É hora de vender as ações de Itaú e Bradesco e comprar as da B3, diz Goldman Sachs
Para os analistas do banco americano, os bancos brasileiros terão dificuldades em manter o crescimento do crédito em meio ao desempenho abaixo do esperado da economia

Está na hora de vender as ações dos dois maiores bancos privados brasileiros: Itaú Unibanco e Bradesco. A recomendação é do banco americano Goldman Sachs. A lenta recuperação da economia neste início de ano colocou os analistas do Goldman Sachs na defensiva com as ações dos bancos.
"O esperado aumento no crédito pode desapontar e ser mais fraco que o esperado, ao mesmo tempo em que as taxas de juros baixas limitam o espaço para aumento nas margens", escreveram os analistas, em um relatório para clientes divulgado nesta segunda-feira.
No pregão de hoje, as ações do Itaú (ITUB4) eram negociadas em queda de 2,08%, cotadas a R$ 34,34, por volta das 11h55. No mesmo horário, os papéis do Bradesco (BBDC4) recuavam 2,47%, negociados a R$ 36,37. Confira também nossa cobertura completa de mercados.
Ao mesmo tempo em que indica a venda das ações de Itaú e Bradesco, o Goldman Sachs retomou a cobertura do setor financeiro brasileiro com recomendação neutra para Santander Brasil (SANB11), Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11).
Os analistas se mostram mais otimistas para as ações de empresas de serviços financeiros, como a B3 (B3SA3). Para eles, os resultados da bolsa devem se beneficiar do aumento dos volumes negociados no mercado brasileiro. O Goldman Sachs também possui indicação de compra para as ações das empresas de maquininhas de cartão PagSeguro e Stone, negociadas em Nova York, e neutra para a Cielo (CIEL3), que é listada na B3.
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Confira a seguir mais detalhes sobre as recomendações dos analistas para os papéis do Itaú, Bradesco e B3.
Itaú: Rentabilidades altas são difíceis de manter
Recomendação: venda
Preço-alvo: R$ 31,00 (-11%)
"Esperamos um crescimento de 7% na carteira de crédito para o Itaú, que é um pouco abaixo piso do guidance [estimativa] do banco, que varia de 8 a 11%. No entanto, achamos que até mesmo o nível mais baixo pode ser muito otimista em um ano em que o crescimento do PIB deverá ser de apenas 1,2%."
"Acreditamos que a rentabilidade (ROE) deve cair gradualmente nos próximos anos. Na verdade, o Itaú nunca entregou o ROE acima de 20% em um ano de taxas de juros de um dígito."
Bradesco: Recuperação já está no preço
Recomendação: venda
Preço-alvo: R$ 31,00 (-17%)
"Acreditamos que o banco se beneficiou de uma recuperação cíclica nos empréstimos a pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo em que extraiu sinergias do HSBC Brasil (adquirido em meados de 2016) para melhorar o ROE [rentabilidade sobre o patrimônio) para o nível de 19%. No entanto, achamos que mais melhorias na lucratividade serão mais difíceis de obter."
"Embora o banco tenha mostrado bom progresso com seu banco digital Next, é difícil quantificar os benefícios tangíveis além do número de correntistas, que deve chegar a 1,5 milhão no fim de 2019. De positivo, a exposição de 30% dos lucros ao negócio de seguros torna o banco defensivo, mas achamos que isso já é considerado na avaliação da ação."
B3: Alavancada para uma recuperação, mas com menos risco de queda
Recomendação: compra
Preço-alvo: R$ 41,00 (+10%)
"A empresa desfruta de uma posição de liderança na maioria de suas linhas de negócios e deve se beneficiar de um ciclo de melhora da economia e de mercado de capitais. De fato, as negociações com ações e derivativos, as emissões de renda fixa e as vendas e financiamentos de veículos, todos se beneficiam de taxas de juros mais baixas."
"Embora a ação tenha superado o Ibovespa (74% contra 28% nos últimos 12 meses), acreditamos que o valor permanece atraente em comparação aos concorrentes globais (...) Além disso, a B3 não possui o risco de crédito associado aos bancos."
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