Menu
2019-09-03T18:39:18+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Naufrágio

Com o exterior pesado, o barco do Ibovespa afundou para abaixo dos 100 mil pontos

A guerra comercial seguiu pressionando os mercados acionários globais, e esse clima de preocupação derrubou o Ibovespa para abaixo dos três dígitos

3 de setembro de 2019
10:32 - atualizado às 18:39
Barco afundando
A embarcação do Ibovespa não conseguiu navegar com o peso dos mercados americanos - Imagem: Shutterstock

O barco do Ibovespa até tentou zarpar em direção ao mar azul nesta terça-feira (3). No início do dia, o principal índice da bolsa brasileira ignorava o tom negativo visto no exterior e chegou a subir 0,79% na máxima, voltando a navegar nos mares dos 101 mil pontos. Mas, ainda durante a manhã, o motor da embarcação começou a falhar.

Essas falhas logo se converteram em perda de velocidade por parte do navio da bolsa brasileira. E o diagnóstico dos mecânicos do barco não era nada animador: o problema vinha de fora. Novamente, era a guerra comercial entre Estados Unidos e China a responsável pela perda do rendimento.

Em pouco tempo, o Ibovespa parou e voltou à estabilidade. Mas não ficou por aí: ao longo da tarde, a embarcação começou a sofrer com vazamentos, naufragando lentamente — e acabou afundando para abaixo do nível dos 100 mil pontos, reconquistado na última quinta-feira (29).

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Ao fim do dia, o Ibovespa terminou em baixa de 0,94%, aos 99.680,83 pontos. O índice brasileiro, assim, teve desempenho em linha com o das bolsas americanas: o Dow Jones recuou 1,08%, o S&P 500 teve baixa de 0,69% e o Nasdaq terminou em queda de 1,11%.

Essa precaução generalizada possui estreita relação com os desdobramentos da guerra comercial. Ainda há ampla incerteza quanto à realização de uma nova rodada de negociações entre as partes — há a previsão de um encontro entre os dois governos neste mês, mas uma possível data ainda não foi definida.

E as recentes declarações do presidente americano, Donald Trump, também não ajudaram a amenizar o clima. Via Twitter, o republicano disse que o diálogo com os chineses está indo "muito bem", mas também afirmou que, se for reeleito, as negociações com Pequim serão "muito mais duras".

E, considerando que tanto Washington quanto pequim colocaram em prática mais um pacote de tarifas de importação no dia 1º, o mercado teme que o clima entre as duas potências não seja o mais amigável possível — o que eleva a percepção de que as conversas podem não ter um desenvolvimento particularmente tranquilo.

Segundo Luis Sales, analista da Guide Investimentos, o panorama nebuloso da guerra comercial, somado aos dados mais fracos de atividade nos EUA — o índice de atividade industrial do país caiu de 51,2 em julho para 49,1 em agosto, entrando em terreno de contração — contribui para trazer esse clima negativo aos mercados globais.

Ondas fortes

Sales pondera que, no início do pregão, o mercado recebeu bem as declarações de Alfredo Setubal, presidente da Itaúsa — a holding que controla o Itaú Unibanco. Num evento promovido pelo próprio grupo, o executivo disse que a companhia segue com bastante apetite para compras e avalia investimentos em 15 novos negócios.

"O Setubal é uma pessoa bastante influente, se ele avalia investir, é um sinal de que há boas oportunidades por aí", disse o analista da Guide. "Mas, com o exterior pesado, o Ibovespa não conseguiu aguentar".

O tom negativo do mercado de commodities também influenciou a bolsa brasileira. No exterior, o petróleo Brent (-0,68%) e o WTI (-2,10%) fecharam em baixa; o minério de ferro, por sua vez, encerrou em queda de 1,59% no porto chinês de Qingdao, cotação que serve como referência para o mercado.

Nesse cenário, Vale ON (VALE3) caiu 1,06%, CSN ON (CSNA3) recuou 2,93%, Gerdau PN (GGBR4) teve baixa de 0,63% e Usiminas PNA (USIM5) desvalorizou 1,02%.

Águas calmas no dólar...

Já o dólar à vista teve uma sessão mais tranquila: a moeda americana terminou em leve baixa de 0,09%, a R$ 4,1790, distanciando-se ligeiramente do patamar de R$ 4,20 — na mínima, contudo, tocou os R$ 4,1522 (-0,73%)

Mais cedo, o Banco Central (BC) vendeu a totalidade do lote de US$ 580 milhões no leilão à vista de dólares — a autoridade monetária realizará operações como essa diariamente, até 27 de setembro, em conjunto com um leilão de swap cambial reverso, no mesmo montante.

No exterior, as moedas de países emergentes não apresentaram tendência única em relação ao dólar: divisas como o peso mexicano e o rand sul-africano ganharam terreno em relação ao dólar e fizeram companhia ao real, enquanto moedas como o peso chileno e o rublo russo perderam força.

...e nos juros

Em meio à calmaria vista no dólar à vista, a curva de juros fechou em baixa: na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 caíram de 5,57% para 5,50%; na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuaram de 6,66% para 6,56%, e as para janeiro de 2025 foram de 7,18% para 7,09%.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Clima tenso entre os brothers

UE está pronta para impor tarifas retaliatórias contra os EUA, diz ministro da França

Bruno Le Maire comentou que a UE se prepara para eventuais sanções contra os EUA por causa de uma disputa sobre subsídios no setor de aviação

De olho na reforma

Câmara e Senado construirão proposta conjunta sobre reforma tributária, diz Maia

O presidente da Câmara também não descartou a ideia de criação de uma comissão mista (com senadores e deputados) para tratar da reforma tributária

O futuro da energia

Shell diz que seu plano é investir US$ 3 bilhões por ano em renováveis no mundo

Presidente da petroleira no Brasil afirmou que não há um prazo para definir os investimentos e que o importante é que os projetos “façam sentido”

De olho nas contas públicas

Governo deve descontingenciar entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões, diz secretário

Com a arrecadação maior nos últimos meses, a ideia é liberar parte do orçamento, que foi contingenciado nos meses anteriores

Será que cai mais?

Na contramão do mercado, Itaú mantém projeção para Selic em 5,0% no fim do ano

Segundo relatório da instituição, o banco seguirá observando os dados para a inflação e a taxa de câmbio do Banco Central para decidir por uma nova reavaliação

'impacto nulo'

Relator da reforma da Previdência apresenta novo parecer e acata apenas uma das 77 emendas

Emenda acatada retira do texto ponto que obrigava os servidores que entraram antes de 2003 a contribuírem por 35 anos, no caso dos homens, e 30 das mulheres, para ter direito à totalidade de gratificação por desempenho

Startup

Airbnb quer se hospedar na bolsa e anuncia planos para oferta de ações em 2020

Empresa que conecta usuários interessados em alugar apartamentos ou quartos por temporada com os proprietários foi avaliada em mais de US$ 30 bilhões

Negócio fechado

Superintendência do Cade aprova operação entre Allianz e Sul América Seguros

De acordo com informações do parecer, para a realização da operação, o negócio-alvo da Salic será transferido para a Sapi, que será adquirida pela Allianz Seguros e a Sasp será adquirida pela Allianz do Brasil Participações Ltda

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta quinta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Giro dos BCs

Banco da Inglaterra decide manter taxa básica de juros em 0,75% ao ano

Inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI), que desacelerou para 1,7% anual em agosto, deve permanecer ligeiramente abaixo da meta de 2% no curto prazo, espera o BoE

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements