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Olivia Bulla

Olivia Bulla

Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).

A Bula do Mercado

Quem dá mais?

Megaleilão do pré-sal é destaque na agenda, mas ruídos de pouca competição e ágios baixos geram apreensão e devem provocar volatilidade nos ativos locais

Olivia Bulla
Olivia Bulla
6 de novembro de 2019
5:21 - atualizado às 9:36
No exterior, noticiário em torno da guerra comercial dá o tom aos negócios

O megaleilão do excedente da cessão onerosa de petróleo do pré-sal (10h) é o grande destaque da agenda econômica doméstica desta quarta-feira. A operação deve ser a maior do tipo já vista no mundo e gerar uma grande fonte de financiamento aos cofres tanto da União quanto dos estados e municípios. Nos últimos dias, porém, surgiram dúvidas quanto ao total a ser arrecadado, em meio a desistência de grandes petrolíferas estrangeiras.

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A francesa Total e a britânica BP declararam publicamente não ter interesse nos blocos a serem ofertados na Bacia de Santos. Rumores dão conta de que a norte-americana Chevron também teria desistido, deixando a disputa mais acirrada apenas entre chineses e árabes. Com a saída confirmada de duas gigantes europeias, ganhou força a percepção de que os grupos estrangeiros não irão encabeçar nenhum consórcio.

Além disso, existe a possibilidade de um cenário sem lances para alguns dos quatro campos a serem ofertados, já que a Petrobras exerceu direito de preferência em dois, sendo um deles o maior do leilão (Búzios). Essa diminuição da competição pode afetar a entrada de recursos externos com a licitação. O governo espera arrecadar R$ 106,5 bilhões, a ser dividido, mas que irá ajudar a cobrir o rombo nos cofres públicos neste ano.

Cerca de dez empresas se habilitaram para participar da rodada. Além da Petrobras e da Chevron, a lista inclui outra norte-americana, a ExxonMobil, as chinesas CNODC e CNOOC, a colombiana Ecopetrol, a norueguesa Equinor, a portuguesa Petrogal, a malaia Petronas, a QPI, do Catar, a anglo-holandesa Shell e a alemã Wintershall Dea. Há, ainda, o riso de uma possível batalha judicial, com uma tentativa de suspender o leilão.

Seja como for, o mercado financeiro espera uma atuação agressiva da Petrobras no leilão de hoje, o que tende a reduzir o fluxo de dólares ao país. Por isso, as ações da estatal petrolífera estão sofrendo, prejudicando o Ibovespa, e o dólar orbita ao redor de R$ 4,00. E os investidores podem esperar por muita volatilidade nos ativos locais ao longo do dia, ainda mais se o resultado final de cada campo superar as expectativas.

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Exterior sem fôlego

Enquanto acompanham o megaleilão, os mercados domésticos monitoram o cenário externo, onde os ativos de risco têm fôlego encurtado para seguir em frente. A falta de direção definida ontem em Wall Street se espalhou para a Ásia, onde Tóquio teve leve alta (+0,2%), enquanto Xangai caiu (-0,4%) e Hong Kong oscilou em baixa.

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Nesta manhã, os índices futuros das bolsas de Nova York também operam na linha d’água, com um ligeiro viés negativo, o que pode prejudicar a abertura do pregão europeu. Os investidores continuam monitorando as notícias sobre uma possível trégua comercial entre Estados Unidos e China, capaz de acabar com a ameaça de desaceleração econômica global.

A exigência de Pequim pela retirada da tarifa de 15% impostas sobre US$ 125 bilhões em produtos chineses em setembro como condição sine qua non para assinar um acordo comercial de primeira fase levantou a possibilidade de um colapso nas negociações. Afinal, o presidente dos EUA, Donald Trump, não sinalizou que concorda com os termos.

É oportuno, então, dosar o otimismo nos negócios, o que reduz o apetite por risco. O dólar, porém, perde forças em relação às moedas rivais, com destaque novamente para o yuan chinês, que é cotado próximo a 7 yuans por dólar pelo segundo dia seguido. Já o euro e o iene estão de lado. Nas commodities, o petróleo cai, enquanto o ouro avança.

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Dia de agenda fraca

Entre os indicadores econômicos, o calendário doméstico está mais fraco e traz apenas os dados de outubro do Banco Central sobre a entrada e saída de dólares do país (fluxo cambial), às 14h30. Os números devem lançar luz sobre a retirada de R$ 9,5 bilhões em recursos externos da Bolsa brasileira (mercado secundário) só no mês passado. Também saem os indicadores antecedentes da Anfavea sobre a indústria automotiva no mês passado (10h).

No exterior, os EUA informam o custo da mão de obra e da produtividade no terceiro trimestre deste ano (10h30) e também os estoques semanais de petróleo bruto e derivados no país (12h30). Logo cedo, na zona do euro, saem os números revisados sobre a atividade do setor de serviços na região em outubro, além das vendas no varejo em setembro.

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