O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Após passar por cozinhas renomadas, André Silva criou empresa que assume áreas administrativas de restaurantes e hoje atende nove casas em São Paulo

Quando a mãe de André Silva ligou do Japão para dizer que gastronomia seria uma das profissões do futuro, ele não levou a ideia muito a sério.
Na época, o paulistano sonhava com uma carreira ligada a relações internacionais, principalmente para continuar viajando. Mas a previsão materna veio acompanhada de um argumento difícil de contestar: "ninguém vai parar de comer".
Mais de duas décadas depois, a aposta se mostrou certeira. Aos 37 anos, André Silva construiu uma trajetória que passou por algumas das cozinhas mais conhecidas de São Paulo, trabalhou ao lado de chefs renomados e, mais recentemente, transformou uma fragilidade comum do setor gastronômico em uma oportunidade de negócio.
Hoje, ele comanda a A.S. Gestão e Treinamento, empresa especializada em gestão para restaurantes que registra faturamento médio de R$ 100 mil por mês e atende nove estabelecimentos na capital paulista. A proposta é simples: assumir áreas administrativas que costumam tirar o sono de donos, chefs e gestores para que eles possam se concentrar na operação.
A A.S. atende nove casas em São Paulo, entre elas Brim, Le Freak, Matiz, Metz, Giro, ATZI e Luci Bar. A empresa opera em um escritório de 100 metros quadrados na região central da capital paulista e conta com uma equipe de 15 colaboradores.
O ticket médio gira em torno de R$ 12 mil por cliente.
Leia Também
A história começou em 2005, quando Silva recebeu a ligação da mãe após ela assistir a uma reportagem sobre o chef Alex Atala.
"Ela falou: 'André, a profissão que vai crescer muito é a gastronomia, porque ninguém vai parar de comer'."
O conselho mudou seus planos. Ele ingressou no curso de gastronomia na universidade e iniciou uma carreira que o levaria a restaurantes de destaque, incluindo o Dalva e Dito, de Alex Atala.
Ao longo dos anos, também trabalhou com a chef Renata Vanzetto e assumiu a função de gerente de compras do grupo comandado por Rodolfo De Santis. Foi justamente nessa trajetória que começou a identificar um problema recorrente.
"Eu via que o mercado tinha muita falta de pessoas da área de restaurante que conhecessem a área de gestão. Tinha muitos chefs que eram muito bons na parte criativa, mas a administração era muito defasada, muito amadora", afirma.
Segundo ele, mesmo gestores vindos de outros segmentos enfrentavam dificuldades para compreender a dinâmica específica de um restaurante, uma operação marcada por margens apertadas, equipes numerosas e alta pressão diária.
Ao mesmo tempo, Silva percebeu que não queria seguir carreira sempre como chef, e decidiu fazer um MBA em gestão de restaurantes. Com isso, conhecidos passaram a pedir por conselhos para cuidar dos negócios.
Em 2018, começou a empreender como consultor de restaurantes — mas o caminho não foi facil. “A mudança de CLT para PJ exigiu uma grande adaptação, ao mesmo tempo que tive dificuldade por ser um ‘novato’ disputando espaço com consultores renomados e empresas conhecidas que já estavam no mercado há muito tempo”, diz.
O empreendedor foi contratado para atuar exclusivamente como braço operacional do grupo Nino, que incluía o La Barra e o Osteria Nonna Rosa. Então, com o tempo, surgiu o convite para se tornar sócio do negócio, o que o fez testar processos e métodos de gestão que ajudassem a organizar áreas críticas da operação.
A experiência serviu como um laboratório para aquilo que mais tarde se transformaria na A.S. Gestão e Treinamento, fundada em 2023. Segundo o empreendedor, os clientes sentem mais confiança na proposta justamente por ele ter um negócio de sucesso em mãos.
"Hoje não nos definimos como uma consultoria. Nós somos um escritório terceirizado. A pessoa nos contrata como se estivesse contratando uma contabilidade ou um escritório jurídico”, explica.
A diferença, segundo o empreendedor, está na execução. Em vez de apenas diagnosticar problemas e entregar recomendações, a empresa passa a fazer parte da operação do cliente.
A A.S. Gestão e Treinamento estruturou sua operação em quatro áreas especializadas para enfrentar alguns dos principais desafios do setor gastronômico. A frente de Nutrição é responsável pelas obrigações técnicas dos estabelecimentos e pela elaboração dos manuais de boas práticas.
Já a área de Compras surgiu a partir da experiência de Silva como gerente do setor e se tornou um dos diferenciais da empresa, centralizando as negociações para todos os clientes e garantindo maior eficiência de custos e condições comerciais mais vantajosas.
No Financeiro, a equipe acompanha o fluxo de caixa e monitora de perto o Custo de Mercadoria Vendida (CVM), indicador considerado fundamental para a rentabilidade dos restaurantes.
A área de Recursos Humanos e gestão de pessoas atua na redução do passivo trabalhista e no controle do turnover, um desafio recorrente na gastronomia, além de acompanhar questões relacionadas ao controle de ponto, gorjetas e demais processos ligados à gestão das equipes.
Diferentemente de muitas empresas de serviços, a expansão da A.S. Gestão e Treinamento aconteceu sem grandes investimentos em marketing.
Segundo Silva, o crescimento veio principalmente por indicações dentro do próprio mercado gastronômico.
O processo ganhou força à medida que ele passou a atender restaurantes ligados a investidores e chefs conhecidos do setor.
Outro elemento que o empreendedor considera fundamental para o crescimento da empresa é a proximidade com os clientes.
Ele visita semanalmente todos os estabelecimentos atendidos e mantém contato frequente com os profissionais responsáveis pela operação diária.
"Meu trabalho hoje é muito mais dar direcionamento para a liderança, porque elas sofrem na linha de frente os problemas."
Para ele, o setor gastronômico depende integralmente das pessoas. Por isso, parte importante do trabalho consiste em apoiar chefs, gerentes e líderes que lidam diariamente com conflitos internos, pressão por resultados e desafios operacionais.
A avaliação é que esse suporte ajuda a reduzir desgastes nas equipes e melhora o funcionamento dos restaurantes como um todo.
O empreededor já pensa na próxima etapa do negócio: o objetivo é transformar a A.S. Gestão e Treinamento em uma espécie de centro de desenvolvimento para empreendedores da gastronomia.
A ideia é criar um ambiente colaborativo que reúna conhecimento, capacitação e ferramentas para quem deseja abrir ou expandir um negócio no setor.
"Eu imagino a A.S. como um núcleo de conhecimento, uma célula para a gastronomia que as pessoas possam utilizar como ferramenta de desenvolvimento e crescimento para a área."
Nos planos do empreendedor, o espaço poderia receber palestras, apresentações de produtos, testes de equipamentos e de receitas.
SD ENTREVISTA
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
MAIS CLIENTES NAS LOJAS
GASTOS NA COPA
O AMOR ESTÁ NO AR
MAROMBA COM PRESSA
NEGÓCIO NA COPA
DELIVERY COM 'ROBÔS'?
SEGREDO BEM GUARDADO?
EM DÍVIDA COM A RECEITA
MERCADO FIT
FIM DO PRAZO
SEM PESO NA CONSCIÊNCIA
‘BEABÁ’ DO E-COMMERCE
ALÉM DO CAMPO
BRIGA COM GIGANTES
LIDERANÇA
REDUÇÃO DE DANOS
OUTRO LADO DO BALCÃO