Menu
2019-04-05T15:45:57+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Mercados

Ainda não foi dessa vez: Ibovespa perde força no fim do pregão e fecha abaixo dos 100 mil pontos

O principal índice da bolsa brasileira passou boa parte da tarde na faixa dos 100 mil pontos, mas não conseguiu permanecer nesse nível. O dólar comercial ficou praticamente estável

19 de março de 2019
10:28 - atualizado às 15:45
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa - Imagem: Seu Dinheiro

O Ibovespa atingiu novos recordes nesta terça-feira, mas, assim como ontem, não teve força para encerrar o pregão na faixa dos 100 mil pontos. Após passar boa parte da tarde em alta, o principal índice da bolsa brasileira virou e, por volta de 16h10, passou a operar no campo negativo, de volta ao nível dos 99 mil pontos. Apesar do otimismo do mercado em relação à reforma da Previdência, o tom foi de maior cautela nesta terça-feira, às vésperas das decisões de política monetária do Copom e do Fed.

O Ibovespa fechou em queda de 0,41%, aos 99.588,37 pontos, após chegar aos 100.438,87 pontos na máxima do dia — um novo recorde intradiário. O dólar à vista recuou 0,06%, aos R$ 3,7891. Os DIs com vencimento em janeiro de 2020 fecharam com leve alta, de 6,35% para 6,36%, enquanto as curvas com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 6,921% para 6,9%.

O mercado doméstico segue confiante na aprovação da reforma da Previdência ainda no primeiro semestre, mas segue aguardando as novidades sobre o projeto da previdência militar. Mais cedo, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou mais cedo que a reforma da Previdência da categoria deve gerar economia de R$ 13 bilhões aos cofres públicos em 10 anos, mas voltou atrás horas depois e disse que a estimativa estava errada. Há a expectativa de que a proposta dos militares seja encaminhada ao Congresso amanhã.

Lá fora, as atenções estão voltadas à decisão de amanhã do Federal Reserve. O mercado trabalha com a manutenção do juro básico na faixa entre 2,25% e 2,50%, com a possibilidade de a autoridade monetária americana sinalizar amanhã que adotará uma política menos apertada ao longo de 2019.

Para Vladimir Caramaschi, estrategista-chefe da Indosuez Wealth Management, os fatores locais, como a reforma da Previdência, e externos, com a perspectiva de menos altas de juros pelo Fed neste ano, dão sustentação ao bom momento do Ibovespa. "Mas grande parte desse otimismo já está no preço. É provável que a gente comece a ver resistências maiores a novas altas", diz.

Em meio à expectativa em relação à decisão do Fed, os mercados acionários americanos fecharam sem direção única: o Dow Jones caiu 0,1%, o S&P 500 recuou 0,01% e o Nasdaq teve alta de 0,12%. Na Europa, o dia foi positivo, com o índice pan-europeu Stoxx 600 fechando em alta de 0,57% — as principais bolsas do continente também terminaram a sessão no azul.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Vale e CSN em direções contrárias

Uma reviravolta agitou o setor de mineração e siderurgia na última hora de pregão. Pouco antes das 16h, a Vale informou, em fato relevante, que a Justiça autorizou a retomada das atividades da barragem de Laranjeiras e do complexo minerário de Brucutu.

Tal notícia causou impacto imediato nas ações ON da CSN: os papéis, que passaram boa parte do dia em alta firme, viraram e encerraram em queda de 3,8%. As ações ON da Vale, por sua vez, tiveram alta de 2,85%.

Operadores destacam que as ações da CSN ganharam espaço nos últimos dias, reagindo às estimativas financeiras para 2019 e ao balanço da companhia no quarto trimestre de 2018, considerado forte. Além disso, as recentes notícias desfavoráveis à Vale também ajudaram a dar força à CSN, uma vez que a empresa possui atuação relevante no setor de mineração.

Assim, a autorização para que a Vale retome as operações na barragem de Laranjeiras foi o gatilho para um movimento de realização nos papéis da siderúrgica. Apesar das perdas de hoje, CSN ON ainda acumula alta de 20,41% em março e de 78,17% em 2019.

As demais empresas do setor de siderurgia tiveram um dia positivo, num contexto de alta de 0,3% nos preços do vergalhão de aço na bolsa de Xangai e de promessas do governo chinês para acelerar projetos de construção para estimular o crescimento econômico do país — o que implicaria em aumento da demanda por produtos siderúrgicos. As ações PNA de Usiminas avançaram 5,3% e Gerdau PN teve alta de 2,13%.

