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Confira um guia para reduzir riscos e tomar decisões mais conscientes ao optar pelo franchising
O sistema de franquias costuma atrair quem deseja empreender com mais segurança, apoiado em um modelo de negócio já testado. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o Brasil tinha mais de 200 mil unidades até o 3º trimestre de 2025.
No entanto, abrir uma franquia está longe de ser uma decisão simples ou isenta de riscos. Exige preparo, análise criteriosa de documentos, entendimento do papel do franqueado e, principalmente, alinhamento entre o perfil do empreendedor e a realidade do negócio escolhido.
A falta de compreensão sobre o negócio ou sobre o próprio perfil pode comprometer seriamente o sucesso do negócio.
Especialistas em franchising alertam que boa parte dos problemas enfrentados por franqueados poderia ser evitada com uma análise mais racional e estruturada antes da assinatura do contrato.
A seguir, confira os principais pontos que devem ser avaliados por quem pensa em empreender nesse segmento.
O primeiro passo, antes mesmo de considerar marcas ou segmentos para empreender, é avaliar o próprio perfil.
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Segundo Rodrigo Abreu, diretor de Marketing e Comunicação da ABF, o desejo de empreender precisa ser acompanhado de preparo. “Ter um negócio significa deixar de trabalhar com uma única área e passar a atuar em tudo o que envolve a gestão”, afirma.
Para isso, é preciso aprender a lidar com finanças, gestão de pessoas, tributos, fornecedores e rotina operacional.
No modelo de franquias, o empreendedor atua dentro de um sistema estruturado, com processos definidos e transferência contínua de know-how. “Defino esse formato como um ‘empreendedorismo assistido’, em que o franqueado tem uma curva de aprendizagem mais rápida e o negócio se torna mais eficiente”, afirma.
Porém, também existem limites à autonomia. “O franqueado precisa estar disposto a seguir regras, cumprir padrões e atuar em rede, mantendo diálogo constante com a franqueadora e com outros franqueados. Não é um modelo voltado à criação individual ou à total independência”, diz Abreu.
Quem busca liberdade total, ele sugere, tende a se dar melhor criando uma marca própria.
A escolha do segmento deve considerar dois fatores centrais: afinidade com a atividade e viabilidade no mercado local. Ser consumidor de uma marca ou gostar de determinado serviço não significa, necessariamente, querer operar esse negócio todos os dias.
Por isso, Abreu diz que é importante se enxergar “do outro lado do balcão” e avaliar se a rotina operacional faz sentido no longo prazo.
Cada franquia impõe uma rotina específica. Alguns negócios exigem operação aos fins de semana, outros demandam dedicação intensa no dia a dia ou envolvimento direto da família.
Franquia não é um investimento passivo. Quem tem perfil mais investidor, sem disposição para atuar na operação, precisará contar com um sócio operacional que reúna as características exigidas de um franqueado.
Também é fundamental analisar se há demanda para aquele produto ou serviço na região escolhida. Nem todo modelo funciona em qualquer cidade ou bairro.
O estudo de mercado envolve entender o nível de concorrência na região, o perfil do consumidor, o poder de consumo local e a presença de negócios semelhantes.
Essa análise ajuda a calibrar expectativas e a ajustar o plano de negócios à realidade da praça.
Custos como aluguel, salários, obras, capital de giro e tempo até a abertura precisam ser considerados com cuidado, especialmente porque muitos gastos começam antes mesmo da operação iniciar.
Quanto mais atividades pré-operacionais a franquia exigir, maior será a necessidade de capital. Por isso, a análise financeira deve ser realista e personalizada.
Entre todos os documentos do processo, a Circular de Oferta de Franquia (COF) é o mais importante. Por lei, ela deve ser entregue ao candidato com pelo menos dez dias de antecedência à assinatura do contrato ou ao pagamento de qualquer taxa.
A COF reúne informações essenciais sobre o negócio, como taxas iniciais e recorrentes, royalties, fundo de publicidade, regras de território, exclusividade, suporte, treinamentos, cláusulas de rescisão, não concorrência e eventuais pendências judiciais do franqueador.
Ralph Fontes, advogado especialista em franchising, reforça que esse documento deve ser analisado por um profissional que entenda de franquias. "Muitos empreendedores confiam em promessas verbais e acabam descobrindo, após a inauguração, custos ocultos, metas excessivas ou falta de suporte. Franquia é um contrato de longo prazo, e qualquer detalhe mal avaliado no início pode gerar prejuízos relevantes no futuro", afirma.
Ele diz que, dependendo do caso, é possível discutir cláusulas abusivas e renegociar termos.
Segundo Valdez, ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar na triagem inicial, mas não substituem a análise jurídica especializada.
A COF traz a lista de todos os franqueados da rede e daqueles que saíram nos últimos 24 meses.
Esse é o momento de investir tempo em conversas aprofundadas com o maior número possível de franqueados, especialmente os que atuam em regiões ou empresas semelhantes ao do negócio que se pretende abrir.
O ideal é conversar com franqueados ativos e ex-franqueados para entender se as promessas feitas no processo comercial se confirmam na prática.
Nessas conversas, é importante avaliar como funciona o suporte da franqueadora, o relacionamento, a transparência, os resultados financeiros e a aplicação real das cláusulas contratuais.
Valdez recomenda ir além das conversas por telefone e visitar unidades presencialmente. Observar como a operação funciona, o que é vendido, como é vendido, os horários de funcionamento e os pontos fortes e fracos da unidade ajuda a formar uma visão mais concreta do negócio.
Por fim, os especialistas reforçam que todo o processo deve ser conduzido com calma, organização e racionalidade. A ansiedade ou o medo de perder uma oportunidade podem levar a decisões precipitadas, especialmente quando o empreendedor está investindo economias acumuladas ao longo da vida.
“O franchising ajuda a mitigar riscos, mas não garante sucesso”, diz Abreu.
O desempenho do negócio depende da combinação entre transparência da franqueadora, preparo do franqueado e aderência ao modelo operacional.
Quanto mais bem estudada for a decisão, maiores são as chances de construir um negócio sustentável e com potencial de crescimento no longo prazo.
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