O campeão voltou? Tesouro IPCA+ volta a pagar 6% acima da inflação pela primeira vez desde a crise de 2014-16
Retorno de 6% + IPCA em títulos públicos atrelados à inflação é historicamente elevado e considerado um bom ponto de entrada nesses papéis

Retornos muito elevados em títulos públicos indicam preocupação do mercado com o cenário macroeconômico, a inflação e as contas do país; mas para os investidores pessoas físicas significam dinheiro no bolso.
Nesta terça-feira (28), pela primeira vez desde a crise econômica de 2014 a 2016, as pessoas físicas tiveram uma oportunidade de adquirir, no Tesouro Direto, um título público indexado à inflação - Tesouro IPCA+ ou NTN-B, como também são chamados - com o "mítico" retorno de 6% ao ano + IPCA.
Pela manhã, o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B) com vencimento em 2055 chegou a ser oferecido na plataforma de negociação de títulos públicos do Tesouro Nacional a uma taxa de 6,02% ao ano + IPCA.
Isso quer dizer que aqueles que conseguiram adquiri-lo naquele momento receberão esta remuneração até o vencimento do papel, em 15 de maio de 2055, na forma de juros pagos semestralmente e também no fim do prazo.
Durante à tarde, a rentabilidade do título reduziu um pouco, a 5,99% ao ano + IPCA.
O fenômeno ocorreu também com outros títulos Tesouro IPCA+ que não são mais oferecidos para compra no Tesouro Direto, mas que ainda podem ser adquiridos no mercado secundário, via mesa de operações das corretoras.
Leia Também
É o caso das NTN-B com vencimentos em 2045 e 2055 e dos Tesouro IPCA+ com e sem Juros Semestrais (NTN-B e NTN-B Principal) com vencimento em 2024. Estes últimos, inclusive, já vinham sendo negociados na faixa dos 6% + IPCA nos últimos dias.
A rentabilidade na faixa de 6% ao ano + IPCA está entre os "números mágicos" do investidor brasileiro em renda fixa, assim como o retorno de 1% ao mês nos títulos pós ou prefixados.
Esses patamares de remuneração podem ser considerado elevados para o Brasil pós-Real e funcionam como âncoras mentais para investidores acostumados a altos retornos na renda fixa mais tradicional, dado o nosso passado inflacionário e de descontrole das contas públicas.
Inclusive, como "regra de bolso" para o investidor pessoa física, retornos acima de 6% + IPCA indicam, historicamente, bons momentos de compra para NTN-Bs.
Fiscal volta a preocupar
O retorno de 6% ao ano + IPCA nas NTN-B havia desaparecido desde que o país conseguiu controlar a alta inflação do fim do governo da ex-presidente Dilma Rousseff e reduzir o risco fiscal com medidas como o teto de gastos.
Porém, desde que os índices de preços voltaram a disparar no Brasil - com os estímulos econômicos e a quebra das cadeias internacionais de produção, durante a pandemia, e posteriormente com a reabertura econômica -, os juros futuros, que balizam as remunerações dos títulos públicos, voltaram a disparar no mercado.
Essa alta sinalizava que os investidores esperavam que o Banco Central precisaria elevar a taxa básica de juros (Selic) para um patamar bem acima da inflação oficial (IPCA) a fim de conter a disparada dos preços - ainda mais considerando-se que, desta vez, se trata de um fenômeno global, e não apenas doméstico.
O aperto monetário de fato veio, mas fatores como a guerra da Ucrânia e as restrições à circulação de pessoas devido a casos de covid-19 na China continuam pressionando os preços globalmente, dificultando um alívio maior no IPCA.
Recentemente, os juros futuros voltaram a ser pressionados por um novo aumento do risco fiscal. Agora, os investidores se mostram preocupados com a possibilidade de o governo federal elevar os gastos públicos com auxílios sociais com vistas à eleição presidencial.
Com isso, não é difícil que os juros futuros continuem subindo e que o investidor pessoa física tenha novas oportunidades de adquirir NTN-Bs com retornos superiores a 6% ao ano + IPCA.
Tesouro IPCA+ tem volatilidade
Lembre-se, no entanto, de que embora os títulos Tesouro IPCA+ tenham liquidez diária, vendê-los antes do vencimento pode resultar em retornos negativos.
Os títulos prefixados e atrelados à inflação podem ter preços bastante voláteis, principalmente os de prazos mais longos, como o 2055. Seus preços tendem a cair quando os juros futuros sobem e a subir quando as taxas caem. Nesta matéria, eu explico com mais detalhes como funciona a precificação dos títulos públicos.
