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Metal precioso voltou a superar os US$ 4 mil por onça-troy, mas terminou a semana no vermelho em meio às dúvidas sobre juros nos EUA e às tensões no Oriente Médio

O ouro conseguiu respirar na sexta-feira (26), mas não o suficiente para salvar a semana. O metal precioso encerrou a última sessão em alta, beneficiado pela fraqueza do dólar e pela queda dos juros dos Treasuries, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Ainda assim, acumulou perda de cerca de 3,5% na semana, enquanto os investidores avaliavam os próximos passos da política monetária norte-americana e acompanhavam novos desdobramentos no Oriente Médio.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York, o ouro para agosto fechou a sexta-feira em alta de 1,2%, a US$ 4.096,30 por onça-troy. No acumulado semanal, porém, o contrato recuou 3,52%.
A prata também teve uma sexta-feira positiva, mas encerrou a semana em tom ainda mais negativo. O contrato para julho avançou 1,5% na última sessão, a US$ 59,224 por onça-troy, mas despencou cerca de 11% na semana.
O avanço do ouro na sexta-feira foi sustentado principalmente por dois fatores: dólar mais fraco e queda nos rendimentos dos Treasuries.
Quando a moeda norte-americana perde força, o ouro tende a ficar mais atrativo para investidores de outros países, já que é negociado em dólar. Além disso, juros mais baixos nos títulos públicos dos EUA reduzem o custo de oportunidade de manter o metal na carteira.
Isso acontece porque o ouro não paga juros nem dividendos. Por isso, quando os rendimentos dos Treasuries sobem, eles passam a competir com mais força pela atenção dos investidores.
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Ao longo da sessão, o metal chegou a recuar para a faixa de US$ 3.900 nas mínimas, mas se recuperou e voltou a superar os US$ 4 mil.
Apesar da recuperação pontual, o sentimento em relação ao ouro ainda segue pressionado. Segundo o Saxo Bank, as quedas recentes do metal continuam pesando sobre o mercado. O TD Securities também chama atenção para um ponto importante: se o ouro cair para a região de US$ 3.800, isso pode acionar uma nova onda de vendas.
Outro fator no radar é a piora do apetite por risco, especialmente em ativos ligados à inteligência artificial. De acordo com a Capital Economics, o ouro tem apresentado maior correlação com o mercado acionário, o que ajuda a explicar a visão da consultoria de que ainda pode haver espaço para queda nos preços nos próximos 18 meses.
Ainda assim, nem tudo joga contra o ouro. Para o Saxo Bank, a queda nos preços de energia e nos rendimentos dos Treasuries pode aliviar parte da pressão sobre o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, na condução da política monetária.
Na prática, se a inflação perder força e os juros não precisarem subir ainda mais, o ouro pode encontrar algum suporte. O metal costuma se beneficiar em cenários de juros mais baixos e maior incerteza econômica.
O cenário geopolítico também segue no radar dos investidores. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Irã de violar o cessar-fogo ao lançar drones contra embarcações no Estreito de Ormuz. Além disso, autoridades iranianas interceptaram navios que, segundo o país, seguiam por rotas marítimas não autorizadas.
Esse tipo de tensão costuma aumentar a busca por ativos considerados mais seguros, como o ouro. Mas, na semana passada, o movimento não foi suficiente para evitar a queda do metal.
Com informações da Dow Jones Newswires.
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