Janela de emissões dos FIIs fechou? Gestores estão menos otimistas com o cenário para os fundos imobiliários, mostra BTG
As piores perspectivas são para os FIIs residenciais, do agronegócio e de renda urbana, mas também há segmentos vencedores

Nem mesmo o melhor dos videntes seria capaz de prever tamanha mudança no cenário macroeconômico dos últimos meses. De ataque à Venezuela ao conflito no Oriente Médio, os eventos do primeiro semestre de 2026 deram uma reviravolta nas expectativas — e até os fundos imobiliários vão ter que lidar com um cenário menos animador.
Segundo levantamento do BTG Pactual, o grau de confiança dos gestores para o setor de FIIs perdeu força. Até o início do ano, as perspectivas eram otimistas, mas, agora, a avaliação beira o pessimismo, ficando marginalmente acima do neutro.
“Os gestores seguem construtivos com o mercado imobiliário, porém com uma postura mais seletiva e menos complacente com riscos”, afirmaram os analistas do banco, Daniel Marinelli e Caio Nabuco de Araujo, em relatório.
O levantamento também mostrou que os temas que mais devem impactar os FIIs são os juros e a inflação, com 48% dos entrevistados indicando a questão, e as eleições presidenciais de outubro, com 45%.
Já o cenário internacional terá peso menor, com apenas 5%, seguido pela questão tributária, com apenas 2%.
A pesquisa do BTG Pactual foi realizada com 41 gestoras de FIIs, que receberam sete questões. O banco obteve taxa de resposta de 54% durante o período do dia 15 de junho até 24 de junho.
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Janela de emissões fechada?
Os gestores entrevistados também indicaram como pretendem expandir os portfólios dos fundos imobiliários ao longo do ano. Em meio a um cenário mais restritivo, com os juros altos por mais tempo, a preferência é buscar alternativas menos dependentes de ofertas públicas.
Segundo o levantamento do BTG Pactual, 12% dos gestores entrevistados têm perspectivas de expandir os FIIs por meio de emissão de cotas para o investidor geral no próximo semestre.
Por outro lado, a reciclagem de portfólio é a medida favorita entre os especialistas do setor para crescer os fundos imobiliários, com 42% indicando o instrumento. Em seguida aparecem as emissões privadas, com 37%.
FIIs entre as dívidas e o desconto das cotas
Não são só as eleições e os juros que tiram o sono dos especialistas do setor de fundos imobiliários. Os principais riscos para a indústrias, na visão dos gestores, são o endividamento (34%), governança e inadimplência (ambos com 27%), segundo a pesquisa.
O resultado revela uma preocupação tanto com a qualidade da gestão quanto com a capacidade de pagamento dos devedores dos fundos.
Também existem fatores positivos. O levantamento mostrou que os principais motores para os FIIs são o desconto das cotas em relação ao valor patrimonial (P/VP), com 27% dos entrevistados indicando a questão; o reajuste e elevação dos aluguéis, com 25%; e os movimentos de fusões e aquisições (M&A), com 20%.
A visão dos gestores de FIIs setor por setor
Segundo o levantamento, as classes que geram maior sentimento de pessimismo no próximo semestre são os FIIs residenciais e os fundos voltados para o agronegócio, ambos com perspectiva negativa de 0,27 pontos.
Vale lembrar que o setor residencial vem sendo pressionado pela alta dos juros, em especial entre a faixa da média renda.
Já no agro, o cenário é ainda mais complexo, com o país registrando recordes de safras, enquanto produtores acumulam recuperações judiciais, aumento de inadimplência e sucessivos problemas financeiros. Você pode entender o que acontece com os Fiagros e o crédito para o setor nesta matéria.
Os gestores também não enxergam um horizonte positivo para o setor de renda urbana, que conta com pontuação negativa de 0,14.
Já o destaque positivo ficou para os fundos imobiliários de galpões logísticos, que mantiveram o 0,91 pontos indicados no levantamento anterior. Isso porque o setor segue aquecido em meio à corrida das gigantes do e-commerce pela entrega relâmpago.
Em segundo lugar, aparecem os FIIs de recebíveis, com pontuação positiva de 0,45.
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