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Selic a 14,25% ainda é uma ‘situação dramática para as pequenas e médias empresas’. O que empreendedores podem fazer?

Copom cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, mas patamar de juros ainda está elevado e gera desafios para os negócios

nuvens escuras representando dúvida sobre a política monetária e a palavra selic escrita em branco ao centro
Selic - Imagem: Montagem Seu Dinheiro/iStock/Andrey Shadrin

A expectativa que rondava o mercado no início do ano sobre um forte ciclo de corte da Selic parece ter ficado só na lembrança. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para 14,25% na decisão desta quarta-feira (17), mas não há sinais claros de novas quedas e economistas já esperam que os juros encerrem o ano acima de 14% — um patamar bastante elevado que ainda impacta as empresas como um todo.

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Com a taxa básica de juros alta, as companhias lidam com diferentes desafios: acesso ao crédito mais caro, demanda mais fraca e efeitos na gestão do caixa.

Esses entraves impactam, especialmente, as pequenas e médias empresas (PMES), que têm menor poder de barganha, margens de lucro mais apertadas e dependem mais do crédito bancário tradicional.

Para o gestor Alexandre Silvério, CEO da gestora Tenax Capital, o cenário ainda é bastante conturbado para as companhias.

“Mesmo grandes empresas já estão enforcadas pelo nível de despesa financeira. Quando vemos os balanços dos bancos, nas partes de médias e pequenas empresas, a situação é dramática. O nível de juros no Brasil hoje está causando um dano na economia muito grande”, explica.

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Por que a taxa Selic continua nas alturas?

A taxa Selic funciona como um instrumento de política monetária do Banco Central para controlar os efeitos inflacionários e manter a inflação dentro da meta, que é 3,5% ao ano, com variação de 1 ponto percentual para cima ou para baixo.

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Para 2026, as expectativas do mercado já apontam para um IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 5,3%, muito acima do teto estabelecido pelo Banco Central.

Os motivos para a inflação são variados, mas alguns dos fatores são o cenário fiscal – com as dívidas públicas gerando preocupações —, as incertezas geopolíticas com as guerras no exterior e fatores climáticos como o El Niño, por exemplo.

Outro ponto que está sendo monitorado pelo mercado como um possível novo fator inflacionário é o fim da escala 6x1.

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Quais são os efeitos para as PMEs

Mesmo com o corte realizado pelo Copom, os efeitos da redução costumam demorar alguns meses para aparecer para as empresas e os consumidores.

Enquanto isso, a tomada de crédito nos bancos comerciais pode continuar cara, o que faz com que muitos empresários adiem ou até desistam de novos projetos.

A taxa Selic também afeta dívidas já existentes. Empreendedores com contratos atrelados a juros variáveis passam a pagar parcelas mais altas, o que pressiona o caixa das empresas.

Outra consequência é no consumo, especialmente de produtos não essenciais e bens duráveis comprados a prazos. Com parcelas mais caras, os consumidores tendem a restringir os gastos, o que afeta o faturamento de empresas de diferentes setores.

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O que fazer agora?

Diante desse cenário ainda bastante nebuloso, o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, defende, em nota, que “o pequeno negócio precisa acompanhar de perto seus custos, preservar liquidez e buscar crédito com responsabilidade”.

O executivo recomenda revisar os planos financeiros, considerando investimentos em expansão ou modernização de acordo com o nível de juros atual.

Além disso, destaca que, com o crédito bancário ainda bastante alto, é preciso avaliar outros tipos de financiamentos, como crowdfunding ou investidores-anjo, cooperativas de crédito e agências de fomento e desenvolvimento, como é o caso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em relação ao planejamento, a associação recomenda ter pelo menos dois planos de orçamento e cenário: um mais otimista, com inflação controlada e demanda regular, e outro mais conservador, com condições mais realistas sobre a economia brasileira atual.

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Outra indicação é a negociação de custos fixos, como contratos de aluguel, preços com fornecedores e energia, por exemplo, e evitar dívidas de custo alto.

“Evitar o endividamento elevado é fundamental. Se estiver interessado em adquirir crédito, é necessário buscar linhas de financiamento com custo menor, e utilizar capital próprio para cobrir eventual risco de baixa momentânea”, diz o Sebrae.

No crédito, é importante pesquisar diferentes modalidades. Empresas com ativos para dar em garantia para as instituições financeiras ou com bom relacionamento bancário costumam conseguir condições melhores.

Portanto, financiamentos com fintechs, crédito consignado e operações com garantias reais podem resultar em juros menores em comparação com os grandes bancos, mas é preciso avaliar a saúde da instituição antes.

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Dentro da operação, aumentar o faturamento e a produtividade são estratégias fundamentais para conseguir fazer uma reserva financeira. Isso envolve conhecer o cliente, investir em atendimento e estimular a fidelização.

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5 de junho de 2026 - 10:18
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