No duelo entre Trump no ataque e PIB na defesa, o Ibovespa ficou no zero a zero
Apesar da cautela vista nos mercados globais, o Ibovespa conseguiu equilibrar a partida e fechar em leve alta de 0,03%. Por aqui, o otimismo em relação ao resultado do PIB no terceiro trimestre serviu para neutralizar o pessimismo vindo de fora

As equipes dos mercados brasileiros entraram em campo com estratégias bem definidas nesta terça-feira (3). De um lado, o time do exterior iria partir para cima desde o início do dia, disposto a tirar pontos do Ibovespa; por outro, o selecionado dos investidores locais ficaria na defesa, apostando na força do PIB do país no terceiro trimestre para afastar o perigo.
E, como numa típica partida de ataque contra defesa, parecia que o time mais agressivo conseguiria, cedo ou tarde, furar o bloqueio e sair vencedor. Depois de um início de jogo mais lento, o pessimismo externo começou a amassar o otimismo local.
O Ibovespa, assim, passou boa parte do dia no campo negativo — sem nunca marcar perdas volumosas, é verdade, mas, ainda assim, dava pinta de que ficaria no vermelho no apito final. Na mínima da sessão, o índice chegou a cair 0,68%, aos 108.190,46 pontos.
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Só que, minuto após minuto, a equipe que estava fechada lá atrás conseguia se segurar, sem nunca perder o controle. E, conforme o tempo foi passando, o Ibovespa foi amenizando as perdas. Tanto é que, ao fim da partida, o placar mostrava um empate — ou quase isso.
No fechamento do pregão, o Ibovespa marcava 108.958,94 pontos, em leve alta de 0,03% — uma espécie de 'vitória moral' da corrente otimista. Afinal, no exterior, as bolsas americanas tiveram perdas expressivas: o Dow Jones caiu 1,01%, o S&P 500 teve baixa de 0,66% e o Nasdaq recuou 0,41%.
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E o dólar à vista? Bem, a partida no mercado de câmbio foi bem menos disputada: a divisa passou boa parte do dia em baixa, encerrando em queda de 0,15%, a R$ 4,2056.
Trump no ataque
O grande tema de influência para os mercados globais nesta terça-feira foi o reaquecimento da guerra comercial: o presidente dos EUA, Donald Trump, tem assumido uma postura mais agressiva nos últimos dias e sinalizado que um acerto com a China pode demorar mais que o esperado.
Mais cedo, Trump disse em entrevista que não há previsão para o término da guerra comercial com os chineses, afirmando ainda que talvez seja melhor esperar até as eleições de 2020 para chegar a um consenso. A declaração não foi bem recebida pelos investidores, embora essa retórica de "aproximação e afastamento" seja característica do republicano.
Além disso, o presidente dos EUA fez ameaças à França, sinalizando com a possibilidade de sobretaxas todas às importações do país – uma quantia de cerca de US$ 2,4 bilhões em produtos. Vale lembrar que, ontem, Trump anunciou a taxação das importações de aço e alumínio da Argentina e Brasil.
PIB na defesa
Mas, apesar de toda essa tensão no exterior, os mercados domésticos também repercutiram o crescimento de 0,6% do PIB brasileiro no terceiro trimestre, resultado ligeiramente superior às expectativas dos analistas. O dado reforçou a crença de que a economia local começa a dar sinais de recuperação, ainda que tímidos – fator que já foi suficiente para animar os investidores.
Os dados do PIB, assim, serviram para amortecer a cautela vinda do exterior. Pelo segundo dia consecutivo, o Ibovespa conseguiu sustentar um desempenho positivo, mesmo com as bolsas americanas operando em baixa — na semana, o índice brasileiro acumula ganho de 0,67%.
Calmaria nos juros
Por mais que os sinais de fortalecimento econômico emitidos pelo resultado do PIB no terceiro trimestre impliquem, teoricamente, numa menor necessidade de cortes na Selic para estimular a atividade doméstica, as curvas de juros fecharam em baixa nesta terça-feira.
Os DIs aproveitaram o tom negativo do dólar à vista e passaram por um movimento de correção das altas recentes. Veja abaixo como se comportaram as principais curvas:
- Janeiro/2021: de 4,74% para 4,71%;
- Janeiro/2023: de 5,96% para 5,90%;
- Janeiro/2025: de 6,56% para 6,49%;
- Janeiro/2027: de 6,88% para 6,81%.
Falando em PIB...
As ações do setor de construção civil apareceram entre os destaques positivos da bolsa brasileira nesta terça-feira (3). O mercado mostrou entusiasmo com o segmento: segundo o IBGE, a indústria da construção cresceu 4,4% no trimestre e foi um elemento importante na expansão de 0,6% do PIB do país.
Nesse cenário, as ações ON da MRV (MRVE3) dispararam 7,16% e tiveram o melhor desempenho do Ibovespa nesta tarde, enquanto Cyrela ON (CYRE3), subiu 2,33%. Fora do índice, EZTec ON (EZTC3) teve alta de 5,43%, Direcional ON (DIRR3) avançou 4,08% e Tenda ON (TEND3) valorizou 5,58%.
Você pode encontrar mais detalhes sobre as maiores altas e baixas da bolsa brasileiranesta matéria especial.
Desconfiança no Ibovespa
Na ponta oposta do Ibovespa, atenção para Smiles ON (SMLS3), que despencou 8,85% e teve o pior desempenho do índice. A empresa divulgou projeções bastante fracas para 2019 e 2020, o que desagradou o mercado e gerou desconfiança em relação ao futuro da companhia.
Em relatório, o analista Vitor Mizusaki, do Bradesco BBI, cortou o preço-alvo dos papéis do Smiles ao fim de 2020, de R$ 44,00 para R$ 35,00, mantendo a recomendação neutra para os ativos.
Top 5
Veja as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta terça-feira:
- MRV ON (MRVE3): +7,16%
- Gol PN (GOLL4): +4,01%
- BB Seguridade ON (BBSE3): +3,88%
- Marfrig ON (MRFG3): +3,87%
- Via Varejo ON (VVAR3): +3,60%
Confira também as cinco maiores perdas do índice:
- Smiles ON (SMLS3): -8,85%
- CSN ON (CSNA3): -3,77%
- Metalúrgica Gerdau PN (GOAU4): -2,48%
- Gerdau PN (GGBR4): -2,29%
- Hypera ON (HYPE3): -2,05%
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