Menu
2019-10-14T14:33:42+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Naufrágio

Com o exterior pesado, o barco do Ibovespa afundou para abaixo dos 100 mil pontos

A guerra comercial seguiu pressionando os mercados acionários globais, e esse clima de preocupação derrubou o Ibovespa para abaixo dos três dígitos

3 de setembro de 2019
10:32 - atualizado às 14:33
Barco afundando
A embarcação do Ibovespa não conseguiu navegar com o peso dos mercados americanos - Imagem: Shutterstock

O barco do Ibovespa até tentou zarpar em direção ao mar azul nesta terça-feira (3). No início do dia, o principal índice da bolsa brasileira ignorava o tom negativo visto no exterior e chegou a subir 0,79% na máxima, voltando a navegar nos mares dos 101 mil pontos. Mas, ainda durante a manhã, o motor da embarcação começou a falhar.

Essas falhas logo se converteram em perda de velocidade por parte do navio da bolsa brasileira. E o diagnóstico dos mecânicos do barco não era nada animador: o problema vinha de fora. Novamente, era a guerra comercial entre Estados Unidos e China a responsável pela perda do rendimento.

Em pouco tempo, o Ibovespa parou e voltou à estabilidade. Mas não ficou por aí: ao longo da tarde, a embarcação começou a sofrer com vazamentos, naufragando lentamente — e acabou afundando para abaixo do nível dos 100 mil pontos, reconquistado na última quinta-feira (29).

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Ao fim do dia, o Ibovespa terminou em baixa de 0,94%, aos 99.680,83 pontos. O índice brasileiro, assim, teve desempenho em linha com o das bolsas americanas: o Dow Jones recuou 1,08%, o S&P 500 teve baixa de 0,69% e o Nasdaq terminou em queda de 1,11%.

Essa precaução generalizada possui estreita relação com os desdobramentos da guerra comercial. Ainda há ampla incerteza quanto à realização de uma nova rodada de negociações entre as partes — há a previsão de um encontro entre os dois governos neste mês, mas uma possível data ainda não foi definida.

E as recentes declarações do presidente americano, Donald Trump, também não ajudaram a amenizar o clima. Via Twitter, o republicano disse que o diálogo com os chineses está indo "muito bem", mas também afirmou que, se for reeleito, as negociações com Pequim serão "muito mais duras".

E, considerando que tanto Washington quanto pequim colocaram em prática mais um pacote de tarifas de importação no dia 1º, o mercado teme que o clima entre as duas potências não seja o mais amigável possível — o que eleva a percepção de que as conversas podem não ter um desenvolvimento particularmente tranquilo.

Segundo Luis Sales, analista da Guide Investimentos, o panorama nebuloso da guerra comercial, somado aos dados mais fracos de atividade nos EUA — o índice de atividade industrial do país caiu de 51,2 em julho para 49,1 em agosto, entrando em terreno de contração — contribui para trazer esse clima negativo aos mercados globais.

Ondas fortes

Sales pondera que, no início do pregão, o mercado recebeu bem as declarações de Alfredo Setubal, presidente da Itaúsa — a holding que controla o Itaú Unibanco. Num evento promovido pelo próprio grupo, o executivo disse que a companhia segue com bastante apetite para compras e avalia investimentos em 15 novos negócios.

"O Setubal é uma pessoa bastante influente, se ele avalia investir, é um sinal de que há boas oportunidades por aí", disse o analista da Guide. "Mas, com o exterior pesado, o Ibovespa não conseguiu aguentar".

O tom negativo do mercado de commodities também influenciou a bolsa brasileira. No exterior, o petróleo Brent (-0,68%) e o WTI (-2,10%) fecharam em baixa; o minério de ferro, por sua vez, encerrou em queda de 1,59% no porto chinês de Qingdao, cotação que serve como referência para o mercado.

Nesse cenário, Vale ON (VALE3) caiu 1,06%, CSN ON (CSNA3) recuou 2,93%, Gerdau PN (GGBR4) teve baixa de 0,63% e Usiminas PNA (USIM5) desvalorizou 1,02%.