Assim, quem adquiriu NTN-Bs com remunerações próximas a 5% + IPCA poderá perceber que seus títulos se desvalorizaram desde então.
No entanto, eventuais prejuízos só são realizados caso o investidor venda o papel antes do vencimento a um preço inferior ao preço da compra, uma vez que a venda antecipada é sempre feita a preço e taxas de mercado.
Quem carrega o papel até o vencimento garante a rentabilidade acordada no ato da compra. Assim, para quem tem um objetivo de longo prazo, como a aposentadoria, a aquisição de uma NTN-B 2055 com uma taxa de 6% ao ano + IPCA lhe garante uma formidável rentabilidade por mais de 30 anos.
CRÉDITO PRIVADO
Os gestores estão ganhando dinheiro com crédito privado, mas não querem aumentar as apostas. Por quê?
20 de agosto de 2026 - 16:48OPORTUNIDADE À VISTA
Estes fundos estão pagando IPCA+ 14% ao ano com isenção total de imposto de renda; vale a pena investir?
19 de agosto de 2026 - 18:42A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
Fim da isenção de LCI e LCA pode estar próximo, e quem vai pagar a conta é o investidor, dizem bancos
17 de agosto de 2026 - 17:03ONDE INVESTIR
O dinheiro do Tesouro IPCA+ 2026 caiu na conta? Estrategista do BTG indica onde reinvestir essa bolada
17 de agosto de 2026 - 7:05ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO
Do Tesouro Direto para outros investimentos? Veja onde reinvestir o Tesouro IPCA+ 2026 para ter renda passiva
15 de agosto de 2026 - 10:04RENDA FIXA
Você está investindo no banco ou na garantia? Como o caso Master mexeu com o FGC e o seu bolso
13 de agosto de 2026 - 18:52SD ENTREVISTA
Quem saiu das debêntures isentas para se refugiar no CDI cometeu um erro, diz gestor da Absolute; entenda
13 de agosto de 2026 - 6:05PARA ONDE IR
Tesouro IPCA+ 2026 paga quase R$ 13 bilhões aos investidores na próxima semana; o que fazer com a bolada?
12 de agosto de 2026 - 6:04CONTORNANDO PROBLEMAS
Investidores recorrem a soluções criativas para reaver aplicações em títulos de empresas em recuperação judicial ou extrajudicial
11 de agosto de 2026 - 6:20SELIC COM TEMPERO DE IPCA+
Reserva de emergência ‘turbinada’? Conheça os ETFs de renda fixa que prometem ser mais baratos que o Tesouro Selic e os CDBs
10 de agosto de 2026 - 6:04RENDA MENSAL
CDI, dividendos e isenção de IR: Empiricus recomenda fundo de renda fixa que traz combo preferido dos brasileiros
7 de agosto de 2026 - 19:03CARTEIRA RECOMENDADA
CDI, prefixado ou IPCA+? Veja onde investir na renda fixa com a Selic em 14%
6 de agosto de 2026 - 17:35RENDA FIXA
Tesouro IPCA+ 8%: vale mais a pena travar as taxas altas por seis anos ou por algumas décadas?
6 de agosto de 2026 - 6:03RENDA FIXA
Quanto rendem R$ 100 mil na poupança, Tesouro Selic, CDB e LCI com a Selic em 14,00%
5 de agosto de 2026 - 19:30ADEUS, APP
Tesouro Direto dá adeus ao aplicativo para celular; o que muda nos seus investimentos?
31 de julho de 2026 - 14:01RETORNO DO ARROZ COM FEIJÃO
Tesouro Direto e CDB voltam a roubar espaço de debêntures, CRIs e CRAs; veja por que o investidor está migrando
29 de julho de 2026 - 19:32TÍTULOS PÚBLICOS
Tesouro IPCA+ paga juro real recorde de 8%, mas grandes investidores não estão comprando. Qual é o risco?
29 de julho de 2026 - 11:01RENDA FIXA
Entre cofrinhos e CDBs, banco Bmg lança campanha que paga até 114% do CDI
27 de julho de 2026 - 13:03MELHOR PROTEÇÃO
‘Tesouro IPCA+ está dizendo que se os juros não caírem, o país vai quebrar’, diz João Landau, da Vista Capital
25 de julho de 2026 - 9:32REPORTAGEM ESPECIAL