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2019-04-05T14:21:10+00:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Quem mexeu no meu CRI?

Acusada de desviar recursos, Gafisa diz que tem R$ 11 milhões a receber da Polo Capital

Comandada desde outubro pela gestora GWI, incorporadora é acusada de querer receber novamente por créditos imobiliários que já havia transferido à gestora

7 de fevereiro de 2019
15:42 - atualizado às 14:21
Cuidado Investidor em Perigo Gafisa
Cuidado Investidor em Perigo Gafisa - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Acusada de desviar recursos de de créditos imobiliários que havia transferido à gestora de recursos Polo Capital, a incorporadora Gafisa (GFSA3) diz que é credora de uma dívida de R$ 11 milhões da gestora.

"Se o Grupo Polo não estava de acordo com a forma de cobrança e repasse desses valores, poderia ter agendado uma reunião com a Gafisa, visando esclarecimentos e informações", informa a empresa, em comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Polo detém créditos de 20 séries da primeira emissão de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) da Gafisa, cujo saldo devedor é da ordem de R$ 60 milhões.

Nesse tipo de operação, a incorporadora "empacota" uma série de financiamentos que tem a receber de clientes e antecipa os recursos vendendo os títulos a investidores no mercado.

Pelo acordo com a Polo, a Gafisa ficou responsável pela cobrança dos financiamentos e deveria repassar os recursos recebidos para as contas da gestora. No mês passado, porém, emitiu os boletos contendo dados bancários da própria incorporadora, que é comandada desde outubro passado pela gestora GWI, do investidor coreano Mu Hak You.

A acusação de desvio de recursos dos CRI foi feita pela Polo por meio de um fato relevante encaminhado à CVM nesta semana.

Empreendimento em conjunto

No comunicado, a Gafisa diz que se associou à Polo e a outra construtora na execução de um empreendimento no Rio de Janeiro. Mas as sócias não teriam aportado os recursos no projeto e que a incorporadora vem arcando sozinha com todos os custos. É daí que saiu o valor de R$ 11 milhões que a empresa diz que tem a receber.

"Tentamos cobrar inúmeras vezes esta dívida de forma amigável sem êxito", informa a empresa, que diz ter aberto ações de arbitragem e na Justiça para reaver os valores.

O problema é que quem saiu perdendo foram os investidores dos CRI emitidos pela Polo, que não têm nada a ver com a disputa sobre o empreendimento.

Procurada, a Polo informou não comentaria o assunto.

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