Águas calmas no dólar...

Já o dólar à vista teve uma sessão mais tranquila: a moeda americana terminou em leve baixa de 0,09%, a R$ 4,1790, distanciando-se ligeiramente do patamar de R$ 4,20 — na mínima, contudo, tocou os R$ 4,1522 (-0,73%)

Mais cedo, o Banco Central (BC) vendeu a totalidade do lote de US$ 580 milhões no leilão à vista de dólares — a autoridade monetária realizará operações como essa diariamente, até 27 de setembro, em conjunto com um leilão de swap cambial reverso, no mesmo montante.

No exterior, as moedas de países emergentes não apresentaram tendência única em relação ao dólar: divisas como o peso mexicano e o rand sul-africano ganharam terreno em relação ao dólar e fizeram companhia ao real, enquanto moedas como o peso chileno e o rublo russo perderam força.

...e nos juros

Em meio à calmaria vista no dólar à vista, a curva de juros fechou em baixa: na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 caíram de 5,57% para 5,50%; na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuaram de 6,66% para 6,56%, e as para janeiro de 2025 foram de 7,18% para 7,09%.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Dicas do Fausto Botelho

Bitcoin e outras criptomoedas que estão com tendência de alta

Neste vídeo, o analista gráfico faz projeções para o Bitcoin e muitas outras criptomoedas, além de fazer comentários sobre a tendência do S&P

Abertura de capital

XP Investimentos dá a largada para o IPO e apresenta documentos à CVM americana

A XP Investimentos protocolou os documentos referentes ao seu processo de abertura de capital nos EUA. A operação será feita na Nasdaq, com ofertas primárias e secundárias

Tensão nos ares

Crise na Boeing: sindicatos de companhias aéreas temem a liberação do 737 Max

Com a possibilidade de as aeronaves 737 Max da Boeing serem liberadas novamente para voar, os sindicatos das companhias aéreas mostram-se preocupados

Protestos no país

Banco Central do Chile anuncia novas medidas para conter a queda do peso

A autoridade monetária do Chile irá adotar mais ferramentas para frear a trajetória de desvalorização da moeda do país, em meio à onda de protestos sociais vistos nos últimos dias

Renda fixa

CDB com remuneração de até 124% do CDI? É a oferta do C6 Bank

O C6 Bank oferece novas opções de investimento em CDB com resgates mais longos. A rentabilidade pode chegar a 124% do CDI

Expansão no país

Carrefour Brasil investe R$ 2 bilhões e quer mais parcerias

O Carrefour Brasil mostra-se otimista em relação às perspectivas para o país em 2020. Como resultado, o grupo continuará investindo e abrindo novas unidades

Tudo que vai mexer com o seu dinheiro hoje

Inflação e terno preto nunca saem de moda

Um certo frenesi sempre tomou conta das redações do país no dia de divulgação do índice de preços. A inflação brasileira é um número a acompanhar com lupa no noticiário econômico. Em um passado não tão distante, todo o mês os economistas apontavam o vilão dos custos do consumidor. O tomate virou uma espécie de […]

Agora vai?

Declarações de autoridades dos EUA mostram otimismo nas negociações com a China

O tom mais ameno assumido por duas autoridades dos EUA em relação às conversas com a China renova a esperança dos mercados quanto ao fechamento de um acordo

Siga o mestre

Warren Buffett fez novas apostas na bolsa e vendeu parte de suas ações da Apple

Um frenesi toma conta dos mercados americanos nesta sexta-feira: o lendário Warren Buffett comprou ações de duas empresas — o que faz esses papéis dispararem hoje

Feriado? Que feriado?

Recorde triplo nos EUA: otimismo nas negociações com a China leva mercados de NY às máximas

Uma sinalização animadora das autoridades americanas quanto às negociações com a China deu força aos mercados globais nesta sexta-feira

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements