Menu
2019-02-06T08:35:27+00:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Política gera apreensão nos mercados

Discurso de Trump sobre o Estado da União mantém risco de nova paralisação do governo, enquanto fracassa a primeira reunião do líder do PSL sobre a reforma da Previdência

6 de fevereiro de 2019
5:33 - atualizado às 8:35
tensaonapolitica
Mercados internacionais também são prejudicados pela pausa nos negócios na Ásia -

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não declarou “emergência nacional” durante o discurso do Estado da União, mas manteve a ameaça de paralisar novamente o governo norte-americano (shutdown), caso não haja um acordo com os democratas sobre a verba para a construção de um muro na fronteira com o México. E esse risco refreia o ímpeto dos negócios no exterior nesta manhã.

Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram de lado, com um ligeiro viés positivo, diante da insistência de Trump, sem oferecer nada em troca, alegando que a rejeição ao muro é uma questão de “resistência”. Ele pediu união entre os dois principais partidos do país e também criticou as “ridículas investigações partidárias”, dizendo que elas podem “parar” a economia. Segundo o presidente, “os EUA nunca serão um país socialista”.

O discurso de Trump acontece em meio à situação política cada vez mais delicada do presidente. Além da queda de braço com os democratas sobre a questão mexicana, pesam contra o republicano a investigação sobre a interferência da Rússia durante a campanha presidencial e o impacto da guerra comercial nos negócios de parte do eleitorado dele. Com isso, a popularidade do presidente cai a cada dia, deixado Trump na berlinda.

Daí, então, a falta de vigor dos mercados internacionais nesta quarta-feira. As principais bolsas europeias também estão na linha d’água, após uma sessão novamente esvaziada na Ásia, em meio às comemorações do Ano Novo Lunar. Já o dólar e os bônus estão de lado. À noite, é a vez do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell discursar, durante um evento em Washington com professores, mas ele não deve falar de política monetária.

Previdência no radar

No Brasil, esse movimento no exterior pode ser potencializado, após fracassar a primeira reunião do líder do governo, Major Vitor Hugo, sobre a reforma da Previdência. No encontro, apareceram apenas as lideranças de partidos nanicos, que juntos somam apenas 45 deputados. Mas o que pegou mal foi a convocação feita pelo líder do governo, na qual ele dividia os líderes da Câmara entre “apoio consistente” e “apoio condicionado”.

A mensagem foi mal interpretada, com os parlamentares convocados criticando os termos, utilizados, geralmente, em levantamentos. Enquanto alguns avaliavam que não se enquadravam em nenhuma das opções, outros que se dizem favoráveis também se sentiram desconfortáveis com a classificação.

Deputados têm reclamado da falta de interlocução do governo para a aprovação da reforma e consideram irreal o prazo de votação até julho, defendido pela equipe econômica do governo Bolsonaro. Aliás, os investidores estão cada vez mais receosos de que o andamento da proposta no Legislativo não seja tão simples quanto se espera.

Aos poucos, cresce o entendimento de que o Executivo é responsável pelo conteúdo da reforma, mas cabe aos parlamentares o processo de discussão das medidas até a votação, nas duas Casas e em dois turnos. Assim, o mais importante não nem é a diluição do texto original, mas o tempo até a aprovação da matéria.

Afinal, é natural o processo de negociações e ajustes da proposta. O problema é que isso pode retardar a aprovação na Câmara, adiando o início da discussão no Senado. Segundo o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, em três meses as novas regras para a aposentadoria serão votadas pelos senadores.

O mercado financeiro brasileiro mantém elevada a expectativa em relação à reforma da Previdência e segue sensível ao noticiário sobre o tema. Ontem, bastaram declarações contundentes e um discurso afinado entre o ministro Paulo Guedes (Economia) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para os negócios locais se animarem na reta final do pregão.

Com isso, a Bolsa brasileira reduziu as perdas e defendeu a marca dos 98 mil pontos, conquistada na véspera, ao passo que o dólar encerrou na linha d’água, também seguindo abaixo da faixa de R$ 3,70. A expectativa dos investidores é de que as novas regras para a aposentadoria sejam aprovadas no Congresso até a virada deste semestre.

O sentimento no mercado em torno do assunto ainda é positivo. Enquanto a reforma da Previdência não entra na pauta de votação, o governo terá tempo para angariar o total de votos necessários para aprovar uma emenda à Constituição (PEC). Para tanto, são necessários 308 deputados a favor da medida e 49 senadores.

Agenda do dia

Entre os indicadores econômicos dos EUA, saem dados de produtividade e sobre o custo da mão de obra ao final do ano passado, às 11h30, juntamente com o resultado de novembro da balança comercial norte-americana. Também são esperados os estoques semanais de petróleo bruto e derivados no país, às 13h30.

No Brasil, a agenda econômica está novamente mais fraca. O destaque fica com o anúncio da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros. A expectativa é de que a Selic seja mantida no piso histórico de 6,50% pela sétima vez seguida.

A reunião deve marcar a despedida do presidente Ilan Goldfajn na presidência do Banco Central. Por isso, não se espera novidades no encontro do Copom que termina hoje. O foco se desloca, agora, para o novo comandante, o ex-diretor da tesouraria do Santander Roberto Campos Neto.

O BC anuncia a decisão sobre a Selic após o fechamento do pregão local, por volta das 18h. Antes, às 12h30, saem os dados de janeiro sobre a entrada e saída de dólares do país, que podem lançar luz sobre o apetite do investidor estrangeiro pelos ativos brasileiros no primeiro mês deste ano.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

estratégias para emplacar novo embaixador

Aliados querem mudar comissão que vai sabatinar Eduardo

Primeira alteração seria tornar o senador Flávio Bolsonaro, irmão de Eduardo, titular do colegiado

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta quinta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Entrevista

‘Teremos um ciclo melhor do que o de 2006 e 2007’

Para o presidente do banco americano JPMorgan no Brasil, José Berenguer Neto, o ciclo de entusiasmo no mercado brasileiro tem potencial para ser maior do que o observado há mais de uma década

na expectativa

Governo quer reduzir alíquota do IR para máximo de 25%, diz Bolsonaro

Outra ideia do governo é unificar impostos e contribuições federais, como PIS, Cofins, IPI e IOF, em um imposto único

Novos planos

Weg chega ao varejo e amplia projeto de miniusinas solares em condomínios

Abertura dessa relação direta com o cliente pessoa física segue de perto a estratégia adotada por uma de suas principais concorrentes no segmento corporativo, a Siemens

a bula do mercado

Guerra comercial chega aos balanços corporativos

Detalhes sobre saque do FGTS são esperados no Brasil

Crypto news

Volátil, mas rentável. As surpresas positivas de quem investe no mundo das criptomoedas

Ao contrário do que pensa uma boa parte dos investidores, não podemos propagar a falácia de que o mercado cripto é um mercado perdedor. Por exemplo, no ano, mais de 63 criptoativos subiram mais do que o Ibovespa

EXCLUSIVO PREMIUM

O rei das emergências: os melhores fundos para a sua reserva de curto prazo

Conheça os três fundos DI que não possuem taxa de administração e saiba até quando é mais interessante investir nesses tipos de fundo ou no Tesouro Selic

Quando o dinheiro morre

O novo paradigma de Ray Dalio e um apelo para a compra de ouro

Gestor da Bridgewater compartilha sua avaliação sobre como a atuação dos BCs, juros negativos e endividamento crescente vão mudar a cara do mercado

Entrevista

Fuja da bolsa americana e compre ouro, diz analista da Crescat

Otavio Costa é um brasileiro que trabalha no mercado americano e se soma à corrente que acredita em recessão nos EUA e problemas de crédito na China. Cenário que faz do ouro a melhor opção no momento

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements