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Para o empreendedor, um dos maiores desafios foi abrir mão da renda imediata como personal trainer para se arriscar na abertura do negócio

Os esportes na areia vivem um verdadeiro hype em todo o Brasil. As quadras de beach tennis e futevôlei levaram as praias para os centros urbanos e conquistaram milhares de adeptos às modalidades.
Para além dessas atividades, um personal trainer com mais de 20 anos de experiência na área decidiu unir o senso de coletivo da areia com um tipo de exercício físico já bastante comum entre os brasileiros: a musculação.
Foi assim que Rogério Sthanke chegou ao modelo de negócio da 4BeachGym, rede de academias pé na areia que acumula 33 unidades, considerando inauguradas e em implantação, e tem a projeção de faturar R$ 1,45 milhão no ano de 2026.

Sthanke não é um nome recente no mercado fitness. Além de ser ultramaratonista com provas em locais como o deserto do Saara e o Atacama, o profissional de educação física acumula experiências em academias de musculação como a Bio Ritmo e é conhecido como o personal dos famosos.
O apelido “personal dos famosos” surgiu por 80% dos clientes de personal training de Sthanke serem pessoas públicas, como a cantora Luísa Sonza, o sertanejo Fernando Zor, da dupla Fernando e Sorocaba, o apresentador esportivo Craque Neto, o jogador de futebol Valdívia e a influenciadora digital Maíra Cardi.
Ele ainda mantém alguns poucos treinos com alunos particulares, mas a maior parte da agenda atualmente é preenchida pelo empreendedorismo da 4BeachGym.
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A academia surgiu em 2023, mas a sementinha havia sido plantada no empresário quase 10 anos antes.
“Em 2014, participei de um projeto de atividades em quadras de areia. Ali comecei a entender a importância do treinamento sensorial, em que o esporte vai além do condicionamento físico”, explica.
Sthanke defende que o exercício na areia oferece diferentes benefícios: a redução do estresse, um maior esforço físico que pode potencializar resultados, características sensoriais como o treino descalço e, o principal, a coletividade.
Por normalmente serem esportes em grupo, o empreendedor diz que há um senso de pertencimento entre quem realiza atividades físicas na areia.
Sthanke percebeu a oportunidade de empreender na área.
“Lapidei a metodologia que eu já aplicava como personal trainer, aproveitei os benefícios da areia e decidi criar um conceito inovador para sair da mesmice das academias convencionais. A areia é o ambiente de esporte que mais cresce no Brasil, tem todo o hype do mercado fitness, e as pessoas estão buscando treinos diferentes”, explicou ao Seu Dinheiro.
As aulas na 4BeachGym são agendadas e os treinos são realizados em grupos de até 20 alunos nas unidades maiores. O treino de uma hora alia musculação e funcional.
A rede possui equipamentos tradicionais de academias, como leg press e cadeira extensora, mas aplicados na areia.
Sthanke explica que os treinos são planejados para ter começo, meio e fim. “Começa com mobilidade articular, apresentação do conceito para novos alunos e, depois, vem o treino completo.”
Alunos iniciantes e avançados podem dividir uma mesma aula. O empreendedor explica que, por ter um número reduzido de pessoas por treino, os professores conseguem identificar o nível de condicionamento físico e estimular os alunos de acordo com a resistência.
Também nesse sentido, a academia possui uma tecnologia de monitoramento cardíaco, que auxilia no acompanhamento ao longo da aula.
“A 4BeachGym pega o aluno pelo braço. O mercado fitness cresce muito, mas o sedentarismo também continua em alta porque o aluno da academia tradicional treina sozinho e acaba desmotivado. A nossa ideia é reverter isso.”
Embora a academia agora esteja em expansão, nem tudo foi fácil no início. Os equipamentos foram adaptados para funcionar adequadamente na area e não quebrassem com frequência.
Sthanke explica que conseguiu resolver isso por ter muitos contatos na área esportiva após décadas de carreira.
“Encontrei uma fábrica que conseguia produzir os equipamentos adaptados para a areia. Esse parceiro foi essencial para o negócio porque aceitou parcelar todo o maquinário por boleto”, diz.
O investimento inicial foi R$ 200 mil. Essa cifra surgiu do capital próprio de Sthanke e de dois sócios.
Ainda assim, houve um aperto financeiro. Quando abriu a primeira academia, localizada no Brooklin, em São Paulo, o empreendedor tinha toda a agenda preenchida por alunos de personal training.
Porém, precisou abrir mão de parte dos clientes rapidamente para conseguir dar atenção ao empreendedorismo e contou com a ajuda da esposa nas contas.
“Não diria que cometi um erro porque eu não estaria aqui se não tivesse feito isso, mas essa decisão derrubou meu financeiro pessoal. A troca entre ser personal e ser empreendedor é complicada. O personal é muito imediatista com a renda, enquanto a empresa é um risco sem retorno imediato.”
Outro desafio foi a resistência do público. Apesar de ter alunos matriculados quando abriu, Sthanke relembra que recebeu críticas na internet sobre o método.
“O começo foi bem duro. Viralizamos em diferentes páginas na internet. As pessoas começaram a questionar se as máquinas funcionariam na areia, se os alunos teriam lesões, se era um modelo desnecessário, mas entendo que tudo que é novo gera repercussão e receio”, comenta o empreendedor.
O fundador da rede defende que sempre se sentiu seguro sobre o negócio que estava criando e “tinha certeza de que estava fazendo um bom trabalho”.
A estratégia foi apresentar a metodologia para os alunos que visitavam a academia e, ao longo do tempo, com mais pessoas conhecendo a 4BeachGym, as opiniões negativas cessaram.
Mesmo em meio ao mercado do “boom” fitness, com milhares de academias abrindo em todo o Brasil, Sthanke não se sente ameaçado pela concorrência.
O empresário diz que mudou de mentalidade desde a abertura da 4BeachGym. Inicialmente, ele percebia a rede como um complemento às academias tradicionais de musculação.
Porém, hoje defende que é possível um aluno treinar somente na rede pé na areia.
“Os nossos alunos saem da academia convencional para treinar conosco, mas eu não vejo como impeditivo ter uma academia 4BeachGym ao lado de uma rede tradicional. São conceitos diferentes. Não brigamos por preço, nossos diferenciais são outros.”
Sthanke enxerga a 4BeachGym como uma academia de nicho e atrela um valor maior de mensalidade devido à metodologia diferenciada e atendimento.
O tíquete médio flutua de acordo com a região de cada unidade, mas varia de R$ 320 a R$ 480.
Atualmente, com a operação mais estável e o método de treino validado pelo empreendedor, o principal plano de Sthanke é levar a 4BeachGym para mais lugares. A rede busca expandir por meio de franquias e hoje está presente principalmente em São Paulo, Maranhão, Minas Gerais e Bahia.
A meta do empreendedor é chegar a 100 unidades vendidas da rede até o fim de 2027, um aumento ambicioso de 203% em relação ao número atual de academias.
Outro objetivo de Sthanke é o faturamento de 2026. No ano passado, a 4BeachGym faturou R$ 580 mil ao longo de 12 meses. Já neste ano, até junho, a cifra chegou a R$ 683 mil.
A projeção do empresário é de que é possível fechar o ano com um faturamento de R$ 1,45 milhão, mais que o dobro do acumulado em 2025.
Para atingir essas metas, o empreendedor tem feito um trabalho de prospecção de franqueados. Sthanke explica que, para quem quer investir, a rede tem dois modelos: o Gym e o Club.
O Gym se refere à academia 4BeachGym tradicional, que alia musculação e treinos funcionais. Neste caso, o investimento inicial é de R$ 279 mil.
Já o Club tem a academia tradicional da rede, mas também oferece uma quadra de areia para outras modalidades, como beach tennis e futevôlei. Para esses franqueados, o valor de compra é maior e fica em R$ 359 mil.
O empreendedor explica que, nos dois modelos de franquias, o prazo de retorno estimado é 22 meses após o início da operação.
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