéis:

  1. A forma conservadora é ficando com o título até o vencimento, para garantir a rentabilidade contratada no ato do investimento.
  2. Já a forma arrojada, especulativa, é tentando lucrar com a valorização do título por meio da venda antes do fim do prazo. A venda antecipada é sempre feita a preço de mercado, e pode resultar tanto em ganhos quanto em perdas, conforme a variação dos preços.

Em 2019, tanto os investidores conservadores quanto os mais arrojados terão chance de lucrar com títulos pré e indexados à inflação.

Mas as boas oportunidades de ganho estarão especificamente entre os títulos de longo prazo: prefixados com vencimentos a partir de 2025 e NTN-B com vencimentos superiores a 2026.

Caso as boas perspectivas para a economia brasileira se concretizem - sem surpresas negativas lá fora e um bom encaminhamento para a reforma da Previdência - a tendência é a redução do risco-país e dos juros de longo prazo.

Tal cenário derrubaria as remunerações desses papéis, elevando seus preços. Lembre-se: quando os retornos dos prefixados e das NTN-B caem, seus preços sobem, e vice-versa.

Para quem é mais conservador e gosta de levar os títulos ao vencimento, é uma boa ideia garantir agora as altas rentabilidades que esses papéis ainda estão pagando. Afinal, é possível que taxas como as atuais não se repitam no futuro.

Não é nada mau assegurar uma rentabilidade na casa dos 5,00% ao ano acima da inflação pelos próximos 20 ou 30 anos quando a taxa de juro real considerada estrutural ou neutra - aquela que não estimula nem atrapalha o crescimento - está na casa dos 4,00%. E há no mercado quem já fale em juro real neutro da ordem de 2,50% a 3,00%.

Já os mais arrojados podem se beneficiar do potencial de valorização que esses títulos ainda têm, conforme mostrei nesta outra reportagem. Trata-se, neste caso, de uma oportunidade de ganho de curto ou médio prazo com a venda antecipada do papel.

Esse ganho será ainda maior caso a Selic de fato se mantenha estável por mais tempo ou passe por um novo corte. Este não é o cenário mais provável, mas já é considerado possível.

Como também já mostrei aqui no Seu Dinheiro, quem comprou prefixados e NTN-B quando os retornos estavam ainda mais altos assistiu a uma grande valorização desses papéis nos últimos anos.

Para estes investidores, vale a pena mantê-los na carteira. Eles ainda podem se valorizar um pouco mais e, caso a intenção seja levá-los ao vencimento, taxas reais superiores a 6,00% ao ano podem ser consideradas excelentes.

Qual devo comprar, afinal?

Entre prefixados e NTN-B, o investidor mais arrojado deve preferir os primeiros caso esteja muito confiante de que o cenário benéfico para a economia brasileira vai se concretizar.

Títulos pré são mais arriscados e voláteis que NTN-B de mesmo prazo, posto que não contam com a proteção contra a inflação. Mas isso representa também um maior potencial de valorização.

O que você deve evitar é a compra de títulos de prazos mais curtos. Na opinião dos especialistas com quem eu conversei, esses papéis já embutem nos preços as perspectivas mais prováveis - reação do crescimento e leve alta dos juros no segundo semestre - e só terão chance de se valorizar caso a Selic passe por um novo corte.

As NTN-B curtas podem, inclusive, se desvalorizar caso a inflação continue surpreendendo para baixo.

“A parte curta da curva de juros já andou bastante. O que os investidores estão começando a fazer agora é realmente alongar”, diz Marcelo Sande, da Genial. Para ele, a parte longa da curva “ainda tem algo para andar”, principalmente quando os investidores estrangeiros começarem a apostar em peso nessa posição.

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