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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
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Juro baixo é bom ou ruim?

Com a taxa Selic no seu menor patamar histórico, muitos investidores de renda fixa conservadora estão chateados com o retorno das suas aplicações. Mas juros baixos, na verdade, não são tão maus assim…

22 de março de 2019
9:32 - atualizado às 15:49

O juro básico, no Brasil, está no seu menor patamar histórico. Na data em que eu escrevo, a meta para a taxa Selic esta em 6,50% ao ano. Isso tem deixado os investidores que gostam da renda fixa mais conservadora meio desanimados, pois o retorno dessas aplicações, atrelado às taxas básicas de juros, está bem minguado.

Mas afinal, juro baixo é bom ou ruim? Eu respondo a esta questão no vídeo a seguir:

Confira abaixo a transcrição do vídeo:

Juro baixo é bom ou ruim?

Com a Selic nos seus menores patamares históricos, os juros nominais no país nunca estiveram tão baixos. E em se tratando de Brasil, esse fato costuma ser noticiado de forma positiva. Só que o investidor brasileiro, que é muito conservador e acostumado com a renda fixa, não está tão contente assim com o retorno das suas aplicações. Afinal, juro baixo é bom ou ruim?

De uma forma bem genérica, quanto menores os juros, menos arriscada a economia. Os juros só podem cair em economias onde a inflação não é elevada e está sob controle, e onde o governo não está à beira da bancarrota.

Além disso, juros baixos tornam as dívidas mais baratas, o que é ótimo para quem toma crédito. Endividados podem renegociar os seus empréstimos e financiamentos, e o custo da dívida pública também cai. Esse aspecto incentiva a tomada de crédito para consumo e investimentos, estimulando a economia.

Agora, para quem empresta - como o investidor de renda fixa - realmente a rentabilidade pode não ser lá grande coisa. No Brasil, até a poupança paga menos quando os juros caem abaixo de um certo patamar, porque o retorno da caderneta passa a ficar atrelado à Selic. Por outro lado, como juros mais baixos estimulam a economia, surgem oportunidades em investimentos de mais risco.

Então, de uma maneira geral, juro baixo é bom. Tanto que as nações mais desenvolvidas do mundo têm taxas básicas de juros beeeem mais baixas que o Brasil. Mesmo com os nossos menores juros históricos, a gente ainda está longe das taxas do mundo rico. Afinal, o juro caiu pra estimular nossa economia deprimida, mas apesar da expectativa de retomada, os problemas fiscais continuam por aí. Em outras palavras, em se tratando de Brasil, juro baixo geralmente é coisa boa sim, mesmo que a nossa renda fixa tranquilinha fique menos rentável.

Mas juros baixos também podem significar que o desemprego está alto, e que a economia está em recessão, precisando de estímulo. Se o crescimento reagir conforme os juros vão caindo, ótimo! Os investimentos de mais risco também vão ter uma performance positiva. Mas se o marasmo econômico continuar, mau sinal! Tanto para os investidores quanto para a sociedade em geral.

Só que mais importante do que olhar o juro nominal é olhar o juro real, que é a diferença entre a taxa básica de juros e a inflação. Se a Selic está baixa, mas ainda é muito maior que a inflação, o estímulo à economia não é assim tão eficiente, porque ainda continua muito vantajoso aplicar na renda fixa. Por outro lado, juros reais elevados sinalizam que a inflação está relativamente baixa, então ainda tem espaço para a taxa básica cair mais.

Do ponto de vista do investidor, mesmo que o retorno da renda fixa tenha diminuído, se você ainda está ganhando bem acima da inflação, a vantagem continua grande. Porque o que realmente te deixa mais rico é essa diferença entre o seu ganho e a alta dos preços.

Se você gostou do vídeo, não se esqueça de se inscrever no nosso canal de YouTube. E pode deixar sugestões e dúvidas nos comentários.

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