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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Taxa Selic

Banco Central mantém juros em 6,5% ao ano e reitera cautela, serenidade e perseverança

Decisão do colegiado foi unânime e aceno é de manutenção do juro básico por longo período. Boa notícia para os ativos de riscos

6 de fevereiro de 2019
18:31 - atualizado às 14:21
Reunião do Copom com Ilan Goldfajn à frente
Copom destaca cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária - Imagem: Beto Nociti/BCB

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros, a Selic em 6,5% ao ano em reunião nesta quarta-feira. A decisão foi unânime e veio em linha com as previsões do mercado. Segundo o Banco Central (BC), a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente.

Isso é boa notícia para os ativos de risco, como bolsa de valores, e para o setor imobiliário e fundos imobiliários. Na renda fixa, os prêmios já caíram bastante nos papéis do Tesouro Direto, mas ainda é possível garimpar oportunidades. Mas há outros bons negócios em outros ativos de renda fixa.

No comunicado apresentado após a decisão, o colegiado comandado por Ilan Goldfajn, afirma “que cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, têm sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas”.

Sem novidades em termos de comunicação em comparação com a reunião de dezembro, Relatório de Inflação e entrevistas, resta aguardar a ata da reunião, que sai na terça-feira.

Ainda de acordo com o Copom, a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O juro real (swap 360 dias descontado da inflação projetada em 12 meses) está na casa dos 2,3% ao ano. Já as estimativas para o juro de equilíbrio têm ampla variação, com cálculos oscilando entre 4% a 2,5%.

A discussão que se trava em parte do mercado e da academia é o quão estimulativo estaria o juro, diante de uma atividade econômica que segue fraca e com inflação orbitando as metas.

O Comitê também enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.

Também é reiterada a mensagem que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

Riscos externos

Na avaliação sobre o quadro externo, o BC afirma que o cenário permanece desafiador, mas com alguma redução e alteração do perfil de riscos.  Por um lado, diminuíram os riscos de curto prazo associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, em referência à “paciência” do Federal Reserve (Fed), banco central americano, em dar seguimento ao aperto monetário por lá.

Por outro lado, aumentaram os riscos associados a uma desaceleração da economia global, em função de diversas incertezas, como as disputas comerciais (que envolvem EUA e China) e o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia).

Balanço de riscos

No entanto, essa reavaliação sobre o quadro externo não foi suficiente para mudar a visão do BC sobre o balanço de riscos para a inflação. O colegiado continua vendo assimetria.

De um lado do balanço, predomina a avaliação de que o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado.

Do outro lado, o BC lista uma possível frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira.  Risco se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes.

A ponderação do BC, vem na sequência, quando ele afirma que “avalia que, desde o último Copom, especialmente quanto ao cenário externo, houve arrefecimento dos riscos inflacionários”.

Projeções

Na parte dedicada às projeções de inflação, o cenário que consiste em Selic estável em 6,5% e câmbio a R$ 3,70, o modelo mostra IPCA de 3,9% para 2019 e 4% para 2020. No Copom de dezembro, com Selic em 6,5% e câmbio a R$ 3,85, a inflação estava em torno de 4% para os dois anos.

O Copom lembra que 2020 vai ganhando pelo “gradualmente crescente” no seu horizonte de atuação. As ações do BC têm efeito cumulativo de defasado sobre o lado real da economia. Assim, apesar de seu modelo de projeção mostrar inflação abaixo da meta de 4,25% para 2019, está exatamente na meta de 4% para 2020.

Considerando as trajetórias de juros e câmbio do boletim Focus, o modelo de projeção mostra inflação de 3,9% para 2019 e de 3,8% para 2018. Aqui a Selic fica em 6,5% neste ano e sobe a 8% em 2020, com câmbio de R$ 3,70 e R$ 3,75.

Inflação e atividade

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente se encontram em níveis apropriados ou confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. Essa frase indica que os núcleos de preços, que tentam captar a tendência da inflação, estão ao redor das metas.

Sobre atividade, a avaliação continua sendo de “recuperação gradual da economia brasileira”. Para 2019, o BC estima um avanço de 2,4%.

Despedida?

Tem grande chance de essa ser a última reunião presidida por Ilan Goldfajn. Agora em fevereiro, deve acontecer a esperada sabatina com o indicado para o posto, Roberto Campos Neto, que dependendo dos demais trâmites estaria apto a comandar o Copom dos dias 19 e 20 de março.

Desde que foi indicado ao posto em novembro do ano passado, Campos Neto optou por não dar declarações. Então, sua ida à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado deve ser bastante concorrida, já que todos querem saber o que ele pensa, agora como banqueiro central.

Também há chance de o Copom de março ter novos membros na diretoria. Reinaldo Le Grazie já foi exonerado do cargo por razões pessoais e para o seu lugar o indicado é Bruno Serra Fernandes, economista formado pelo Ibmec, com mestrado em Economia pela USP. Fernandes fez carreira no sistema financeiro atuava com responsável no Itaú Unibanco pela mesa de renda fixa proprietária. Enquanto, Fernandes não assume, Carlos Viana responde como diretor de Política Monetária. Tiago Berriel está acumulando as diretorias de Assuntos Internacionais e Política Econômica, que é de Viana. Então, esse Copom será de oito votos.

Outro nome indicado a ser sabatinado é João Manoel Pinho de Mello, que foi secretário do extinto ministério da Fazenda. Ele assumira a diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, com a saída, também a pedido, de Sidnei Corrêa Marques, que estava há oito anos na função.

 

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