Cessão onerosa volta a impulsionar Petrobras

Os papéis da Petrobras também operam em alta firme, apesar do tom levemente negativo do petróleo no exterior — as ações ON da estatal subiram 1,58%, enquanto as PN avançam 1,6%. E isto porque o assunto da cessão onerosa, que andava em segundo plano, voltou ao radar: o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), afirmou que a revisão do contrato deve resultar num saldo de US$ 9 bilhões a favor da companhia.

Esta também foi a primeira sessão após a indicação de Andrea Marques de Almeida para o cargo de diretora executiva financeira e de Relacionamento com Investidores da estatal.

Bancos têm dia negativo

Mas, apesar de Petrobras e Vale continuarem em alta, as ações do setor bancário caíram em bloco e puxaram o Ibovespa para baixo. Bradesco PN caiu 2,15%, Banco do Brasil ON teve perda de 2,14% e Itaú Unibanco PN recuou 2,33%. Para Ai Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor, as ações dos bancos têm "ficado para trás" no atual momento de otimismo e, embora acumulem desempenho positivo no mês, ainda possuem espaço para subir. Na semana, por exemplo, essas ações acumulam queda e, no mês, têm altas modestas, entre 2% e 4,5%.

Projeções novas, reações opostas

As ações ON de Cosan mantiveram-se em alta desde o início da sessão, fechando o dia com ganho de 1,76%, após a companhia anunciar o guidance para 2019: a empresa prevê a expansão de até 19% do Ebitda em 2019, uma alta entre 11% e 19% sobre o resultado de 2018.

Por outro lado, Rumo ON recuou 4,89% e liderou as baixas do Ibovespa. A empresa também alterou suas projeções financeiras para o ano: agora, a Rumo prevê Ebitda entre R$ 3,85 bilhões e R$ 4,15 bilhões para este ano — a estimativa anterior era de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização na faixa de R$ 3,6 bilhões a R$ 3,9 bilhões.

Em relatório, o Credit Suisse analisou que a Rumo traça um cenário de crescimento para o futuro, o que é positivo. No entanto, as projeções da empresas implicam em investimentos volumosos, muito superiores aos traçados pelo banco.

 

 

 

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Próximos passos

Banco dos BRICS quer trabalhar com mais empréstimos em moedas locais

NDB tem como foco o financiamento de projetos no Brasil, na Rússia, na Índia, na China e na África do Sul

Trato feito

Grupo Prumo e Siemens AG assinam acordo de cooperação em projetos de energia

Assinatura ocorreu durante a reunião do BRICs, em cerimônia que contou com a presença dos principais executivos das companhias envolvidas

Ficou difícil

Negociação EUA-China trava por questão de compras agrícolas, dizem fontes

Impasse sobre agricultura cria outro obstáculo no caso, conforme Pequim e Washington tentam fechar a fase 1 do acordo

Mantendo relações

Bolsonaro confirma viagem à Índia em janeiro de 2020

Mais cedo, presidente teve reunião com o presidente da China, Xi Jinping, para a assinatura de acordos bilaterais

Hora de comprar

Quer uma ação com potencial de alta de 20%? o J.P. Morgan recomenda a Totvs

Apesar de as ações ON da Totvs já acumularem ganhos de mais de 125% em 2019, o J.P. Morgan ainda vê espaço para valorização nos papéis até o ano que vem

Reação do mercado

C&A frustra expectativas em primeiro balanço após IPO e ações caem forte

Um dos pontos que chamaram a atenção no balanço da companhia foi o fato de que o lucro líquido fechou o terceiro trimestre com queda de 40,5%, ante o mesmo período de 2018, assim como o fato de que a companhia perdeu poder competitivo e houve desaceleração das vendas nas mesmas lojas

Tribunal da concorrência

Cade vai revisar compra da Fox pela Disney, já que Fox Sports não foi vendida

Em sua sentença, o tribunal concorrencial condicionou a aprovação do negócio à venda do canal Fox Sports, o que não ocorreu até agora

Dá-lhe recuperação

Lucro das três maiores estatais brasileiras no ano até setembro atinge o maior valor em 26 anos

Resultado de R$ 52,065 bilhões em 2019 é 53% superior ao acumulado no mesmo período de 2018, de R$ 33,966 bilhões

Entrando dólares

Fluxo cambial total em novembro até dia 8 é positivo em US$ 256 milhões

Resultado inicia o mês positivo depois de encerrar outubro com saídas líquidas de US$ 8,494 bilhões

Precisa melhorar isso aí

Em reunião em Brasília, representantes dos BRICS dizem que cooperação do grupo está aquém do potencial

Grupo realiza nesta quarta-feira uma série de encontros e debates em Brasília para decidir os seus próximos passos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements